O post anterior, sobre a editadíssima história do design feita por um site americano, me levou novamente ao mapa do metrô de Londres. Depois de percorrer desenhos de várias épocas e perceber como a imagem deste traçado foi se firmando na iconografia da capital inglesa, arrisco dizer que o metrô – “The tube”, uma entidade onipresente no cotidiano dos londrinos – talvez tenha conseguido se firmar e ser exportado como modelo para cidades como Paris e Nova York graças a uma ajuda significativa de seu design.
A logomarca é um caso à parte: a mesma desde 1913, sofrendo modernizações ao longo do tempo. E foi grudada à imagem da própria cidade e de sua cultura. Ainda que preserve príncipes, a hora do chá e uma guarda da rainha usando aquele ridículo chapéu de pele de urso, Londres é sempre underground, roqueira e “A festa nunca termina” em nosso imaginário.
O mapa do metrô é outra fascinante aula de design. Ele sofreu reformas radicais em um curto espaço de tempo até atingir o desenho que conhecemos hoje: em 1889, era um emaranhado de linhas em um fundo confuso, cheio de informações, como vemos acima, à direita (clique nas imagens para vê-las maiores). Em 1908, ganhou cores distintas para cada linha, lançando os alicerces de uma lógica visual válida até hoje.
O mapa de Londres, com lugares não cobertos pelo metrô e representados “como na vida real”, próximos às estações, ainda era visível. Foi sofrendo sucessivas limpezas, até que, em 1920, Donald MacGill propôs um desenho com as linhas de cor representadas sobre o fundo branco, facilitando a leitura do usuário.
A clareza visual também tinha uma função simbólica, metafórica. Ao ser deslocado do mapa real da cidade, o mapa do metrô dava a “The tube” uma grande confiabilidade, já que se perdia a noção de proporção entre as distâncias. Teoricamente, todos os lugares passavam a ser alcançados pelo meio de transporte rápido e eficiente, que transformava o espaço entre uma estação e outra e entre esta outra e a seguinte em lugares equidistantes, alcançados em tempos semelhantes
Em 1933, como vimos na imagem do post passado (aqui), isso ficou ainda mais radical, com as linhas ganhando sentidos geométricos e perdendo as curvas. De lá até hoje, o mapa pouco perdeu de sua identidade visual. Ajustes e modernizações foram feitos, mas guardando sempre a espinha dorsal do projeto vitorioso do início do século XX.
O mapa de hoje cresceu, mas continua muito próximo do de 1933:
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Eu poderia falar dos mapas do metrô do Rio e de São Paulo, mas prefiro começar esta segunda-feira com algo positivo. Mind the map. Boa semana.


















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