Paula Rego

20 05 2011

"Na companhia de mulheres": baseado em "O crime do Padre Amaro", de Eça de Queirós

A Pinacoteca do Estado, em São Paulo, apresenta até 5 de junho magnífica retrospectiva da artista portuguesa Paula Rego. No fim deste texto, quatro pintores residentes no Rio que viram a mostra fazem comentários sobre ela: Patrizia d´Angello, Bruno Miguel, Jozias Benedicto e Raul Leal.

Os depoimentos, enfáticos e emocionados, evidenciam a importância do feito da Pinacoteca, que reuniu pinturas, gravuras, pastéis, trabalhos híbridos de suporte inclassificável e oferece ao visitante um panorama que exige fôlego e pede disponibilidade de muitas horas. O banquete de Paula Rego não é nada frugal, às vezes é propositalmente indigesto – e é preciso tempo para processar as informações.

Trazer a múltipla obra da artista para junto do olhar dos brasileiros significa preencher uma lacuna de muitos anos. Uma ponte foi construída em nossa visualidade, não há dúvida.

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Festa cola ‘post it’ de artista visual

20 05 2011

A reportagem publicada no RioShow sobre a festa

Na sexta-feira passada, dia 13, o caderno RioShow, do jornal O Globo, publicou reportagem de uma festa cujo maior atrativo anunciado era a possibilidade de o público pedir suas músicas favoritas enviando um “post it” para o DJ. Simpático, sem dúvida, não fosse a imagem de divulgação da Let´s Deejay Consuelo um trabalho de Shima, abreviação do sobrenome do artista visual Marcio Shimabukuro, de São Paulo. O jornal e o repórter que fez a matéria pouco têm a ver com isso, porque não há como controlar o material promocional que chega à redação. Mas a festa precisa se explicar, já que Shima nunca recebeu nenhum pedido de autorização para o uso de sua obra.

Eu estava em São Paulo quando a reportagem foi publicada e esperei Shima se informar sobre as medidas legais cabíveis a respeito de seu trabalho antes de escrever este post.

Performer, o artista registra suas ações em fotografias de séries limitadas, que são a forma de dar um suporte material e uma nova vida ao seu trabalho. Como é fácil perceber, a imagem original de Remember forget, obra de 2007, e a foto publicada no RioShow são gêmeas idênticas. É o próprio Shima quem aparece na foto, segurando um bloquinho adesivo e com o rosto coberto pelas pequenas páginas amarelas. Veja abaixo:

“Remember forget”, trabalho de Shima de 2007

No perfil da festa no Facebook, a apropriação do trabalho é ainda mais indébita. A foto de Shima ganhou remendos bastante primários, com uma máscara à la Jason e um número 13 grafitado no bloquinho, numa tentativa de fazer uma referência à data da festa e ao filme “Sexta-Feira 13″:

O trabalho adulterado, no perfil da festa no Facebook

É bom repetir: Shima nunca foi procurado pelos organizadores da festa. No entanto, seu trabalho foi toscamente adulterado por um evento que tem fins lucrativos. Achar a obra de Shima no Google é fácil: basta digitar “post it” e é uma das primeiras fotos a aparecer. É, de fato, uma linda imagem, poderosíssima. Mas ela já tem dono, o artista que a imaginou, e é preciso a autorização dele para reproduzi-la de qualquer forma. A festa, que cobra ingresso, tranformou-a em sua cara, roubando-lhe a autoria, já que não dá qualquer crédito ao artista. Propriedade intelectual e criativa é coisa séria.

Um daqueles casos que nos fazem sentir vergonha alheia.

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Mandei uma mensagem fechada aos organizadores da festa através do Facebook e reitero o que disse: o blog está aberto para o pronunciamento da Let´s Deejay Consuelo.








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