
O nome do grupo também foi um improviso. Em um festival, alguém ordenou: "Manda chamar estes novos baianos!". Colou.
Faço uma pausa nas artes visuais para sugerir um programa neste domingão: o documentário Filhos de João – Admirável mundo Novo Baiano, de Henrique Dantas. O João do título é João Gilberto, pai e padrinho do grupo formado por Moraes Moreira, Galvão, Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor e Dadi, entre outros. Mais interessante como documento do que como cinema, o filme emociona ao mostrar como a banda nasce da mesma vanguarda baiana que geraria a Tropicália e como aqueles garotos que se encontraram em Salvador complementariam a ousadia rítmica da Bossa Nova, sem, no entanto, jamais se ajoelhar diante dela. Vemos ainda a gênese de Acabou chorare (1972), um dos discos mais importantes da história da música brasileira.
O diretor recupera relações um tanto esquecidas, como as que amarram a trajetória do grupo ao cinema underground soteropolitano do fim dos anos 1960 e ínicio dos 1970, com filmes como Meteorango Kid (1969), e ao auge da gravadora Som Livre, que fez história sob o comando de João Araújo, pai de Cazuza. Outros momentos emocionantes são os que mostram a criação do trio elétrico dos Novos Baianos no carnaval de Salvador, utopia que não sobreviveu a Claudias e Ivetes. E aqueles em que provam como o improviso da música está intimamente ligado ao futebol, paixão que uniu todos os seus integrantes.
Os depoimentos são bem humorados e cheios de compaixão até mesmo com os episódios mais difíceis, como a dissolução do grupo. Já pai de duas crianças pequenas – Ciça e Davi – e casado com Marília, que não trabalhava com música, Moraes Moreira quis deixar o sítio em Jacarepaguá onde todos viviam em comunidade, para que os filhos pudessem ir à escola e ter uma rotina. O restante da banda não aceitou e Moraes foi afastado dos Novos Baianos depois de seu pedido ser julgado em uma reunião-tribunal. Era o início do fim: “A gente achava de verdade que podia mudar o sistema”, lembra Galvão. “Mas o sistema era mais forte do que a gente pensava”.
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A nota triste: depois de dar entrevista para o filme, Baby Consuelo, hoje Baby do Brasil, proibiu sua inclusão. Uma pena – para nós e para ela, que perdeu uma linda festa com velhos conhecidos.
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Abaixo, o trailer do documentário:













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