Cinthia Marcelle daqui a pouco

28 07 2011

Hoje a Box 4/Silvia Cintra inaugura a exposição A – ante – após – até, em que  Cinthia Marcelle se aventura pela primeira vez na pintura. Os trabalhos são feitos a partir de tecidos pré-existentes, listrados, e a artista mineira aplica sobre eles novas faixas, brancas ou coloridas, criando um contraste e um enfrentamento entre o que foi feito por ela e as características daquilo que lhe serve como tela.

As ideias de confronto e de encontro permeiam toda a trajetória de Cinthia, tanto nos vídeos quanto nos objetos e instalações. Ainda não vi ao vivo as pinturas desta nova exposição, mas acho coerente que ela enfrente um suporte nunca experimentado seguindo os princípios que sempre a moveram. Mesmo que seja um início de pesquisa, será um começo que traz com ele toda a estrada que já foi percorrida.

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Para ver trabalhos de Cinthia, clique no canal da artista no Vimeo, aqui.

Para ler a entrevista que artista deu ao blog ano passado, clique aqui.





Saudades de SP

19 07 2011

“Se, no título de um livro recente, apliquei ao Brasil (e a São
Paulo), o termo saudade, não foi por lamento de não mais estar lá.
De nada me serviria lamentar o que após tantos anos não reencontraria.
Eu evocava antes aquele aperto no coração que sentimos quando, ao
relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de
que não há nada no mundo de permanente nem de estável em que possamos
nos apoiar”.

Claude Lévi-Strauss, Saudades de São Paulo.

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Pausa para nota cabotina

12 04 2011

Já podemos divulgar o elenco de Mapas invisíveis em São Paulo. A versão paulistana da exposição, com  inauguração prevista para o dia 30 de agosto, na CAIXA Cultural da Paulista, vai exigir muito fôlego desta curadora que vos fala:

 

 

 

Cinthia Marcelle & Marilá Dardot

Laerte Ramos

Lenora de Barros

Lucia Koch

Marcelo Moscheta

Marcius Galan

Paulo Nenflídio

Tatiana Blass

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Não é brinquedo, não.

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Em breve o blog da mostra será atualizado com o processo dos trabalhos em São Paulo. Há artistas com os mapas escolhidos. É o caso de Galan, que vai se debruçar sobre a Avenida Paulista. E das mineiras Cinthia e Marilá, que, em dupla, vão mergulhar na Sé.





PIPA – Cinthia Marcelle

25 10 2010

Cinthia Marcelle durante a execução de "Cruzada"

 

Cinthia Marcelle é a terceira entrevistada dentre os quatro finalistas do PIPA. Antes, tivemos Marcius Galan (aqui) e Marcello Moscheta (aqui). Agora falta apenas Renata Lucas. O resultado do prêmio sai esta semana, no dia 28, quinta-feira, e os trabalhos incluídos nesta primeira final do projeto estão em exposição no MAM do Rio.

Para entender como foi definida a ordem de publicação das entrevistas e ler uma análise do PIPA, clique aqui.

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Frame do vídeo "Cruzada", que concorre ao PIPA

 

‘As fronteiras são reinventadas o tempo todo, tanto na arte quanto no mundo’

A terra de Minas Gerais frequentemente aparece nos trabalhos de Cinthia Marcelle. A artista nasceu em Belo Horizonte, em 1974, mas o solo vermelho não é um índice de demarcação regional, muito pelo contrário. Em Cruzada, vídeo com o qual ela concorre ao Prêmio PIPA, e também em outros trabalhos, a terra é quase a marca de um lugar nenhum, território fugidio que se disputa, se renegocia e se reaprende, rumo a novas fronteiras. Os limites e contaminações entre linguagens distintas norteia esta Cruzada. O título do vídeo se refere à encruzilhada, construída especialmente para o trabalho,onde quatro grupos de instrumentistas vestidos com cores distintas tenta se misturar para tocar uma única música. Mas Cruzada, a palavra, traz em seu baú de significados mil outras histórias. Entre elas a da Guerra da Reconquista, com inúmeras batalhas travadas entre mouros e cristãos, grupos distintos antes fortalecidos na Península Ibérica por longo legado de trocas culturais. A construção de uma linguagem, presente no vídeo, tem seu contraponto na instalação Sobre este mesmo mundo, que está na Bienal de São Paulo. Nela, um quadro negro traz os vestígios de exercícios e palavras apagadas, enquanto diante dele vê-se montanhas de pó de giz lembrando tudo o que já foi escrito. “É como se a muralha da linguagem, todos esses códigos através do qual nos relacionamos com a realidade, estivesse desmoronado”, diz Cinthia.  Nesta entrevista, ela cita Robert Smithson, lista influências como Leonilson e o cinema de John Cassavetes e, é claro, analisa como vivemos no mundo em que as fronteiras estão cada vez mais mutantes e elásticas.

*Cruzada, vídeo que você apresenta na exposição do MAM, mostra um embaralhamento de cores e sons em um cruzamento de uma estrada deserta. Você está, de alguma maneira, falando de linguagem?

CINTHIA MARCELLE: Acho que Cruzada se aproxima de uma outra obra recente minha, Sobre este mesmo mundo, conceitualmente falando. A instalação do quadro negro trabalha o acúmulo e apagamento da linguagem, buscando algo como o grau zero de sentido. É como se a muralha da linguagem, todos esses códigos através do qual nos relacionamos com a realidade, estivesse desmoronado. No vídeo Cruzada, do encontro/confrontação/mistura entre cores e sons surge uma nova língua, uma mesma canção que impulsiona a todos pelos quatro cantos do mundo.  Morte e nascimento da linguagem: penso que não foi por acaso que a obra do quadro negro me surgiu na Europa, o dito Velho Mundo, e o novo vídeo no Brasil. Leia o resto deste artigo »





Pipas

14 10 2010

Vamos publicar a partir de amanhã entrevistas com os finalistas do Prêmio PIPA, que têm suas obras expostas no piso térreo do MAM.  Ao promover estas conversas, o blog pretende aproveitar-se descaradamente do prêmio, com todo o respeito, para mostrar um pouco do processo de criação e do pensamento de quatro excelentes artistas: Cinthia Marcelle, Marcelo Moscheta, Marcius Galan e Renata Lucas.

A publicação vai obedecer a ordem de resposta dos entrevistados. Todos receberam as perguntas no mesmo dia. Marcius Galan será o primeiro, já que também foi o primeiro a responder. Não necessariamente vai haver uma sequência perfeita entre os posts, que podem ser entrecortados por outros assuntos.

Para realizar estas simpáticas sabatinas, contei com a ajuda de dois convidados especialíssimos, que mandaram cada um sua pergunta para os quatro finalistas: o curador, crítico de arte e professor Marcelo Campos, do Rio de Janeiro; e o jornalista e curador Mario Gioia, de São Paulo. Luxo.

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