Piraquê: a pá de cal

29 05 2011

Novas versões das embalagens no supermercado

Este blog entrou em polvorosa quando a Piraquê começou a alterar o design de suas embalagens de biscoitos e massas, jogando fora o projeto pioneiro realizado pela artista Lygia Pape nos anos 1960 (lembre aqui e aqui). Os últimos três produtos que tinham ficado com o desenho de Lygia – Maria, Maizena e Goiabinha – já começaram a ter suas embalagens pioradas, como mostra a foto tirada hoje pela manhã, em um supermercado no bairro carioca do Arpoador. A troca acontece justamente no momento em que eu e Felipe Scovino nos preparamos para dar um curso sobre o lado designer de artistas concretos e neoconcretos. A partir de sexta-feira, na Casa do Saber, Diálogo concreto vai fazer um panorama do construtivismo brasileiro a partir de produtos como os da Piraquê e as latas de sardinhas Coqueiro, estas últimas projeto do paulista Alexandre Wollner. (leia no fim deste texto). Leia o resto deste artigo »





É hoje!

23 03 2011

A arquiteta e urbanista Cristina Nacif, o crítico de arte Felipe Scovino e o jornalista Rogério Daflon nos ajudam hoje a debater Mapas invisíveis desta cidade no lançamento do catálogo da exposição, 18h, no Cinema 1 da CAIXA Cultural. Entrada franca. A publicação será doada aos presentes.

Esperamos vocês.





Hélio antes de HO

13 05 2010

Um dos "Metaesquemas" de HO: vazios e cores em destaque no Itaú Cultural


Dia desses estava conversando com o curador Felipe Scovino, meu querido amigo. Era uma aula transformada em bate-papo sobre minimalismo e acabamos esbarrando em Hélio Oiticica. “Acho que ainda falta escrever muito sobre o Hélio. Mas não o que já foi escrito. É um artista pouco explorado pela crítica e faço aqui a minha mea culpa”, disse ele. Concordei de imediato e fiz a longa viagem do Fundão para casa com aquilo martelando na minha cabeça. Abaixo, tento eu também fazer meu mea culpa, mesmo que ainda ligeiro.

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Uma das maiores virtudes da exposição panorâmica “Hélio Oiticica – Museu é o mundo” –  que se despede domingo, dia 16, do  Itaú Cultural, em São Paulo –  é apresentar ao público Hélio antes de HO.

Hélio Oiticica, o artista, foi se transformando depois de sua morte em HO, o mito. Tendemos a olhar com muita insistência para seu trabalho transgressor rumo ao espaço, com penetráveis, parangolés e bólides, mas nos debruçamos com certo desleixo sobre o período seminal de sua criação, onde estão seus “Metaesquemas”, os “Relevos espaciais” e as pinturas propriamente ditas, ainda com uma paleta de cores bem variada, incluindo tons de rosa e uma escala bastante grande de azuis.

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Décio Vieira

22 03 2010

Sem título, década de 1970, têmpera sobre tela

O Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, inaugura,na próxima quinta-feira, dia 25, um panorama da obra de Décio Vieira. Artista geométrico de primeira linha, o pintor foi uma figura singular porque esteve ao mesmo tempo dentro e fora das grandes transformações provocadas pelos movimentos concreto e neoconcreto. A têmpera, – mesma técnica de Volpi –  e uma paleta de cores muito além das matrizes primárias tornam sua pintura curiosa e digna de análise.

Passo a palavra a Felipe Scovino, curador da exposição, reproduzindo abaixo seu texto de apresentação:

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Rumo ao MAC!

12 09 2009

Hoje, às 17h, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) inaugura a exposição “Arquivo Contemporâneo”. Com curadoria de Felipe Scovino, que prepara um livro homônimo, a exposição reúne Adriana Varejão, Anna Bella Geiger, Antonio Dias, Artur Barrio, Cao Guimarães, Carlos Vergara, Chelpa Ferro, Cildo Meireles, Ernesto Neto,  Raul Mourão, Ricardo Basbaum, Tunga e Waltercio Caldas.  O MAC também sedia, no mesmo horário, o lançamento do livro de Fernanda Lopes sobre o Grupo Rex.

Lembrei dos tempos de repórter num bate-papo on line com Scovino sobre a mostra…

“Arquivo contemporâneo” é o mesmo nome de um livro que você está preparando. O que veio primeiro? Como você selecionou os artistas “arquivados” no projeto?

FELIPE SCOVINO: O livro Arquivo Contemporâneo veio primeiro e nasceu da bolsa de estímulo à produção crítica que recebi da Funarte em novembro do ano passado.. É um projeto para a edicao de um livro de entrevistas com artistas visuais brasileiros contemporâneos. Dividi estes artistas em 2 grupos: um, formado por artistas que iniciaram suas trajetórias entre a primeira metade da decada de 60 e a primeira metada da década de 70; e, o outro formado por artistas que tiveram um amadurecimento de seus trabalhos entre a segunda metada dos anos 90 e os anos 2000. São 15 artistas presentes em 13 entrevistas. Penso que já temos uma execerbação de pensamento, teses, artigos, ensaios sobre o neoconcretismo – notadamente HO e LC – e o momento posterior a esse compromisso estético é pouco estudado ou analisado através de diálogos entre esses artistas.

Como a mostra se relaciona com o livro que você vai lançar pela 7 Letras?

SCOVINO: A ideia era coletar depoimentos dos artistas e inserir a escrita/crítica deles como estrutura de pensamento sobre um atravessamento do pensamento da prática artística nos últimos 50 anos. Sair a voz exclusiva do crítico e lançar um diálogo ou conversa entre ele e o artista. A exposição nasceu mediante um convite de Guilherme Bueno, diretor do MAC-Niterói, ao longo do processo do livro. A ideia era usar o acervo da coleção Sattamini para ilustrar o momento que selecionei na escrita do livro. É importante dizer que o livro virou um projeto, porque além da exposição e lançamento no MAC hoje, haverá uma mesa-redonda e um segundo lançamento do livro na Funarte no dia 22 de outubro. Na mesa, além de mim, estarão Paulo Sergio Duarte, Glória Ferreira e Ricardo Basbaum.

Como a ironia, tema de seu trabalho acadêmico, se relaciona com esta exposição?

SCOVINO: Tratei da ironia na minha tese de doutorado. A ironia é uma característica que penso ser muito presente na produção da arte contemporânea mundial. Não devemos confundir ironia e humor. São situações tangenciais mas que habitam cada um delas o seu nicho. Um trabalho como Volátil, de Cildo Meireles, dialoga com o Raul Mourão na articulação de uma ironia sobre a natureza do homem e sua relação com o meio, mas ambas mantêm suas particularidades. Raul está falando do homem urbano, e Cildo de uma visão de mundo global, da quase impossibilidade de lidarmos com o estranho ou o inesperado. Mas note bem, nenhum deles é “brasileiro”, nenhum desses trabalhos há um dado de identidade nacional agregado a prática artística. Esse é outro aspecto que levanto no livro e na exposição: um certo descompromisso, ou mesmo razão, em localizar lugar, identidade e cultura no âmbito das práticas artísticas.

Muitos curadores e artistas acham que o espaço do MAC é desafiador, por causa das janelas panorâmicas do prédio do Niemeyer, a paisagem do Rio que invade o recinto e a circularidade da arquitetura. Como você lidou com isso na exposição?

SCOVINO: A minha maior dificuldade não foi o duelo com a paisagem, mas o pé direito, ou seja, colocar na parede as grandes telas do Vergara. Ocupar o espaço da varanda com esculturas também foi um dilema (porque tenho que pensar na cadeirante, na criança, enfim no tipo de público que frequenta os museus e a sua mobilidade naquele espaço estreito de mobilidade que a varanda do MAC possui). Para ser sincero, até esqueci da Baía…

Como se dão as relações entre os artistas na mostra?

SCOVINO:  Arquivo Contemporâneo é baseado tão somente em diálogos: não queria traçar as diferenças entre os artistas, ou melhor, busquei as diferenças de uma forma enviesada para chegar às suas similitudes. Um caso que gosto de citar é o de Anna Bella Geiger (que apesar de começar a carreira nos anos 50 – e portanto estaria fora dos “grupos” que citei – é fundamental para se entender o atravessamento da videoarte no Brasil) e Cao Guimarães: apesar do suporte ser o mesmo, os temas - o corpo, por exemplo – são trabalhados de forma totalmente distinta.








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