Bundalelismo, praga e delícia do Rio

22 05 2010

Fred Coelho fez um belíssimo artigo sobre o Bundalelismo, praga e delícia dos cariocas, no seu blog Objeto sim objeto não, sempre um porto seguro e inteligente quando estou remando por aqui na maré da web.

“O Bundalelismo é uma praga. O Bundalelismo é uma delícia. O Bundalelismo – e seu desdobramento, o Obaobismo – é, de fato, uma prática cultural. O Bundalelismo é a certeza de que pouco é muito, de que a festa não vem depois da colheita e sim durante, de que a cigarra sempre, sempre, sempre, se dará bem sobre a formiga.”

Fred continua explicando que a prática constante do Bundalelismo deriva em coisas estranhas, como instituições e veículos de informação acharem natural não pagar pelos profissionais que trabalham ou prestam serviços ali. Afinal, os cariocas são bacanas, sacanas, espertos… Somos todos brothers, não?

Não, claro que não.

Para ler o artigo do Fred na íntegra – acredite, você precisa – clique aqui.





Arte e política no MAM

13 12 2009

A exposição de Carlos Vergara no MAM gerou um seminário interessantíssimo – “Novos territórios da arte e da política” –  com duas mesas-redondas amanhã, segunda-feira, dia  14 de dezembro, no auditório da Cinemateca. Às 10h, os participantes são Paulo Herkenhoff, Daniela Labra e Georgis Kornis; às 14h, Giuseppe Cocco, Paulo Sergio Duarte e Lorenzo Marsili.

A mediação é de Luiz Camillo Osório e de Fred Coelho, dupla que está à frente do MAM neste momento e que tem empreendido um esforço grande para fazer o museu voltar ao centro do debate sobre arte no Rio. Vou lá.





Ainda HO ou um pouco de história não faz mal a ninguém

21 10 2009

Fred Coelho postou este ótimo texto em seu não menos ótimo blog objeto sim objeto não. Lê aqui, vai lá.

HO CATANDO LIXO

1) O texto abaixo é fruto de uma fala de Luciano Figueiredo, um dos curadores e principal articulador e divulgador da obra de Hélio Oiticica, feita em 1999 no Museu da República. O motivo da fala era um seminário intitulado Seminário Internacional Museu em Transformação: as novas identidades dos museus, entre 11 e 15 de setembro de 1996. Ou seja, treze anos atrás.

A fala de Luciano – e antes que digam algo contra Luciano, artistas plástico, designer, curador e crítico, deixo logo claro que prefiro alguém que cuide com zelo extremado de uma obra do que alguém que não cuida de nada e acha fácil transferir responsabilidades e apontar erros alheios com a bunda na cadeira – é um resumo sobre o SENTIDO da obra de HO e de sua manutenção que, venho insistindo, era (e ainda é, seja onde estiver pois ela não acabou por inteiro) extremamente complexa de ser guardada, mantida e preservada. A fala de Luciano é datada do momento em que o Centro de Arte Hélio Oiticica tinha sido fundado. Reparem como no começo de tudo, a família e o projeto HO estavam cem por cento voltados para a parceira, o comodato e a aceitação do Centro como espaço legítimo do acervo. O que ocorreu nesses últimos treze anos é que são elas. Antes de buscarmos culpados, estudemos as histórias.

2) Antes de transcrever o texto, uma opinião pessoal sobre a perda da obra de HO no incêndio: a dor maior, para além do valor financeiro, histórico e cultural, foi a frustração de um minucioso plano de vida/morte que Oiticica traçou para si mesmo e sua obra. Artista e pensador que equilibrou como poucos o arquivista voraz e metódico com o homem que vivia apenas a fugacidade do momento em sua plena potência, a queima de seu arquivo é, em parte, a morte de seu projeto de vida, como Luciano deixa claro no texto que reproduzo aqui. E por fim, precisa ser dito que as obras queimaram, mas o pensamento e os escritos (milhares!) de HO mal começaram a serem lidos e divulgados para além do circuito de pesquisadores interessados nele. Que a morte do acervo sirva como a libertação de suas idéias. Chega de fetiches sobre Mangueira e Parangolé, que venha a descoberta de um novo patamar de seu universos estico e poético.

3) texto de Luciano Figueiredo, 1996 (grifos meus)

Rigorosamente falando, podemos dizer que a coleção de obras que forma o acervo do Projeto Hélio Oiticica foi realizada e organizada por Hélio Oiticica como um só corpo, ou seja, toda a sua produção de obras que se inicia nas décadas de 50 e 60 foi por ele executada como um todo, ou, como o próprio Oiticica viria a defini-la em seus últimos anos como uma idéia de “work in progress”, trabalho em progresso.Não tivesse Hélio Oiticica mantido a sua produção artística praticamente fora do circuito comercial das especulações mercadológicas e também institucionais, conduzindo esta produção sob rigor pessoal e decidindo exatamente quando e onde mostrar suas obras nas pouquíssimas exposições em que participou, dificilmente seria possível hoje para nós fazer uma idéia de sua singularidade ou apreciá-la plenamente. Sabemos de sobra que a obra de Hélio Oiticica foi resultado da exploração artística brasileira da década de 60 e que este é um período de nossa História da Arte marcado pelo surgimento de novas idéias, novos caminhos e novas expressões.

As obras dos artistas do movimento neoconcreto questionaram irreversivelmente a exclusividade das categorias plásticas de então e, nesse sentido, a experiência neoconcreta representa um dos estágios mais originais da história das vanguardas no Brasil; novas individualizações e ideais fora dos cânones tradicionais da arte. Assim podemos situar a produção de Oiticica como um programa de proposições artística sem precedentes dentro do sistema museológico ou mesmo institucional. Diante disso, talvez explique-se a posição estratégica que o próprio Oiticica definiu e demarcou para sua obra, através de suas ordens conceituais. Estamos falando então de um artista que concebeu, fundamentou e refletiu a própria obra de maneira sui generis. Estamos falando de um artista que colecionou antes de todos nós sua própria obra, opondo-se ao sistema comercial e mercadológico da arte. Oiticica praticamente não permitiu que esses viessem de qualquer forma a interferir com seu rigor conceitual ou seu processo de criação.

Foi precisamente durante a década de 60 que Oiticica radicalizou posições artísticas, ética e ideológicas frente a possíveis incorporações ou mesmo absorções de suas obras pelo sistema institucional que duramente questionou. Portanto, quando lembramos hoje de tais posições e estratégias que o artista estabeleceu para a própria obra, queremos mostrar que as mesmas lograram êxito em seus objetivos, pois sua obra foi de fato preservada. Se hoje torna-se viável uma relação institucional com a obra de Oiticica e isto vem a parecer algo paradoxal, creio que devemos tentar discutir a questão aos olhos da dinâmica conceitual que possuímos hoje, pois facilmente podemos concluir que Hélio Oiticica – antimuseu, antimercado, anti-instituição – deveria permanecer como tal. Ora, o próprio fato de ter sido possível existir hoje uma instituição que tem o nome do artista e abriga o conjunto de obras que produziu é bastante revelador da vitória cultural desse legado artístico para a arte brasileira e universal. Tivesse esse conjunto de obras sido dispersado ou aleatoriamente espalhado em coleções privadas, ou em diversos museus, como teria sido possível a preservação de seu significado tal como o artista concebeu? Que lugar estaria ocupando hoje na arte brasileira? A instituição, o Projeto HO, foi criada em 1981 por César e Claudio Oiticica, irmãos de Hélio, e amigos com conhecimentos técnico e conceitual que voluntariamente realizaram estudos e pesquisas tornando possível hoje a apreciação pública da vasta produção desse artista.

Este post é dedicado aos Oiticica César e Cesar Filho, a Luciano Figueiredo, Waly Salomão e Andreas Valentin.





Pitadinhas da semana – Artes visuais

2 09 2009

Já foi: O lançamento de “Cultura digital.br” (Azougue, 310 pág, R$43), no último sábado, no endereço da Lapa que serve de ateliê para  Raul Mourão e Afonso Tostes, entre outros artistas, confirmou Mourão como um dos mais bem sucedidos agitadores da cidade. A palestra integrou o programa de discussões de “Assembléia geral”, projeto do anfitrião com o crítico Fred Coelho, e contou com a participação especial do francês Pierre Levy, que chegou escoltado pela professora Ivana Bentes, da ECO-UFRJ. Depois de saber mais sobre o livro, uma coletânea de entrevistas com gente de atividades diversas – como o músico Lucas Santtana; o jornalista e blogueiro Marcelo Tas e o ex-ministro Gilberto Gil – o público caiu na festa ao som do DJ Nepal. Queremos mais.

Passa lá:

"Mar azul", de Rosana Ricalde

"Mar azul", de Rosana Ricalde

Rosana Ricalde em cartaz na Arte em Dobro com “O navegante”, que reúne trabalhos feito com mares, palavras e mapas; José Tannuri com  série de pinturas inéditas que têm páginas de jornal como textura de fundo na galeria Hélio Rocha, no Shopping Cassino Atlântico; Tomas Ribas no novo espaço coordenado por João Vergara na Rua do Lavradio, 34, 2 andar.  Ribas, de 33 anos, começou a vida profissional como iluminador e apresenta surpreendentes trabalhos feitos com espelhos, vidros com insulfilme e lâmpadas coloridas dentro de galões antes usados para armazenar tinta e petróleo.

O que vem aí:

Frida Khalo no MAM; lançamento de “Penso subúrbio carioca” (primeiro livro da editora Tix, de Ana Borelli, na Casa de Cultura Laura Alvim). Ambos no dia 15 de setembro.








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