Inhotim no YouTube

26 09 2011

O canal do Instituto Inhotim no YouTube é uma aula de como fazer uma comunicação institucional eficiente e ao mesmo tempo gerar um arquivo permanente de história oral para a arte contemporânea. As entrevistas de artistas brasileiros e internacionais iluminam a visão sobre as obras que eles produziram para o museu a céu aberto de Brumadinho e se transforam em suporte para pesquisa de suas trajetórias.

Uma ferramenta simples e de custo baixo, que poderia ser implementada de forma regular nos sites de  instituições como a Pinacoteca de São Paulo, os Museus de Arte Moderna do Rio e de São Paulo e o Instituto Tomie Ohtake, por exemplo. (Aliás, vale o PS: os sites muitas vezes também ficam devendo).

O PIPA também tem contribuído para este tipo de registro (veja aqui o canal do prêmio), mas os vídeos realizados com jurados e artistas indicados nem sempre selecionam o melhor do que foi dito nas entrevistas, se me permitem aqui uma crítica construtiva. A edição pode melhorar.

Seleciono abaixo, no canal de Inhotim, uma entrevista de Laura Vinci…

… E outra de Dominique Gonzalez-Foerster sobre Desert Park, obra que já comentamos aqui:





PIPA – Marcius Galan

18 10 2010

 

Marcius Galan em foto publicada pelo Uol, às vésperas da inauguração da Bienal

A primeira entrevista da série com os finalistas do Prêmio PIPA é com Marcius Galan. Veja como vai ser a série aqui.

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Galan monta seu trabalho "Intersecção" no MAM do Rio

‘Meu trabalho é um desenho incompleto, e que nunca vai se completar’

Estar diante de um trabalho de Marcius Galan é perceber o quanto a matemática, especialmente a geometria, pode nos levar para o campo das sensações e para um estado de suspensão, próximo da espiritualidade. Nascido em Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1972, Galan foi criado em São Paulo e participa da exposição de finalistas do PIPA com a instalação sonora Intersecção. Ao apresentar o som de um lápis sobre o papel, o artista investiga novas possibilidades para o desenho, um motor quase invisível para sua obra desde sempre.  Nesta entrevista, ele fala da relação com a arquitetura e a cidade, presente em seus trabalhos na Bienal de São Paulo; do enfrentamento com o espectador no ambiente que acaba de ser inaugurado em Inhotim; e da influência de artistas como Waltercio Caldas, Gordon Matta-Clark, Cildo Meireles e Lúcia Nogueira.

Em seu trabalho para a final do PIPA, em que duas caixas de som amplificam a tarefa silenciosa de fazer círculos a lápis, o desenho volta a aparecer como em outros momentos de sua obra: de maneira enviesada, indireta. O desenho é um bom fantasma que sempre te assombra?

MARCIUS GALAN: Apesar de muito poucas vezes ter apresentado desenhos como trabalho final, meu trabalho lida quase o tempo todo com a ideia de desenho. O desenho é também importantíssimo para o meu processo, faço muitos cadernos que são pensamentos soltos, rabiscos sem muito sentido e de tempo em tempo redesenho sobre as coisas antigas. É um exercício sem cronologia e isso me ajuda a manter as questões anteriores quase descartadas ligadas ao que estou pensando no momento. Muitas vezes desses encontros saem as coisas que me interessam. Nesse sentido posso dizer que entendo meu trabalho como um desenho incompleto, e que nunca vai se completar. Intersecção, que estou mostrando no prêmio PIPA, veio de um trabalho que apresentei na exposição OIDARADIO, organizada pela Kiki Mazzucchelli e pelo Nick Graham-Smith, que era uma exposição de rádio no Paço das Artes. O meu trabalho chamava-se Desenhos ao vivo, e era uma espécie de performance sonora, transmitida de um estúdio ao vivo onde eu desenhava com um lápis microfonado. Os desenhos circulares tinham um rítimo que ia crescendo. Eu me interessava em tentar propor um reconhecimento do desenho por outro sentido que não a visão.

Intersecção também tenta propor esse mesmo exercício, mas tem um interesse pelo espaço, um lado escultural também, as caixas ficam mais em silêncio do que com os ruídos. Esse silêncio entre duas caixas de som é interrompido por um desenho banal, um círculo no papel, que amplificado ganha força. É um limite que se torna variável, se expande pelo espaço e se dissolve, pretendia dar ao ruído discreto e íntimo do desenho a gravidade de um tremor ou uma força da natureza qualquer, algo que desrespeita a organização espacial, o desenho, o projeto, o planejamento urbano, as fronteiras e os limites das áreas estabelecidas pelo próprio desenho.

Matemática e arquitetura são outras matrizes importantes no seu trabalho. Poderia falar um pouco de cada uma delas?

GALAN: Meu trabalho lida com o básico da matemática, meu interesse está nas operações simples que definem coisas essências. Tenho um conhecimento muito limitado, mas no caso da geometria, me interessava muito pensar como partiu de uma disciplina filosófica e caminhou para uma ciência prática. As falhas desse percurso me interessam como por exemplo as definições de ponto, onde não se atribui tamanho, peso e forma para esse elemento. Porém uma vez que se desenha um ponto ele tem tudo isso, ele passa a ocupar um lugar e ter tamanho e contraria já de partida sua definição. Sobre isso trata meu trabalho da Bienal.

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Inhotim – Palm Pavilion*

21 09 2010

A Maison Tropicale original, de Jean Pouvre

Os posts sobre a nova leva de obras em Inhotim, com inauguração marcada para depois de amanhã, vão ficar um tanto embolados com a abertura da Bienal de São Paulo na correria que está este fim de setembro.

Espero que os leitores me perdoem.

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A desconstrução do clichê

Rirkrit Tiravanija adaptou para Inhotim Palm Pavilion, um dos poucos trabalhos relevantes presentes na 27a edição da Bienal, dedicada ao “vazio”. Antes instalada dentro do prédio no Ibirapuera, agora a obra vai para o ar livre, na região do museu de Brumadinho conhecida como “Fazendinha”. Palm Pavilion vai ficar em frente do trabalho de Jorge Macchi, uma piscina que – estes são os planos da insitituição – em breve poderá ser usada pelo público que chegar prevenido com sungas e biquinis.

De origem asiática, mas nascido na Argentina, como Macchi, Tiravanija, que hoje vive na Tailândia, vai estabelecer um diálogo interessante com o conterrâneo, criando com ele uma espécie de pastiche de um resort. Seu Palm Pavilion foi inspirado na Maison Tropicale criada pelo arquiteto Jean Prouve nos anos 1950.

Pré-fabricada, herdeira de Le Corbusier e sua família modernista, a casa era um projeto do governo francês para suas colônias na África. Com ela, um diplomata podia montar sua casa onde quer que estivesse, levando “nas costas” o seu jeito de viver e resistindo, assim, à adaptação e à troca cultural com o país onde iria trabalhar. A implantação da maison tropicale não saiu como o governo planejava e os poucos exemplares instalados no Congo permaneceram de pé com outros usos até que, no fim dos anos 1990, a Christie´s desmontou uma das casas e vendeu-a como arte em leilão por US$ 5 milhões.

Tiravanija remonta a maison com materiais mais baratos, criando quase uma cópia pirata de Pouvre. Os responsáveis pelo paisagismo de Inhotim vão cercar o pavilhão com 130 palmeiras de sete espécies diferentes, que têm origens e tamanhos variados. Associada ao Brasil e à sua tropicalidade, a palmeira não é uma árvore nativa. Também é uma importação na paisagem como a Maison Tropicale foi um dia. Ao construir a casa em Minas Gerais, Tiravanija destrói o clichê, minando-o com os venenos saídos de sua própria estrutura e curtidos pela História.

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O quiosque de alimentação que vai funcionar ao lado do pavilhão é um arremedo de bar tropical. O público vai poder tomar água de coco e comer açaí olhando para a piscina de Macchi.

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* O blog viajou a convite de Inhotim.





Inhotim – Cosmococas*

19 09 2010

Cosmococa #5, Hendrix War, 1973

Quatro “Cosmococas” feitas por Hélio Oiticica em parceria com o cineasta Neville d´Almeida ganham no dia 23 um pavilhão construído especialmente para elas em Inhotim. O projeto do prédio é do escritório Arquitetos Associados, de Belo Horizonte, que também criou a nova galeria de Miguel Rio Branco e já tinha assinado o complexo educativo de Inhotim.

Erguido como um labirinto – ao mesmo tempo imagem e processo na obra de HO – o pavilhão tem uma área central interna que é quase uma praça e convida o visitante a entrar em cada sala onde estão os trabalhos.

A Cosmococa 4, Nocagions, homenageia John Cage e o “branco sobre o branco” suprematista de Malevitch. O trabalho pode marcar uma fase de experiências mais radicais com a participação do público em Inhotim. Há uma piscina, onde é preciso entrar para perceber da água as luzes verdes e azuis que a circundam.

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Vamos voltar a HO quando falarmos da magnífica exposição em cartaz no Paço Imperial do Rio.

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Para ver outras imagens do pavilhão das Cosmococas clique aqui.
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* O blog viajou a convite de Inhotim.





Inhotim – Dominique Gonzalez-Foerster*

18 09 2010

A série de posts sobre as novas obras e galerias de Inhotim continua com o site-specific da artista francesa Dominique Gonzalez-Foerster.

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Ruína moderna

Desert Park, de Dominique Gonzalez-Foerster, é uma intervenção direta e bastante contundente na paisagem de Inhotim. Também estabelece uma relação curiosa com a arquitetura de Belo Horizonte. A uma hora de carro de Brumadinho, onde fica o museu criado por Bernardo Paz, a capital mineira sofre de uma certa esquizofrenia em relação ao resto do Estado, sobretudo por sua história urbana.

As fachadas coloniais de cidades muito próximas – como Ouro Preto, Mariana e Tiradentes – são nubladas em Belo Horizonte pela herança modernista, que começa a ganhar corpo com o projeto de Oscar Niemeyer para a Pampulha. Nos anos seguintes, operários que trabalharam construindo mansões modernistas nos bairros nobres da cidade adaptaram o léxico visual das brise soleil e das varandas em triângulo para suas residências em áreas periféricas. Hoje, a paisagem de BH e adjacências se parece muito como uma ruína do futuro. Esta sensação é ampliada pela imobilidade da obra do próprio Niemeyer: assinada pelo arquiteto, a Cidade Administrativa de Minas Gerais, conjunto de prédios que vai abrigar o funcionalismo do governo e fica a caminho do Aeroporto de Confins, é próxima a um pastiche de um passado glorioso, mas que não soube se renovar no tempo.

Dominique se apropria de uma referência importante do mobiliário urbano modernista, que resiste na paisagem mineira. Seu Desert Park é uma grande praça apinhada de pontos de ônibus de diferentes formatos. Com telhados e bancos típicos do período entre 1940 e 1960 e construídos em concreto armado, eles são lugares de espera de um transporte que nunca virá. A areia branca, que substitui o gramado dos jardins de Inhotim, cria uma paisagem inóspita, lunar, quase fantástica.

Não vimos Desert Park totalmente pronto, mas ficou a impressão de que, com o sol a pino, a areia vai funcionar como um grande rebatedor, provocando vertigens e uma sensação de cegueira temporária. Oásis às avessas, o trabalho da artista francesa instiga justamente por se recusar a oferecer refúgio para a miragem moderna.

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*O blog viajou a convite de Inhotim.





Inhotim de roupa nova*

17 09 2010

Pavilhão Miguel Rio Branco

No próximo dia 23, Inhotim inaugura uma série de trabalhos novos. O Instituto de arte em Brumadinho, Minas Gerais, vai ter galerias dedicadas à obra de Miguel Rio Branco e à parceria entre Hélio Oiticica e Neville d’Almeida em quatro Cosmococas. Há ainda Desert Park, um site specific de Dominique Gonzalez-Foerster, e o Palm Pavilion de Rirkrit Tiravanija.

O diretor artístico de Inhotim, Jochen Voz, que foi co-curador da última edição da Bienal de Veneza, e o curador do Instituto, Rodrigo Moura, também fizeram mudanças nas exposições das galerias temporárias Lago, Praça e Mata, que ganharam obras do acervo assinadas por Django Hernandez, Ernesto Neto, Alexandre da Cunha, Laura Vinci, Marcius Galan e Marcellvs L.

A partir de amanhã e até segunda, falaremos da roupa nova de Inhotim em uma série de posts temáticos. Há assunto para várias viagens, reais e virtuais.

* O blog viajou a convite de Inhotim.








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