Marcelo Moscheta, quebrando o gelo

18 01 2013
Uma das fotos de "A line in the Arctic", no Paço Imperial

Uma das fotos de “A line in the Arctic”, no Paço Imperial

Um pedido de desculpas para os queridos leitores deste blog: ando ausente deste blog, eu sei. E explico: desde dezembro, assumi como diretora o Museu do Ingá, em Niterói. É uma instituição estratégica para a Superintendência de Museus do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Cultura, mas que precisa de um plano de requalificação arquitetônica e curatorial, já em curso.

Aproveito para descongelar  nossa relação com um vídeo sobre o gelo do Ártico. Mais precisamente com um curta sobre os bastidores de Norte, do grande Marcelo Moscheta, exposição da qual tive a honra de assinar a curadoria. Para assistir, é só clicar abaixo:

Marcelo Moscheta – Norte – Bastidores

A mostra está em cartaz no Paço Imperial, na Sala Terreiro do Paço, e eu, Moscheta e toda a equipe arregimentada pela Museo, produtora do projeto, estamos aguardando ansiosos a sua visita. Neste mini-documentário, feito pela Sambacine,  o artista, a curadora e Luiz Camillo Osorio, curador do MAM-RJ, falam sobre o trabalho de Moscheta e como esta exposição foi sendo criada ao longo de um ano.

O livro sobre Norte também será lançado em breve, com selo da Ímã Editorial e edição de Julio Silveira.





Moscheta, subtropical

2 08 2011

Marcelo Moscheta participa de Mapas invisíveis em sua versão paulistana – inauguração dia 30 deste mês, na Caixa Vitrine da Paulista- com um trabalho feito a partir do encontro com o Pico do Jaraguá e a Serra da Cantareira.

Com a instalação Subtropical, em que imagina um diário de viagem de um explorador de um passado indeterminado a esta cidade ao Sul do Trópico de Capricórnio. A linha do trópico passa rentinha ao Pico do Jaraguá, aliás.





Saudades de SP

19 07 2011

“Se, no título de um livro recente, apliquei ao Brasil (e a São
Paulo), o termo saudade, não foi por lamento de não mais estar lá.
De nada me serviria lamentar o que após tantos anos não reencontraria.
Eu evocava antes aquele aperto no coração que sentimos quando, ao
relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de
que não há nada no mundo de permanente nem de estável em que possamos
nos apoiar”.

Claude Lévi-Strauss, Saudades de São Paulo.

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Moscheta hoje

13 05 2011

Detalhe de "Insectae universalis", um dos trabalhos de Moscheta

De SP

O livro sobre a obra do artista, com selo da  Bei, será lançado hoje, no Lounge Oi Iguatemi dentro da SP Arte, das 19h às 22h. Textos do historiador da arte Emerson Dionisio e do crítico e curador Ricardo Resende.

Concordo com o trecho em que Dionisio comenta a (im)possibilidade de se traçar uma trajetória “evolutiva” e cronológica com os trabalhos do artista:

“A ideia de trajeto, diga-se, é inadequada para descrever o encadeamento de obras reunidas neste livro e que pretendem apresentar parte da produção deste artista. De tão coerente e cioso com seu trabalho, Moscheta nos oferece uma poética intercambiável, que não se presta a uma leitura evolucionista”, escreve o historiador.

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Moscheta deu interessante entrevista ao blog no ano passado, quando foi um dos finalistas do prêmio PIPA. Lembre aqui.

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Quem imprimir o convite abaixo para ir ao lançamento tem 50% de desconto na entrada da SP Arte.





Pausa para nota cabotina

12 04 2011

Já podemos divulgar o elenco de Mapas invisíveis em São Paulo. A versão paulistana da exposição, com  inauguração prevista para o dia 30 de agosto, na CAIXA Cultural da Paulista, vai exigir muito fôlego desta curadora que vos fala:

 

 

 

Cinthia Marcelle & Marilá Dardot

Laerte Ramos

Lenora de Barros

Lucia Koch

Marcelo Moscheta

Marcius Galan

Paulo Nenflídio

Tatiana Blass

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Não é brinquedo, não.

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Em breve o blog da mostra será atualizado com o processo dos trabalhos em São Paulo. Há artistas com os mapas escolhidos. É o caso de Galan, que vai se debruçar sobre a Avenida Paulista. E das mineiras Cinthia e Marilá, que, em dupla, vão mergulhar na Sé.





PIPA – Marcelo Moscheta

19 10 2010

Marcelo Moscheta em seu ateliê, em Campinas

Marcelo Moscheta é o segundo finalista do PIPA a ser entrevistado pelo blog. A primeira entrevista da série foi com Marcius Galan (veja aqui).  As perguntas dos convidados podem interromper as minhas, que depois retomam seu curso. As dos convidados são identificadas com seus respectivos nomes; as minhas, com o sinal de *.

Leia aqui como foi definida a ordem dos entrevistados.

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Detalhe de "33 montanhas": acúmulo da obra "conversa" com idade do artista

‘A paisagem é um contraponto para o ser humano medir a si mesmo’

Marcelo Moscheta é um expedicionário. Colecionador das coisas do mundo, cataloga montanhas, nuvens, pedras, paisagens via satélite, vazios reais e simbólicos dos mapas. Nascido em São José do Rio Preto, em 1976, ele vive e trabalha em Campinas e tem no desenho a linha fundamental de seu trabalho, mas, nesta entrevista bem humoradíssima, conta que quer “ser escultor quando crescer”. As obras que apresenta no MAM, para a final do PIPA, 33 montanhas e Void, têm no grafite sua matéria-prima básica. Mas realmente já sonham com o espaço, apontam para a terceira dimensão. Enquanto troca as fraldas do segundo filho e passa noites sem dormir, Moscheta saboreia o amadurecimento de uma carreira que não precisou ser gerada nos grandes centros para aparecer. Perseguindo salões e editais de todo o país, ele mostrou que a arte brasileira já sente o poder das cidades periféricas – no melhor dos sentidos. Minucioso, metódico, afirma que o grande prazer da arte é poder reordenar o mundo seguindo os sistemas da própria criatividade. Projetando o futuro para daqui a 5 anos, talvez continue morando em  Campinas, mas quer ter a oportunidade de conhecer ao vivo, em viagens pelo planeta, alguns dos fiordes, cânions e geleiras que retratou pelo que imaginava, sem nunca ter visto.

"Circulo Polar Ártico", de 2007

*Olho para seus trabalhos e sempre me lembro de Tintin, o jornalista viajante que explorou o mundo inteiro nas histórias em quadrinhos. Este lado catalográfico, quase expedicionário, é uma das coisas que te move?

MARCELO MOSCHETA: Certamente, tenho imenso prazer em organizar coisas! A ideia de poder reorganizar, reclassificar, reordenar o mundo segundo meus próprios critérios é fascinante e acho que tem tudo a ver com a origem da obra de arte. O artista é alguém que se propõe a “renomear” as coisas e as relações que há no mundo segundo outros critérios que não os da natureza e da cultura já pré-estabelecida.

E também, é claro, gosto muito da “estética organizacional” usada nos meus trabalhos, um certo cientificismo barato, muito mais gráfico do que investigativo. Tudo isso porque a ideia de completude dentro da obra assume parâmetros mais abrangentes quando adicionado o dado científico/racional, por exemplo, quando insiro uma localização de GPS (latitude/longitude) sobre um desenho, torno-o mais verídico, pois existe um dado objetivo que acrescenta uma certa autoridade sobre a construção da obra pelo artista, que é um procedimento geralmente mais subjetivo.

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Pipas

14 10 2010

Vamos publicar a partir de amanhã entrevistas com os finalistas do Prêmio PIPA, que têm suas obras expostas no piso térreo do MAM.  Ao promover estas conversas, o blog pretende aproveitar-se descaradamente do prêmio, com todo o respeito, para mostrar um pouco do processo de criação e do pensamento de quatro excelentes artistas: Cinthia Marcelle, Marcelo Moscheta, Marcius Galan e Renata Lucas.

A publicação vai obedecer a ordem de resposta dos entrevistados. Todos receberam as perguntas no mesmo dia. Marcius Galan será o primeiro, já que também foi o primeiro a responder. Não necessariamente vai haver uma sequência perfeita entre os posts, que podem ser entrecortados por outros assuntos.

Para realizar estas simpáticas sabatinas, contei com a ajuda de dois convidados especialíssimos, que mandaram cada um sua pergunta para os quatro finalistas: o curador, crítico de arte e professor Marcelo Campos, do Rio de Janeiro; e o jornalista e curador Mario Gioia, de São Paulo. Luxo.

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