Só para os raros, só para loucos!

16 06 2011

Trabalho de Adrianna Eu

Ah, os livros. Tão labirínticos quanto as cidades, eles nos levam até lugares que jamais imaginaríamos. Jorge Luis Borges, por exemplo, me conduziu até Hermann Hesse.  De Buenos Aires para a Suíça num pulinho. Ficções, a deslumbrante coletânea de contos do escritor argentino, foi a pedra fundamental de uma exposição homônima que desenvolvi para o projeto Novos Curadores, aqui em São Paulo, e até hoje não montei no “mundo real”.  Jaqueline Martins conheceu o desenho da mostra e intuiu a verdade sobre minha relação com a literatura.  Os livros são o meu chão e o meu berço, o refúgio para onde vou quando nada mais está fazendo muito sentido – e uma coisa dessas é mesmo difícil alguém conseguir disfarçar. Nunca tínhamos nos visto, sequer falado ao telefone, mas ela me convidou para uma conversa na galeria. Como ocorre na maioria absoluta das vezes, eu disse “sim, é claro”, e peguei um táxi em direção a Pinheiros.

"Como consertar um coração partido", de Louise D.D.: remédio cardíaco vira joia

Chegar ao número 74 da Dr. Virgílio foi como ouvir bandoneón no Café Tortone . Hum, fez sentido, pensei. Ou senti? Não importa. O livro que Jaqueline tinha sobre a mesa deu o reforço: O lobo da estepe (1927), de Hermann Hesse, que eu havia lido na adolescência, quando me achava bem mais inteligente do que me acho hoje. Em menos de 15 minutos, tínhamos o título: Só para os raros, só para loucos!, frase mais que importante no livro de Hesse, batizou a mostra que será inaugurada no dia 21, próxima terça-feira, a partir das 19h.

O texto do folder-convite segue abaixo.

Os artistas da mostra – Adrianna Eu, Alzira Fragoso, Azeite de Leos e Dudu Santos, do elenco da galeria; e Danielle Carcav, João Penoni, Julia Debasse, Louise D.D., Nara Amélia, Ni da Costa, Nino Cais, Patrizia D’Angello, Pedro Varela, Raul Leal e Ronaldo Aguiar, convidados da curadoria – esperam vocês lá. Eu e Jaqueline também.

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Nino Cais por Fernanda Lopes

27 05 2011

A sessão Autor Visitante, sazonal, volta a aparecer por aqui com um texto da curadora e jornalista Fernanda Lopes, que muda de mala e cuias para este espaço virtual para falar sobre a obra de Nino Cais. O artista abre sua exposição Pitoresca viagem pitoresca, amanhã, a partir das 12h, na galeria Oscar Cruz, em São Paulo.  Na mostra, Cais se aproxima da obra de Debret. A galeria também apresenta, no segundo andar, a primeira individual de Daniela Antonelli, no processo.

Vamos ao texto da Fernanda, então?

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Pitoresca Viagem Pitoresca

Há 10 anos, Nino Cais vem construindo um mundo para si. Panelas, xícaras e bules de ágata, escovas, colheres de pau, espátulas e ferramentas para pequenos reparos domésticos são alguns dos objetos que estão à nossa volta, ou melhor, à volta do artista, e que em seus desenhos, fotografias, vídeos e colagens vão dando vida a esse universo paralelo. Nele, habitam espécies de “seres”, metade pessoas, metade coisas, com seus rostos cobertos por objetos de uso cotidiano. Estes são como indícios de mundo, de um outro mundo, construído a partir da coleção e agrupamento de objetos que reconhecemos não só a forma como também a função e de uma espécie de tentativa de estabelecer uma relação menos automática com eles.

Os trabalhos de Nino Cais sempre nos levam a perguntar, questionar, olhar de novo, travar um novo contato com a realidade. Como é possível sentar nessas cadeiras? As pás acopladas aos pés de trás de uma delas e aos pés da frente da outra, provocam inclinações que tornam impossível seu uso convencional. Ao mesmo tempo, tanto as cadeiras quanto as pás só se sustentam na posição de frágil estabilidade na qual estão, porque estão juntas. Uma não resistiria sem a outra. Em qual tempo, em qual espaço geográfico é possível que esses seres existam? Forma humana e objetos se misturam, embaralhando a identidade reconhecida de cada um, criando uma nova, indefinida, como se ainda estivesse em processo de (trans)formação.

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Nino amanhã

11 05 2011

Sem título, 2009

Folheei ontem pela primeira vez o livro Nino Cais – Poemas e canções, uma edição do Ateliê 397 que será lançada amanhã, das 15h às 17h, no estande da Livraria da Travessa na SP Arte. Vasculha-se o livro como quem entra na casa do artista, com seu mundo de plantas, toalhinhas de crochê e objetos comuns, ressignificados a partir do momento em que Nino resolve tomar conta deles em seus trabalhos. Além de imagens de várias épocas, o livro traz ainda uma entrevista com o artista e uma fortuna crítica, com textos de Agnaldo Farias e Juliana Monachesi.

O projeto editorial  e gráfico do artista Marcelo Amorim, um primor, espelha esta obra tão singular. O livro é pequeno, com capa flexível, papel fosco e com lombada que revela a costura aparente, feita à mão. Uma publicação que é também uma obra de arte, e à altura da trajetória singela e belíssima deste grande artista.

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O convite para o lançamento segue abaixo. Quem imprimir o dito cujo ganha 50% de desconto na entrada da SP Arte.





Hoje – Primeira vista

31 01 2011

"Gênesis", pintura sobre papel de Patrizia D´Angello, uma das obras na mostra

A Amarelonegro Arte Contemporânea inaugura  hoje, terça-feira, a partir das 19h, a exposição Primeira vista, com trabalhos de seus novos artistas: Andréa Facchini, César Fujimoto, João Penoni, Nino Cais, Patrizia D´Angello e Rafael Adorján.

Curiosa para conhecer o que a nova safra apresenta na exposição, falo, no entanto, do único trabalho que já vi ao vivo. A reprodução fotográfica aí em cima, embora tenha qualidade, não faz jus ao que é o trabalho de Patrizia D`Angello. Sua Gênesis é uma pintura sobre o papel de dificílima execução. No sobrevoo de uma cozinha durante a preparação de uma massa  para o almoço de sua família italiana, a artista enfrenta – e vence – o desafio de dar vida a várias superfícies espelhadas: a panela, a água que borbulha, os azulejos, a chapa do fogão.  Comida é ritual, comunhão, afeto – e é com esta gênese que Patrizia cria seu mundo.





Um projeto do Nino

30 09 2010

Uma das coisas gostosas desta atividade às vezes nebulosa chamada curadoria é poder assistir bem de pertinho ao processo criativo dos artistas. Ontem recebi por e.mail este croquis de Nino Cais, para uma instalação que ele vai fazer na exposição Ficções, caso nossa proposta saia vencedera dentro do Projeto Novos Curadores. Fui selecionada para a primeira edição, uma parceria entre Expomus e Paço das Artes, que você acompanha aqui, em tempo real. Estamos entrando na reta final.

Além de criar este ambiente, onde o público vai poder ler e processar suas próprias ficções, Nino vai fazer ainda uma performance e apresentar colagens inéditas. Depois que recebi este presente, saí para uma reunião com Angelo Venosa e Daniel Senise.  Vi os dois resolverem os impasses de seus trabalhos para outra mostra, Mapas invisíveis, que vai ser inaugurada em novembro e você também pode acompanhar aqui. Perceber as relações que eles faziam entre seus “mapas” e as histórias da Floresta da Tijuca e do Cemitério São João Batista deu um prazer imenso.

Como esta carga de trabalho vai me deixar sem poder fazer textos mais densos nos próximos dias,  permito-me este momento cabotino para compartilhar  o privilégio de vivermos em um país que tem tantos e tão bons artistas visuais.





É quinta

8 12 2009

Walton Hoffmann dá prosseguimento à sua parceria com a Movimento, assinando a curadoria da segunda exposição desta nova fase da galeria, desta vez ao lado de Pedro Varela.  Em comum, os 16 artistas de “Estranho cotidiano” têm o que o nome da exposição sugere: trabalhos que desvelam o que não é assim tão trivial ou tranquilizador no dia-a-dia.  Felipe Scovino é o autor do texto que apresenta a mostra.








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