Nuno e Iberê

27 08 2012

“As idiotas”, de Iberê Camargo, 1991

“No andar do tempo confirma o que já pareceria óbvio a quem percorresse distraidamente as obras de Iberê Camargo: alguma coisa próxima à literatura sempre esteve lá.”

Nuno Ramos escreve belo artigo sobre o pintor no blog da editora Cosac Naify, a partir do lançamento do livro No andar do tempo. Leia aqui.





Nuno Ramos hoje, amanhã, 19

13 05 2011
“Choro negro”, um dos trabalhos do artista

Nuno Ramos autografa hoje um novo livro sobre sua obra em artes visuais (Cobogó), das 19h às 22h, na Livraria da Travessa na SP Arte. Amanhã, às 14h, no auditório do MAM-SP, ele e o crítico Alberto Tassinari – autor do texto da publicação – têm uma conversa a respeito da edição.

No dia 19 acontece o lançamento carioca do livro, na Travessa do Shopping Leblon.

A publicação dá conta de boa parte da obra de Nuno, incluindo trabalhos pictóricos dos anos 80 e 90. Deixo vocês com um dos momentos em que mergulhei mais fundo no processo de criação deste grande artista, a exposição Morte das casas. O filme abaixo, roubado no Youtube, faz um percurso pelos trabalhos apresentados em 2004, no CCBB de São Paulo. Vale ver até o fim e completar a visita na memória.

 





Curso: pintura no POP

25 04 2011

"Os pensamentos do coração", de Leonilson

Vou dar o curso A pintura brasileira depois do conceitualismo a partir desta quinta-feira, dia 28, no Pólo de Pensamento Contemporâneo (POP), no Jardim Botânico. Adaptação de minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da EBA-UFRJ, as aulas vão investigar as estratégias de sobrevivência da pintura como linguagem depois da chamada “desmaterialização da arte”.

Depois de uma introdução a movimentos e trajetórias fora do Brasil, como o Neoexpressionismo alemão, a Transvanguarda italiana e a obra de Jean-Michel Basquiat, analisaremos trabalhos de artistas nacionais, como Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Leonilson, Zerbini, Nuno Ramos, Karim Lambrecht, Leda Catunda, Suzana Queiroga e Sergio Romagnolo, chegando até a nova geração de pintores que, no Rio, vem sendo formada majoritariamente pelo Parque Lage e pela EBA.

A ementa completa do curso está aqui, bem como maiores informações para matrículas. Ainda há vagas.

Eu e o POP esperamos vocês, com muita alegria por poder conversar sobre este assunto.





Estante cheia

21 02 2011

 

"Família em férias", de Cristina Canale, está no folder que artista doou para nosso acervo digital

O catálogo do Abre Alas 7, d’A Gentil Carioca, foi lançado no último sábado, e hoje, dois dias depois, já está na nossa Biblioteca Virtual. Gentileza da designer Lili Kemper, que deu tratamento VIP para os 19 artistas da mostra nesta publicação.

Nossas prateleiras também contam com o folder da mostra de Cristina Canale no MAM, com texto de Luiz Camillo Osorio; com os catálogos de Velofluxo, de Suzana Queiroga; e da exposição que Daniel Senise fez em Londres, no ano passado; e com várias peças da Galeria Ibeu, entre elas o catálogo da recente individual da jovem Flávia Junqueira.

Há também o folder de Bastidor, de Ana Holck, na Sala A Contemporânea do CCBB, e duas publicações do artista Fábio Carvalho e catálogos das exposições desta que vos fala como curadora.

Por fim, uma cerejinha: folder-entrevista de  Nuno Ramos sobre Fala, exposição no CCBB de Brasília que foi o primeiro lugar onde ele apresentou Bandeira branca – a instalação com urubus vivos que deixou São Paulo em cólicas durante a Bienal, mas que na capital federal não causou nenhum problema. Brasília ficou no lucro.

Obrigada a todos os nossos doadores.

Quanto a você… corre lá. Leia, veja. E engorde nossa estante com sua publicação.





Nuno Ramos na Folha de SP

17 10 2010

Artigo de Nuno Ramos publicado hoje no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, sobre sua instalação Bandeira Branca, na Bienal de São Paulo. Ilustração de Rafael Campos Rocha.

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Bandeira branca, amor

Em defesa da soberba e do arbítrio da arte

NUNO RAMOS



PROCUREI INTENCIONALMENTE matar três urubus de fome e de sede no prédio da Bienal de São Paulo. Pus ali imensas latas cheias de tinta escura, para que se afogassem, além de espelhos, para que batessem a cabeça durante o voo. Construí túneis de areia preta, para que entrassem sem conseguir sair, morrendo ali dentro. E, para forçá-los a voar, costumo lançar rojões em sua direção.

Leia o resto deste artigo »





Já sem urubus

9 10 2010

"Urubus", xilogravura de Goeldi, circa de 1925

Na madrugada de ontem, os três urubus que faziam parte da instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, na Bienal de São Paulo, foram retirados da obra e levados de volta para o Parque dos Falcões, em Sergipe. A instalação permanece na mostra, mas sem os animais,  e, portanto, sem sua alma. A operação aconteceu por decisão da justiça, que atendeu a uma notificação do Ibama. A entidade, que tinha autorizado previamente a presença das aves, voltou atrás depois que a obra virou foco de polêmica e foi pichada no primeiro fim de semana em que a exposição foi aberta ao público (relembre aqui, aquiaqui).

A Bienal chegou a entrar com uma ação na Justiça Federal solicitando a suspensão da notificação, mas seu pedido foi indeferido. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o veterinário do Parque dos Falcões, William dos Anjos, disse que os urubus estavam passando muito bem e que vê apenas motivos políticos na exigência de retirada das aves.

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Nuno Ramos está na Turquia e diz que só vai comentar o caso quando voltar.

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A obra de Nuno era o par perfeito para as gravuras de Goeldi também presentes na exposição, e que Bandeira Branca homenageia. A instalação acabou cumprindo de maneira trágica a tentativa de destacar uma herança soturna e anti-oba oba tropical no Brasil, um lado que insistimos em não ver, não sentir, não discutir.

Há um luto a cumprir –  e este episódio apenas o destaca, por vias muito tortas.

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E mais não falo, porque sinto vergonha desta mentalidade atrasada e tristeza por esta violência surda e cega, mas infelizmente nada muda.





Os outros urubus venceram

2 10 2010

O Ibama revogou ontem a licença que ele mesmo tinha dado para a obra Bandeira Branca, de Nuno Ramos. A Bienal foi notificada e tem 5 dias para retirar as aves da instalação e devolvê-las ao Parque dos Falcões, em Sergipe.

O órgão, que antes tinha averiguado a obra e permitido que ela fosse montada, com acesso livre à sua elaboração durante todo o processo, agora revoga a licença alegando que o vão central do prédio não tem ventilação e luz necessárias.

O cativeiro não é problema e não poderia ser, já que foi permitido antes, mas as condições, outrora avaliadas como perfeitas, agora não são mais.

O Ibama assumiu que os fiscais foram até o prédio não por avaliação própria e sim por “denúncias anônimas” recebidas pelo telefone, segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada ontem em sua página on line.

Este “escravos de Jó” da licença é bizarro e prova que os maus urubus venceram, se não a guerra, ao menos esta batalha.

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Em todo caso, eu canto: “Oh, meu amor, bandeira branca, eu peço paz”.





Picharam o Nuno

26 09 2010

Ontem a Bienal de São Paulo fechou mais cedo, às 19h, porque um homem – apoiado por um grupo com mais sete pessoas – cortou a rede de proteção de Bandeira Branca, obra de Nuno Ramos, e pichou “Liberte os urubu” (sic) em uma das bases escultóricas onde ficam os três urubus presentes no trabalho.

Falamos dos que tentam tirar partido da carniça alheia ontem, em artigo sobre Nuno e a obra (aqui). Fica a pergunta: quem são os terroristas, quem são os violentos? Há uma inversão completa de valores e um incompreensão do que é arte. Estamos mais atrasados do que eu pensava…

Para ler a notícia completa publicada no portal G1, clique aqui.

PS. Uma outra perguntinha – na verdade, duas:  Quando a classe artística vai se solidarizar com Nuno e Gil Vicente? Tá demorando um pouquinho, não?








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