
"Urubus", xilogravura de Goeldi, circa de 1925
Na madrugada de ontem, os três urubus que faziam parte da instalação Bandeira Branca, de Nuno Ramos, na Bienal de São Paulo, foram retirados da obra e levados de volta para o Parque dos Falcões, em Sergipe. A instalação permanece na mostra, mas sem os animais, e, portanto, sem sua alma. A operação aconteceu por decisão da justiça, que atendeu a uma notificação do Ibama. A entidade, que tinha autorizado previamente a presença das aves, voltou atrás depois que a obra virou foco de polêmica e foi pichada no primeiro fim de semana em que a exposição foi aberta ao público (relembre aqui, aqui e aqui).
A Bienal chegou a entrar com uma ação na Justiça Federal solicitando a suspensão da notificação, mas seu pedido foi indeferido. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o veterinário do Parque dos Falcões, William dos Anjos, disse que os urubus estavam passando muito bem e que vê apenas motivos políticos na exigência de retirada das aves.
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Nuno Ramos está na Turquia e diz que só vai comentar o caso quando voltar.
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A obra de Nuno era o par perfeito para as gravuras de Goeldi também presentes na exposição, e que Bandeira Branca homenageia. A instalação acabou cumprindo de maneira trágica a tentativa de destacar uma herança soturna e anti-oba oba tropical no Brasil, um lado que insistimos em não ver, não sentir, não discutir.
Há um luto a cumprir – e este episódio apenas o destaca, por vias muito tortas.
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E mais não falo, porque sinto vergonha desta mentalidade atrasada e tristeza por esta violência surda e cega, mas infelizmente nada muda.
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