ArtRio: a vida até parece uma festa

8 09 2011

OPAVIVARÁ! e o "Self service Pajé": congraçamento com o público é a marca da feira

Voltei ontem do Pier Mauá, da inauguração da primeira ArtRio, com a sensação de um filme repetido. Um filme bom, que traz  a certeza de que a grande vocação dos cariocas é fazer excelentes festas – usando-as para adoçar e amolecer a aridez dos eventos comerciais.

Minha memória viajou até 1999, quando o Sindicato Nacional das Editoras de Livros (Snel) renovou a Bienal do Livro do Rio de Janeiro transformando o Riocentro em uma grande celebração da literatura. Havia estandes de editoras e venda maciça de livros dos mais variados tipos, exatamente como na Bienal de São Paulo – que no mesmo período ameaçava a edição carioca com a ambição de se tornar um evento anual, competindo com o Rio no ano que deveria alternar com ele.  Mas o Snel deu o pulo do gato com a criação do Café Literário, grande salão projetado como um aquário de vidro em ponto estratégico do pavilhão. Autores vão até lá para debater, fazer leituras e podem ser entrevistados por grandes interlocutores. Até hoje, o público tem acesso a estes eventos através de distribuição de senhas gratuitas e pode ver e ouvir seus escritores favoritos enquanto degusta um capuccino ou um mate. Quem não consegue senha pode ver ao menos o que está acontecendo através do aquário, e também com o auxílio de caixas de som e telões. Leia o resto deste artigo »





Os 10 primeiros portfolios

21 02 2011

 

"Isolante (cadeiras)", uma das obras de Marcius Galan

Existe aquele ditado que insiste em dizer que os últimos serão os primeiros, mas aqui no blog os primeiros é que são os primeiros mesmo. Inauguramos oficialmente o nosso Banco de Portfolios com os artistas que estiveram na “vanguarda” do envio, só para brincar com um termo da arte que hoje em dia só deve ser usado como piada ou História.

Destaco aqui os 10 portfolios que estrearam o e.mail do Banco (banco.portfolios@gmail.com), em ordem alfabética: Alice Shintani, Ana Holck, Daniel Lannes, Fabio Tremonte, Jaqueline Vojta, Luiza Baldan, Marcius Galan, OPAVIVARÁ!, Rafael Perpétuo e Raul Leal.  Veja cada um deles na barra de navegação aí em cima, que sofrerá atualizações mesmo quando não falarmos de nenhum portfolio específico na home. Fiquem de olho.

A imagem do post também foi escolhida segundo um critério: está no portfolio do primeiríssimo a nos mandar seu arquivo – Marcius Galan. Um dos 30 pré-selecionados pelo Prêmio Marcantonio Vilaça deste ano, Galan foi um dos artistas da 29a Bienal de São Paulo e um dos finalistas da 1a edição do Prêmio PIPA, realizadas em 2010.

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Mudança de pele*

20 02 2011

"lambe lambe troca troca" na galeria do Espaço Cultural Sergio Porto

Em Eros e Psique, Fernando Pessoa “conta a lenda que dormia/ Uma Princesa encantada/ A quem só despertaria/ Um Infante, que viria/Do além do muro da estrada”. Narra o sono profundo desta bela adormecida, sonhando com alguém que nem sabe quem é. E mostra como o bravo cavaleiro enfrenta o duro caminho a torre, onde  “encontra a hera,/ E vê que ele mesmo era/ A Princesa que dormia”. Eu sou o outro e o outro sou eu, parece dizer o poeta português, que se travestiu de tantos heterônimos, tantas identidades. O mesmo nos afirma a obra do jovem artista carioca Daniel Toledo.

Em lambe lambe troca troca (2010), exposição realizada recentemente no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, o artista fazia uma síntese de vários trabalhos anteriores ao transformar a galeria em uma sucessão de muros, onde se via o próprio Toledo, alguns de seus companheiros no coletivo OPAVIVARÁ! e outros nomes da cena contemporânea do Rio intercambiando peças de roupa, como se estivessem numa ciranda infinita, ou numa brincadeira de “Escravos de Jó”.

"Interditados em Paris": "roupas" para as esculturas clássicas nuas

A roupa – pele cultural inventada para se sobrepor à pele real, revestimento do corpo – há muito percorre a trajetória de Toledo.  Em 2008, com o trabalho Interditados em Paris, o artista revestiu estátuas clássicas do École de Beaux Arts, na capital francesa, com plástico vermelho e branco, criando para as obras – todas mostravam corpos nus – uma vestimenta inusitada, imaginária. Este ruído, presença contemporânea em obra de outro tempo, seria revisitado no Rio, onde ele fez a performance Cabeção interditado (2009), em que cobria com faixas usadas para isolar áreas em construção o busto gigantesco do ex-ditador brasileiro Getúlio Vargas, instalado no memorial dedicado a ele no bairro da Glória.  A roupa voltaria com força ainda em veste nu (2010), macacões em que o artista imprimia a fotografia do próprio corpo e o da artista Ana Hupe completamente despidos. A conclusão do trabalho se dava no momento em que os dois se vestiam da imagem de seus corpos revelados, cobrindo-os com uma nudez ressignificada.

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Levem a marmita

20 11 2010


O Opavivará convida para Mercadão de Madureira – Parabéns para você, trabalho do grupo em Mapas invisíveis. Quem é da Zona Norte sabe o valor de um bolo dormido, comido no dia seguinte. É por isso que vocês devem levar a sério o aviso acima. Cheguem à Caixa Cultural nesta segunda, às 19h, para nossa inauguração, munidos de Tuppewares e quentinhas.

Uma galeria de fotos estará nos bolos. Vamos comer Madureira, vitamina para a alma!

Esperamos vocês para a janta.

 





Mais Muybridge

25 08 2010

"Muybridgeing Muybridge", estudo para remix, 2010

Postei ontem a apropriação que a americana Cassandra C. Jones fez da obra de Eadweard Muybridge (aqui). Eis outra, assinada pelo artista Pedro Victor Brandão, um dos integrantes do coletivo carioca Opavivará.





Mapas invisíveis

11 08 2010

A Avenida Rio Branco nos anos 1920

Faço a curadoria da exposição “Mapas invisíveis”, que será inaugurada no dia 8 de novembro, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. O blog da mostra vai acompanhar a produção dos trabalhos inéditos de 12 artistas:  Alexandre Vogler, Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Daisy Xavier, Luiz Alphonsus, Luiza Baldan, Opavivará, Paulo Vivacqua, Rosângela Rennó, Suzana Queiroga e Thiago Rocha Pitta.

Para ler o texto de apresentação, clique aqui.





Balanço 2009 – Melhores exposições

6 01 2010

INDIVIDUAIS – Artistas em atividade

Angelo Venosa – Turdus

Venosa trabalha em uma das peças da exposição

Venosa trabalha em uma das peças

O escultor italo-paulistano, carioca por adoção, fez a melhor exposição individual do ano na Casa de Cultura Laura Alvim. “Turdus” é um destes raros momentos de encruzilhada em que a obra de um artista – neste caso, um grande artista – vem à tona em sua plenitude. Para lembrar das obras, criadas a partir de um crânio de sabiá guardado por Venosa durante anos,  clique aqui e leia a crítica feita na época da inauguração.

Nelson Félix

O artista ocupou as Cavalariças do Parque Lage no apagar das luzes de 2009, mostrando que é um dos bambas do site specific no Brasil. As vigas de ferro que perpassam o prédio histórico tiram o fôlego e reafirmam as Cavalariças como o palco da experimentação no Rio de Janeiro.

Nuno Ramos – Soap opera

A exposição que levou uma fábrica de sabão para a dentro da galeria Anita Schwarcz, em março, ampliou a relação de Nuno com a palavra e deixou em carne viva duas questões-chave de seu processo criativo: a morte e a ambiguidade. O sabão, originalmente um sebo nojento, ganha perfume para limpar.  Na galeria, mumificava barcos “naufragados”, de onde saía uma cantilhena ininterrupta.

Luiz Zerbini – Ruído

“Ruído” é uma exposição para ser vista muitas vezes e em silêncio. Aprofunda e torna mais sutis as relações de Zerbini com o retrato, sua especialidade desde os anos 1980, e também com a história da arte. Aproximações com as obras de Monet e Velásquez são bastante possíveis. A mostra  fica em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim até fevereiro.

Regina Silveira – Linha de sombra

A artista gaúcha ganhou, nos 20 anos do Centro Cultural Banco do Brasil, um panorama que faz justiça à  singularidade de sua trajetória. Os fantasmas que assombram e alimentam a pintura são o motor da mostra, que analisei numa crítica para a revista Bravo! Para ler, clique aqui.

Annabella Geiger – vídeos

Inquieta e multifacetada, a artista inaugurou em dezembro uma retrospectiva de seus trabalhos em vídeo no Oi Futuro. Além de fazer a documentação dos bons trabalhos de Annabella em vídeo, a mostra celebra a relação dela com o crítico Fernando Cocchiarale, curador da montagme no Oi, seu parceiro em um dos cursos mais duradouros do Parque Lage e seu interlocutor de toda uma vida.

PANORAMA

Jorge Guinle

A exposição que esteve em cartaz no MAM, com curadoria de Ronaldo Brito e Vanda Klabin, lançou novas luzes sobre a obra do pintor. Ver as pinturas durante o dia era uma aula sobre o uso da cor.

COLETIVA

Trilhas do Desejo – Rumos Visuais

A seleção feita por Paulo Sergio Duarte, inaugurada em dezembro no Paço Imperial, chama a atenção pela qualidade dos artistas – há bons trabalhos de Felipe Cohen, Rafael Alonso, Jaqueline Vojta e Tiago Romagnani, entre muitos outros – mas também pela montagem extremamente bem feita e pelos textos fluidos, diretos, sem a criptografia que por vezes mantém a crítica (e, consequentemente, a arte) afastada do público.

INTERNACIONAIS

Vanguarda Russa

"Promenade", de Marc Chagall

“Promenade”  foi o melhor quadro de  Chagall visto no Brasil em 2009 e um dos destaques desta  exposição excepcional. Sem os pecados das mostras de Matisse e Chagall, que analisaremos em um próximo post, este mergulho em um dos mais importantes movimentos artísticos da história da arte trouxe peças importantes de Kandinsky e Malévitch para o Rio e São Paulo, demonstrando por que o construtivismo está na raiz da arte contemporânea de todo o mundo ocidental.

Sophie Calle

A artista francesa é boa de marketing, mas também excelente na obra. “Cuide de você”, que ganha visita-guiada com a própria Sophie e o curador do MAM-RJ, Luiz Camillo Osorio, nesta sexta, 8 de janeiro, às 15h30, esteve antes no Sesc Pompeia, em São Paulo. É desconcertante. Leia mais aqui.

INTERVENÇÕES URBANAS

O voo de Suzana Queiroga

Voo no Parque do Flamengo

“Velofluxo” foi um projeto que assinalou o grande amadurecimento na carreira da artista.  Integrante do grupo de alunos do Parque Lage que formou a chamada “Geração 80″, Suzana encontrou no balão a síntese para a pintura expandida que caracteriza seu trabalho, que hoje funde infláveis coloridos de outros tempos com uma pesquisa originalíssima sobre os percursos e mapas – os fluxos, enfim – de cada cidade. O balão rosa-choque fez voos na Lagoa e no Parque do Flamengo.


Opavivará/ Praça Tiradentes

A intervenção do coletivo de jovens artistas foi o ponto alto da ocupação da Praça Tiradentes durante o Viradão Carioca, em junho.  Em “Pula a cerca”, escadas instaladas ao longo da grade que cerca a praça sugeriam que a população “pulasse a cerca” e ocupasse novamente o espaço público da praça, palco histórico de grandes acontecimentos da história do Rio. A coordenação do núcleo de artes visuais do evento ficou a cargo de Ana Durães e Claudia Zarvos, com produção executiva de Mauro Saraiva/Tisara. O grupo também fez ótima exposição-happening  na galeria Toulouse: “Eu amo camelô” foi inaugurada em dezembro.








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