A Pinacoteca do Estado de São Paulo inaugura amanhã, para convidados, e sexta-feira, para o grande público, a exposição Fabiola, de Francis Alÿs, que já esteve em cartaz na National Portrait Gallery, em Londres; além de Espanha, Suíça e Peru.
A mostra é uma instalação com mais de 400 retratos de Santa Fabíola. Pouco conhecida mesmo pelos católicos mais fervorosos, a santa se transformou em uma obsessão para o artista belga, que nos últimos 15 anos garimpou feiras de antiguidades e mercados de pulgas na Europa e nas Américas atrás de reproduções do retrato criado por Jean-Jacques Henner (1829-1905). “Santa Fabíola”, a pintura original, é de 1885, mas está desaparecida desde 1912. Mesmo assim, continua sendo copiada à exaustão por artistas amadores de todo o mundo.
Uma discussão sobre colecionismo, sobre a História e as histórias e sobre o poder das imagens, Fabiola vem sendo montada em museus que tenham acervos ligados às memórias nacionais e estaduais. Alÿs tira partido das ambiguidades entre aparência e essência, já que numa primeira vista os retratos são todos iguais, e aos poucos vão se revelando em suas diferenças: alguns levaram camadas de materiais pouco comuns, como grãos de feijão.
Fabiola é atravessada ainda por questões sociais e de gênero. Canonizada em 547 por conta de seu trabalho de caridade junto aos doentes e pobres, a romana Fabiola teve um primeiro casamento infeliz e por isso teve a ousadia de se divorciar e tentar ser feliz em um segundo matrimônio. Sua biografia faz com que seja reconhecida pelos fiéis como a protetora das mulheres com casamentos infelizes ou que sofrem maus tratos, das vítimas de adultério e das viúvas.
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Francis Alÿs apresentou um dos trabalhos mais inquietantes da 29a Bienal de São Paulo, com curadoria de Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias. Escrevi sobre ele aqui. Fiz também um vídeo tosco que você vê aqui.






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