Raul Mourão, mais um livro

14 05 2011

O artista Raul Mourão autografa seu livro MOV amanhã, domingão de encerramento da SP-Arte. Produzida pela Automática, a publicação recebe canetadas do artista a partir da abertura da feira, ao meio-dia, até as 14h. Com distribuição gratuita e projeto gráfico de João Dória,  o livro traz uma entrevista com Mourão feita pelo Skype e que tem como interlocutores o pesquisador e crítico Frederico Coelho e a curadora Maria do Carmo Pontes.

O livro coroa o amadurecimento da obra do artista depois que ele introduziu movimento em suas esculturas, testando a arte cinética em peças muito pesadas, o que não é muito comum e está longe de ser fácil. Também traz o espírito arrojado de um personagem da cena carioca, com uma história marcada por uma forma nova de fazer política e buscar associações.





Hoje e amanhã

17 12 2010

Está muito difícil escrever às vésperas deste Natal. Está muito dícil também cumprir todos os compromissos. Vejam só os de hoje e amanhã: Ernesto Neto, Raul Mourão, Laura Lima… Agenda de maratonista.

Vamos nos ver?

HOJE

Ernesto Neto inaugura às 19h sua exposição individual na última curadoria de Ligia Canongia para a Casa de Cultura Laura Alvim. As “pinturas” do artista são flagrantes do cotidiano, muitas vezes registrados com câmeras de poucos recursos, como na imagem acima. Quando a gente para, o mundo roda inclui ainda um trabalho que vai ser feito na Praia do Arpoador, há anos uma espécie de segundo ateliê do artista.

No revezamento previsto pela instituição, Fernando Cocchiarale assume o posto em 2011 e promete dar continuidade ao bom trabalho começado por Ligia, que apresentou excelente conjunto de exposições nas galerias reformadas pela Secretaria Estadual de Cultura. Entre as mostras, duas irretocáveis: Luiz Zerbini e Angelo Venosa.

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A Cosmocopa abre mais uma exposição coletiva de seus artistas. Até 2011 inclui trabalhos de Rosana Ricalde, Louise D.D., Felipe Barbosa e Rafael Alonso, entre outros. 19h.

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AMANHÃ

"Seta de rua", de Raul Mourão

Laura Lima inaugura Grande, sua exposição na Casa França Brasil, às 17h.

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Na Progetti, ali ao lado, também a partir das 17h, Jimmie Durhan apresenta Provas circunstanciais do Brasil. A meu ver, o artista americano fez um dos trabalhos mais interessantes desta última Bienal de São Paulo.

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Raul Mourão lança a serigrafia acima, Seta de rua (para Barros, Bulcão, Colares e Volpi), na Galeria Lurixs, em Botafogo, às 20h.

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Pela manhã, às 11h, as crianças do projeto REDES, do Complexo da Maré, visitam a exposição Mapas invisíveis, com curadoria desta que vos fala, para ver de perto o resultado de Mapamaré (à esquerda), trabalho de Suzana Queiroga feito com a ajuda delas.

Eu e artista aproveitaremos para fazer uma visita guiada para quem estiver por lá.





E eles abriram a Caixa (Parte 1)

29 03 2010

"Até onde o mar vinha. Até onde o Rio ia": trabalho de Guga Ferraz mostra com a gigantesca faixa de sal grosso o limite da praia antes do aterro da região do Castelo

“Projetos (in)provados”, exposição em cartaz na Caixa Cultural do Rio de Janeiro,  é muito feliz ao testar as fronteiras entre arte, arquitetura e urbanismo.  A curadora Sonia Salcedo del Castillo propos a 12 artistas que se relacionassem com o prédio da instituição, na esquina das avenidas Rio Branco e Almirante Barroso, no Centro, e com os arredores do Largo da Carioca e do Castelo. Fernanda Junqueira, Guga Ferraz, Jarbas Lopes Luiz Monke, Marcos Chaves, Neno del Castillo, Raul Mourão, Regina de Paula, Ricardo Becker, Ronald Duarte, Suely Farhi e Zalinda Cartaxo aceitaram o desafio.

A relação com o espaço está na origem da arte. As pinturas de Lascaux não estavam em árvores ou na terra, mas nas salas escuras das cavernas,  onde ganharam escala, resguardo e sobrevida. Muito mais tarde, fosse nas capelas  da Renascença ou nos murais modernos, nos apartamentos rococó de Paris ou no jardim de esculturas da nossa Praça Paris… arte, arquitetura e urbanismo sempre andaram próximos, frequentemente com a primeira subordinada aos outros.

Na Alemanha da República de Weimar, a Bauhaus já tinha testado estas fronteiras, propondo ambientes em que três pilares intercambiáveis – arte, design e arquitetura – eram igualmente importantes.  Modernistas brasileiros como Oscar Niemeyer também tentaram a fusão, embora nem sempre com muito êxito: costumeiramente, a obra de arte foi usada como ilustração do projeto arquitetônico, quase um apêndice da arquitetura “pronta”.  Contemporâneos como Frank Gehry, Jean Nouvel ou Rem Khoolhas têm provado que as distâncias podem ser cada vez menores: em vez de usar obras de arte, eles fazem prédios que são um pouco estas obras.

A exposição na Caixa mostra que o diálogo na mão inversa também é possível.  Se a escultura contemporânea pode influenciar o prédio multifacetado e espelhado do Guggenheim de Bilbao, de Gehry,  também é legítimo que a cidade e suas construções deixem de ser apenas imagens para passar a constituir as obras de arte.

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Um lugar para a escultura contemporânea

10 12 2009

Obra de Raul Mourão, com a de Elisa Bracher ao fundo

No sábado agora, dia 12, às 11h, acontece a mesa-redonda de lançamento do catálogo da exposição “Experimentando espaços”, no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Com curadoria de Agnaldo Farias, a exposição reúne nos jardins do museu esculturas monumentais de Afonso Tostes, Amalia Giacomini, Amélia Toledo, Arthur Lescher, Carlito Carvalhosa, Daniel Acosta, Eduardo Coimbra, Elisa Bracher, José Spaniol e Raul Mourão.

Trabalho de Eduardo Coimbra

Em meio à polêmica carioca depois de que o prefeito Eduardo Paes anunciou mais uma estátua figurativa na cidade –  em homenagem ao maestro Tom Jobim, nas proximidades do novo metrô de Ipanema – a exposição em São Paulo chama a atenção para a boa qualidade de nossa escultura contemporânea.

As obras dos artistas selecionados por Farias poderiam estar em praças e parques de qualquer cidade brasileira, misturando-se a obras de outros períodos e tornando-se acessíveis à população. Acesso franco, sem menosprezar a inteligência alheia – inteligência, é sempre bom frisar, independe de cor, credo ou classe social –  é a maior arma contra a ignorância e o desconhecimento que ainda mantém a arte contemporânea restrita a um pequeno grupo.

Além de adquirir obras novas, o Rio precisa enfrentar outro problema: a má conservação das peças monumentais já instaladas em vários pontos e (bem) incorporadas à paisagem carioca. Assinadas por artistas como Ivens Machado (na Carioca), Angelo Venosa (Praia do Leme), Waltercio Caldas (Av. Presidente Wilson), Franz Weissmann (Avenida Chile e Rua Luis de Camões) e José Resende (esquina da Rua do Rosário, altura da galeria Paulo Fernandes), elas demandam reparos e, em alguns casos, cuidados emergenciais.

"Jardim de ossos" por Afonso Tostes

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Ah, nunca é demais lembrar. O painel de azulejos de Aluísio Carvão no Leblon continua com peças faltando. O post que fez coro à campanha por sua salvação inaugurou este blog no dia 29 de agosto deste ano (leia aqui). Na época, a Fundação Parques e Jardins fez mil promessas.

Até agora… nada.





Pitadinhas da semana – Artes visuais

2 09 2009

Já foi: O lançamento de “Cultura digital.br” (Azougue, 310 pág, R$43), no último sábado, no endereço da Lapa que serve de ateliê para  Raul Mourão e Afonso Tostes, entre outros artistas, confirmou Mourão como um dos mais bem sucedidos agitadores da cidade. A palestra integrou o programa de discussões de “Assembléia geral”, projeto do anfitrião com o crítico Fred Coelho, e contou com a participação especial do francês Pierre Levy, que chegou escoltado pela professora Ivana Bentes, da ECO-UFRJ. Depois de saber mais sobre o livro, uma coletânea de entrevistas com gente de atividades diversas – como o músico Lucas Santtana; o jornalista e blogueiro Marcelo Tas e o ex-ministro Gilberto Gil – o público caiu na festa ao som do DJ Nepal. Queremos mais.

Passa lá:

"Mar azul", de Rosana Ricalde

"Mar azul", de Rosana Ricalde

Rosana Ricalde em cartaz na Arte em Dobro com “O navegante”, que reúne trabalhos feito com mares, palavras e mapas; José Tannuri com  série de pinturas inéditas que têm páginas de jornal como textura de fundo na galeria Hélio Rocha, no Shopping Cassino Atlântico; Tomas Ribas no novo espaço coordenado por João Vergara na Rua do Lavradio, 34, 2 andar.  Ribas, de 33 anos, começou a vida profissional como iluminador e apresenta surpreendentes trabalhos feitos com espelhos, vidros com insulfilme e lâmpadas coloridas dentro de galões antes usados para armazenar tinta e petróleo.

O que vem aí:

Frida Khalo no MAM; lançamento de “Penso subúrbio carioca” (primeiro livro da editora Tix, de Ana Borelli, na Casa de Cultura Laura Alvim). Ambos no dia 15 de setembro.








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