Instalações na SP Arte

15 05 2011

Trabalho de Carla Guagliardi no prédio da Bienal

De SP

Louvável a iniciativa da SP Arte, que este ano dedicou um andar inteiro para trabalhos de instalação/intervenção, mostrando ainda uma série de obras em vídeo.

No caso dos projetos de site specific, o prédio da Bienal nem sempre ajuda, já que a parede de vidro criada por Niemeyer – uma marca da qual o arquiteto não abre mão nem em seus projetos mais recentes, embora ela seja um tanto quanto incompatível com espaços museológicos – engole tudo o que está perto dela quando não há isolamento feito por painéis. Aconteceu isso com a bela Mamute, de Eduardo Climachauskas, por exemplo.

Mas de todo jeito foi bom ver esta composição de mármore e alumínio, bem como as galerias se mobilizando para montar trabalhos de artistas como Zilvinas Kampinas (Lamniscate é sensacional, mas dificílimo de fotografar: uma fita de Moebius “animada” por dois ventiladores de pé), Regina Silveira, Luiz Zerbini, Carla Guagliardi, Marcelo Cidade (adquirido para o MAM-SP), Paulo Vivacqua, Wagner Malta Tavares, Marepe, Ivan Navarro, Renata Padovan, Alice Miceli e Ana Holck, entre outros. Muitos foram adquiridos por colecionadores e patrocinadores para instituições culturais.

Bis!

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Regina Silveira no Parque Lage

13 01 2010

Regina Silveira inaugura amanhã, quinta-feira, dia 14, a exposição “Ex-Orbis” na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A mostra celebra a retomada das Oficinas de Imagem Gráfica do Parque Lage e tem curadoria de Carlos Martins. A artista abre os trabalhos com uma conferência, às 18h, no auditório da EAV.  Na mostra, apresenta projetos para “máquinas de voar” em gravuras ou adesivadas na parede.   Curiosamente, as obras sobre a conquista dos céus descem ao subsolo do Parque Lage, que ganha uma galeria vizinha às oficinas e salas de aula, no antigo porão do prédio, contíguo aos jardins.





Balanço 2009 – Melhores exposições

6 01 2010

INDIVIDUAIS – Artistas em atividade

Angelo Venosa – Turdus

Venosa trabalha em uma das peças da exposição

Venosa trabalha em uma das peças

O escultor italo-paulistano, carioca por adoção, fez a melhor exposição individual do ano na Casa de Cultura Laura Alvim. “Turdus” é um destes raros momentos de encruzilhada em que a obra de um artista – neste caso, um grande artista – vem à tona em sua plenitude. Para lembrar das obras, criadas a partir de um crânio de sabiá guardado por Venosa durante anos,  clique aqui e leia a crítica feita na época da inauguração.

Nelson Félix

O artista ocupou as Cavalariças do Parque Lage no apagar das luzes de 2009, mostrando que é um dos bambas do site specific no Brasil. As vigas de ferro que perpassam o prédio histórico tiram o fôlego e reafirmam as Cavalariças como o palco da experimentação no Rio de Janeiro.

Nuno Ramos – Soap opera

A exposição que levou uma fábrica de sabão para a dentro da galeria Anita Schwarcz, em março, ampliou a relação de Nuno com a palavra e deixou em carne viva duas questões-chave de seu processo criativo: a morte e a ambiguidade. O sabão, originalmente um sebo nojento, ganha perfume para limpar.  Na galeria, mumificava barcos “naufragados”, de onde saía uma cantilhena ininterrupta.

Luiz Zerbini – Ruído

“Ruído” é uma exposição para ser vista muitas vezes e em silêncio. Aprofunda e torna mais sutis as relações de Zerbini com o retrato, sua especialidade desde os anos 1980, e também com a história da arte. Aproximações com as obras de Monet e Velásquez são bastante possíveis. A mostra  fica em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim até fevereiro.

Regina Silveira – Linha de sombra

A artista gaúcha ganhou, nos 20 anos do Centro Cultural Banco do Brasil, um panorama que faz justiça à  singularidade de sua trajetória. Os fantasmas que assombram e alimentam a pintura são o motor da mostra, que analisei numa crítica para a revista Bravo! Para ler, clique aqui.

Annabella Geiger – vídeos

Inquieta e multifacetada, a artista inaugurou em dezembro uma retrospectiva de seus trabalhos em vídeo no Oi Futuro. Além de fazer a documentação dos bons trabalhos de Annabella em vídeo, a mostra celebra a relação dela com o crítico Fernando Cocchiarale, curador da montagme no Oi, seu parceiro em um dos cursos mais duradouros do Parque Lage e seu interlocutor de toda uma vida.

PANORAMA

Jorge Guinle

A exposição que esteve em cartaz no MAM, com curadoria de Ronaldo Brito e Vanda Klabin, lançou novas luzes sobre a obra do pintor. Ver as pinturas durante o dia era uma aula sobre o uso da cor.

COLETIVA

Trilhas do Desejo – Rumos Visuais

A seleção feita por Paulo Sergio Duarte, inaugurada em dezembro no Paço Imperial, chama a atenção pela qualidade dos artistas – há bons trabalhos de Felipe Cohen, Rafael Alonso, Jaqueline Vojta e Tiago Romagnani, entre muitos outros – mas também pela montagem extremamente bem feita e pelos textos fluidos, diretos, sem a criptografia que por vezes mantém a crítica (e, consequentemente, a arte) afastada do público.

INTERNACIONAIS

Vanguarda Russa

"Promenade", de Marc Chagall

“Promenade”  foi o melhor quadro de  Chagall visto no Brasil em 2009 e um dos destaques desta  exposição excepcional. Sem os pecados das mostras de Matisse e Chagall, que analisaremos em um próximo post, este mergulho em um dos mais importantes movimentos artísticos da história da arte trouxe peças importantes de Kandinsky e Malévitch para o Rio e São Paulo, demonstrando por que o construtivismo está na raiz da arte contemporânea de todo o mundo ocidental.

Sophie Calle

A artista francesa é boa de marketing, mas também excelente na obra. “Cuide de você”, que ganha visita-guiada com a própria Sophie e o curador do MAM-RJ, Luiz Camillo Osorio, nesta sexta, 8 de janeiro, às 15h30, esteve antes no Sesc Pompeia, em São Paulo. É desconcertante. Leia mais aqui.

INTERVENÇÕES URBANAS

O voo de Suzana Queiroga

Voo no Parque do Flamengo

“Velofluxo” foi um projeto que assinalou o grande amadurecimento na carreira da artista.  Integrante do grupo de alunos do Parque Lage que formou a chamada “Geração 80″, Suzana encontrou no balão a síntese para a pintura expandida que caracteriza seu trabalho, que hoje funde infláveis coloridos de outros tempos com uma pesquisa originalíssima sobre os percursos e mapas – os fluxos, enfim – de cada cidade. O balão rosa-choque fez voos na Lagoa e no Parque do Flamengo.


Opavivará/ Praça Tiradentes

A intervenção do coletivo de jovens artistas foi o ponto alto da ocupação da Praça Tiradentes durante o Viradão Carioca, em junho.  Em “Pula a cerca”, escadas instaladas ao longo da grade que cerca a praça sugeriam que a população “pulasse a cerca” e ocupasse novamente o espaço público da praça, palco histórico de grandes acontecimentos da história do Rio. A coordenação do núcleo de artes visuais do evento ficou a cargo de Ana Durães e Claudia Zarvos, com produção executiva de Mauro Saraiva/Tisara. O grupo também fez ótima exposição-happening  na galeria Toulouse: “Eu amo camelô” foi inaugurada em dezembro.





Regina Silveira na Bravo!

8 11 2009

Escrevi para a revista Bravo! deste mês uma crítica sobre a  exposição “Linha de sombra”, panorama da obra de Regina Silveira, em cartaz no CCBB do Rio.  Ei-la:

Regina Silveira / Linha de Sombra

"Encuentro", obra feita por Regina Silveira em 1991. Não são nada sutis as sombras dos dirigentes dos países do G-7

A apropriação da apropriação

Um panorama da obra de Regina Silveira no Rio de Janeiro mostra como sua produção conversa com a história da arte

Percorrer a exposição de Regina Silveira no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro é como enfrentar os fantasmas que assombram e enriquecem a produção contemporânea. “Linha de Sombra” funciona como glossário visual da trajetória da artista gaúcha que, por sua vez, se mantém sempre de olho no passado: sua obra espelha o jogo de apropriações que tomou conta da arte a partir do século 20. “In Absentia” talvez seja a síntese dessa ideia. Planejada entre 1983 e 2000, a instalação projeta nas paredes de uma das salas duas peças de Marcel Duchamp (1887-1968) — “O Secador de Garrafas”, de 1914, e “Roda de Bicicleta”, de 1913, — e um móbile de Alexander Calder (1898-1976). A sensação é de vertigem e estranheza, como se as sombras confirmassem e fortalecessem a presença de corpos que não se encontram lá. A referência a Duchamp, fundador da arte conceitual, e à obra cinética de Calder, que se transforma ao sabor do vento, é a apropriação da apropriação — a artista escolhe dois artistas do século 20 que já haviam se valido das lições da história da arte.

A exposição, que engloba desde a série de gravuras “Anamorfas”, de 1980, até a instalação “Equinócio”, de 2002, compõe-se também de verbetes escritos pela própria Regina. Num deles, a artista nos lembra da definição de pintura, feita por Plínio, o Velho, que viveu entre 23 e 79 d.C. Segundo ele, a linguagem pictórica seria como uma sombra, a marca deixada no muro por um amante que partiu. As sombras de Regina espalhadas pelo CCBB-RJ nos põem de novo frente a frente com esse amante. Só que agora ele aparece na forma das experiências criativas acumuladas ao longo dos séculos e filtradas pela criatividade de Regina — uma das maiores artistas brasileiras da atualidade, dona de uma obra na qual nada é o que parece ser. É o caso de “Encuentro”, de 1991, que mistura a foto dos todo-poderosos do antigo G-7 — entre eles a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher — com sombras. E elas não reproduzem suas silhuetas, mas se transformam em projeções gigantescas de elementos nada amistosos, como um serrote, um revólver e uma tesoura.

Por fim, vale reparar na instalação “Irruption”, uma exibição luminosa de imagens de pegadas que recobrem uma área de mais de mil metros quadrados, a famosa rotunda do prédio. Nela, vislumbram-se, ainda que enviesados, todos os alicerces da pintura: a perspectiva, a relação do claro e escuro, a representação. E assim se completa uma exposição que demonstra bem como Regina é uma artista do nosso tempo — um tempo em que a arte se assenta sobre a arte de outros tempos.

Daniela Name é jornalista e crítica de arte.

A EXPOSIÇÃO Linha de Sombra. Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro, RJ, tel. 0++/21/3808-2020). Até 3/1/2010. De 3ª a dom., das 10h às 21h. Grátis.








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