Galerias virtuais no Instagram

22 09 2012

 

Foto de André Galhardo de uma das esculturas de Antony Gormley (#GormleynoRio)

Uma caravana fotográfica da rede Instagram no Rio de Janeiro vai registrar amanhã, a partir das 10h, o último dia das exposições de Antony Gormley, no CCBB, e de Angelo Venosa, no MAM, além de visitar as mostras de Suzana Queiroga e Waltercio Caldas na Casa França-Brasil. Organizado pelo perfil @igersrio, o tour começa no CCBB, segue para a França-Brasil, percorre os lugares onde há esculturas de Gormley no alto dos prédios do Centro e chega ao MAM, para a despedida da exposição panorâmica de Venosa.

Galerias virtuais na rede social Instagram vêm catalogando as exposições, os ateliês e alguns dos principais trabalhos de artistas brasileiros.  As hashtags (marcações criadas com o símbolo #, que criam grupos de imagens no aplicativo) têm sido a ferramenta usada para reunir as imagens. O movimento de marcar as fotos é espontâneo, mas vem sendo organizado pelo @igersrio, com colaboração do publicitário e criador André Galhardo, desta que vos fala e também com a participação decisiva dos próprios artistas.

As galerias de Venosa (#angelovenosa #mamrj),  Queiroga (#suzanaqueiroga #ograndeazul) e Raul Mourão (#raulmourao_toquedevagar) têm contado com os artistas ajudando a formar o catálogo, postando seu olhar sobre o próprio trabalho ao lado das imagens de visitantes das exposições, sejam eles ou não pessoas ligadas ao mundo das artes.

As mostras de Ernesto Neto na Leopoldina (#ernestoneto) e os ateliês da fãbrica Bhering (#bhering) começam a ter suas galerias alimentadas, assim como a mostra de Brigida Baltar (#brigidabaltar) nas Cavalariças do Parque Lage. Em São Paulo, a exposição de Adriana Varejão no MAM-SP (#adrianavarejao #mamsp) tem contado com fotos da pintora e também da própria equipe do museu, cujo perfil no Instagram é bastante ativo.

Catalogar é gerar memória e estimular o público a fotografar a obra, rompendo com pudores e transgredindo supostas hierarquias.  É ainda encontrar formas radiais e orgânicas de formação do olhar e de difusão.

Veja abaixo outras imagens das galerias do Instagram:

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Escrevi um texto sobre a exposição de Angelo Venosa no MAM, que termina amanhã. Se quiser ler ou imprimir, clique aqui.





Arte postal

3 02 2012

Gustavo Speridião

Olá,

Sem muito tempo para escrever, não é mesmo? Tentando voltar.

Em tempos de Facebook e redes que nos obrigam a reinventar maneiras de lidar com arte, memória e afeto, chega em mais do que boa hora a coleção-exposição do Museu de Arte Postal, idealizado por Marco Antonio Portela.  Caroline Valansi, Gustavo Speridião, Rogério Reis e Suzana Queiroga criaram os trabalhos abaixo, que serão vendidos durante dois meses serão vendidos pelo site do museu. O lançamento da iniciativa acontece hoje, a partir das 19h30m, no Ateliê da Imagem, na Urca.

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Nos anos 1970, artistas como Paulo Brusky e Sonia Andrade fizeram da arte postal uma maneira de encontrar vias alternativas para os museus e também de irradiar informação, buscando a participação daquele que antes era apenas um visitante passivo das exposições.

Uma nova aproximação deste tipo de suporte é uma iniciativa mais do que feliz.

Mandem notícias.

Com um beijo,

Daniela





Curso: pintura no POP

25 04 2011

"Os pensamentos do coração", de Leonilson

Vou dar o curso A pintura brasileira depois do conceitualismo a partir desta quinta-feira, dia 28, no Pólo de Pensamento Contemporâneo (POP), no Jardim Botânico. Adaptação de minha dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da EBA-UFRJ, as aulas vão investigar as estratégias de sobrevivência da pintura como linguagem depois da chamada “desmaterialização da arte”.

Depois de uma introdução a movimentos e trajetórias fora do Brasil, como o Neoexpressionismo alemão, a Transvanguarda italiana e a obra de Jean-Michel Basquiat, analisaremos trabalhos de artistas nacionais, como Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Leonilson, Zerbini, Nuno Ramos, Karim Lambrecht, Leda Catunda, Suzana Queiroga e Sergio Romagnolo, chegando até a nova geração de pintores que, no Rio, vem sendo formada majoritariamente pelo Parque Lage e pela EBA.

A ementa completa do curso está aqui, bem como maiores informações para matrículas. Ainda há vagas.

Eu e o POP esperamos vocês, com muita alegria por poder conversar sobre este assunto.





Suzana Queiroga e o Complexo da Maré*

24 02 2011

"Mapamaré": desenho subjetivo das trilhas das crianças moradoras do Complexo de favelas

Há três espécies de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar.

Platão

 

O encontro entre a obra de Suzana Queiroga e o Complexo de Favelas da Maré começou muito antes de Mapas invisíveis, na exposição “Velofluxo”, que a artista realizou no Museu Chácara do Céu no início de 2009. Crianças do projeto REDES, que une arte e educação na favela, foram visitar a mostra, que trazia a interpretação de Suzana para mapas de cidades como Berlim, Milão, Londres e Brasília. Ao observar o fluxo de cores sugerido pelas ruas, rios, praças e avenidas, as crianças enxergaram a Maré naquele possível espelho.

Um ano depois, elas conheceram Queiroga pessoalmente e viraram suas parceiras: junto com a artista, construíram um dos trabalhos da exposição. Mapamaré é uma imensa rede formada pela sobreposição dos trajetos desses meninos e meninas em um território que ora é familiar, ora é estrangeiro. Leia o resto deste artigo »





Estante cheia

21 02 2011

 

"Família em férias", de Cristina Canale, está no folder que artista doou para nosso acervo digital

O catálogo do Abre Alas 7, d’A Gentil Carioca, foi lançado no último sábado, e hoje, dois dias depois, já está na nossa Biblioteca Virtual. Gentileza da designer Lili Kemper, que deu tratamento VIP para os 19 artistas da mostra nesta publicação.

Nossas prateleiras também contam com o folder da mostra de Cristina Canale no MAM, com texto de Luiz Camillo Osorio; com os catálogos de Velofluxo, de Suzana Queiroga; e da exposição que Daniel Senise fez em Londres, no ano passado; e com várias peças da Galeria Ibeu, entre elas o catálogo da recente individual da jovem Flávia Junqueira.

Há também o folder de Bastidor, de Ana Holck, na Sala A Contemporânea do CCBB, e duas publicações do artista Fábio Carvalho e catálogos das exposições desta que vos fala como curadora.

Por fim, uma cerejinha: folder-entrevista de  Nuno Ramos sobre Fala, exposição no CCBB de Brasília que foi o primeiro lugar onde ele apresentou Bandeira branca – a instalação com urubus vivos que deixou São Paulo em cólicas durante a Bienal, mas que na capital federal não causou nenhum problema. Brasília ficou no lucro.

Obrigada a todos os nossos doadores.

Quanto a você… corre lá. Leia, veja. E engorde nossa estante com sua publicação.





Hoje e amanhã

17 12 2010

Está muito difícil escrever às vésperas deste Natal. Está muito dícil também cumprir todos os compromissos. Vejam só os de hoje e amanhã: Ernesto Neto, Raul Mourão, Laura Lima… Agenda de maratonista.

Vamos nos ver?

HOJE

Ernesto Neto inaugura às 19h sua exposição individual na última curadoria de Ligia Canongia para a Casa de Cultura Laura Alvim. As “pinturas” do artista são flagrantes do cotidiano, muitas vezes registrados com câmeras de poucos recursos, como na imagem acima. Quando a gente para, o mundo roda inclui ainda um trabalho que vai ser feito na Praia do Arpoador, há anos uma espécie de segundo ateliê do artista.

No revezamento previsto pela instituição, Fernando Cocchiarale assume o posto em 2011 e promete dar continuidade ao bom trabalho começado por Ligia, que apresentou excelente conjunto de exposições nas galerias reformadas pela Secretaria Estadual de Cultura. Entre as mostras, duas irretocáveis: Luiz Zerbini e Angelo Venosa.

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A Cosmocopa abre mais uma exposição coletiva de seus artistas. Até 2011 inclui trabalhos de Rosana Ricalde, Louise D.D., Felipe Barbosa e Rafael Alonso, entre outros. 19h.

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AMANHÃ

"Seta de rua", de Raul Mourão

Laura Lima inaugura Grande, sua exposição na Casa França Brasil, às 17h.

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Na Progetti, ali ao lado, também a partir das 17h, Jimmie Durhan apresenta Provas circunstanciais do Brasil. A meu ver, o artista americano fez um dos trabalhos mais interessantes desta última Bienal de São Paulo.

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Raul Mourão lança a serigrafia acima, Seta de rua (para Barros, Bulcão, Colares e Volpi), na Galeria Lurixs, em Botafogo, às 20h.

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Pela manhã, às 11h, as crianças do projeto REDES, do Complexo da Maré, visitam a exposição Mapas invisíveis, com curadoria desta que vos fala, para ver de perto o resultado de Mapamaré (à esquerda), trabalho de Suzana Queiroga feito com a ajuda delas.

Eu e artista aproveitaremos para fazer uma visita guiada para quem estiver por lá.





Mapas invisíveis

11 08 2010

A Avenida Rio Branco nos anos 1920

Faço a curadoria da exposição “Mapas invisíveis”, que será inaugurada no dia 8 de novembro, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. O blog da mostra vai acompanhar a produção dos trabalhos inéditos de 12 artistas:  Alexandre Vogler, Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Daniel Senise, Daisy Xavier, Luiz Alphonsus, Luiza Baldan, Opavivará, Paulo Vivacqua, Rosângela Rennó, Suzana Queiroga e Thiago Rocha Pitta.

Para ler o texto de apresentação, clique aqui.





Balanço 2009 – Melhores exposições

6 01 2010

INDIVIDUAIS – Artistas em atividade

Angelo Venosa – Turdus

Venosa trabalha em uma das peças da exposição

Venosa trabalha em uma das peças

O escultor italo-paulistano, carioca por adoção, fez a melhor exposição individual do ano na Casa de Cultura Laura Alvim. “Turdus” é um destes raros momentos de encruzilhada em que a obra de um artista – neste caso, um grande artista – vem à tona em sua plenitude. Para lembrar das obras, criadas a partir de um crânio de sabiá guardado por Venosa durante anos,  clique aqui e leia a crítica feita na época da inauguração.

Nelson Félix

O artista ocupou as Cavalariças do Parque Lage no apagar das luzes de 2009, mostrando que é um dos bambas do site specific no Brasil. As vigas de ferro que perpassam o prédio histórico tiram o fôlego e reafirmam as Cavalariças como o palco da experimentação no Rio de Janeiro.

Nuno Ramos – Soap opera

A exposição que levou uma fábrica de sabão para a dentro da galeria Anita Schwarcz, em março, ampliou a relação de Nuno com a palavra e deixou em carne viva duas questões-chave de seu processo criativo: a morte e a ambiguidade. O sabão, originalmente um sebo nojento, ganha perfume para limpar.  Na galeria, mumificava barcos “naufragados”, de onde saía uma cantilhena ininterrupta.

Luiz Zerbini – Ruído

“Ruído” é uma exposição para ser vista muitas vezes e em silêncio. Aprofunda e torna mais sutis as relações de Zerbini com o retrato, sua especialidade desde os anos 1980, e também com a história da arte. Aproximações com as obras de Monet e Velásquez são bastante possíveis. A mostra  fica em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim até fevereiro.

Regina Silveira – Linha de sombra

A artista gaúcha ganhou, nos 20 anos do Centro Cultural Banco do Brasil, um panorama que faz justiça à  singularidade de sua trajetória. Os fantasmas que assombram e alimentam a pintura são o motor da mostra, que analisei numa crítica para a revista Bravo! Para ler, clique aqui.

Annabella Geiger – vídeos

Inquieta e multifacetada, a artista inaugurou em dezembro uma retrospectiva de seus trabalhos em vídeo no Oi Futuro. Além de fazer a documentação dos bons trabalhos de Annabella em vídeo, a mostra celebra a relação dela com o crítico Fernando Cocchiarale, curador da montagme no Oi, seu parceiro em um dos cursos mais duradouros do Parque Lage e seu interlocutor de toda uma vida.

PANORAMA

Jorge Guinle

A exposição que esteve em cartaz no MAM, com curadoria de Ronaldo Brito e Vanda Klabin, lançou novas luzes sobre a obra do pintor. Ver as pinturas durante o dia era uma aula sobre o uso da cor.

COLETIVA

Trilhas do Desejo – Rumos Visuais

A seleção feita por Paulo Sergio Duarte, inaugurada em dezembro no Paço Imperial, chama a atenção pela qualidade dos artistas – há bons trabalhos de Felipe Cohen, Rafael Alonso, Jaqueline Vojta e Tiago Romagnani, entre muitos outros – mas também pela montagem extremamente bem feita e pelos textos fluidos, diretos, sem a criptografia que por vezes mantém a crítica (e, consequentemente, a arte) afastada do público.

INTERNACIONAIS

Vanguarda Russa

"Promenade", de Marc Chagall

“Promenade”  foi o melhor quadro de  Chagall visto no Brasil em 2009 e um dos destaques desta  exposição excepcional. Sem os pecados das mostras de Matisse e Chagall, que analisaremos em um próximo post, este mergulho em um dos mais importantes movimentos artísticos da história da arte trouxe peças importantes de Kandinsky e Malévitch para o Rio e São Paulo, demonstrando por que o construtivismo está na raiz da arte contemporânea de todo o mundo ocidental.

Sophie Calle

A artista francesa é boa de marketing, mas também excelente na obra. “Cuide de você”, que ganha visita-guiada com a própria Sophie e o curador do MAM-RJ, Luiz Camillo Osorio, nesta sexta, 8 de janeiro, às 15h30, esteve antes no Sesc Pompeia, em São Paulo. É desconcertante. Leia mais aqui.

INTERVENÇÕES URBANAS

O voo de Suzana Queiroga

Voo no Parque do Flamengo

“Velofluxo” foi um projeto que assinalou o grande amadurecimento na carreira da artista.  Integrante do grupo de alunos do Parque Lage que formou a chamada “Geração 80″, Suzana encontrou no balão a síntese para a pintura expandida que caracteriza seu trabalho, que hoje funde infláveis coloridos de outros tempos com uma pesquisa originalíssima sobre os percursos e mapas – os fluxos, enfim – de cada cidade. O balão rosa-choque fez voos na Lagoa e no Parque do Flamengo.


Opavivará/ Praça Tiradentes

A intervenção do coletivo de jovens artistas foi o ponto alto da ocupação da Praça Tiradentes durante o Viradão Carioca, em junho.  Em “Pula a cerca”, escadas instaladas ao longo da grade que cerca a praça sugeriam que a população “pulasse a cerca” e ocupasse novamente o espaço público da praça, palco histórico de grandes acontecimentos da história do Rio. A coordenação do núcleo de artes visuais do evento ficou a cargo de Ana Durães e Claudia Zarvos, com produção executiva de Mauro Saraiva/Tisara. O grupo também fez ótima exposição-happening  na galeria Toulouse: “Eu amo camelô” foi inaugurada em dezembro.








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