O que não foi tão bom assim nas artes visuais em 2009.
Incêndio da obra de Hélio Oiticica: o quadro acabou sendo muito menos catastrófico do que a avaliação inicial, graças a restauros e remontagens. Mas muitas peças importantes deste que é um dos maiores artistas do país em todos os tempos foram perdidas no incêndio da reserva técnica na casa de sua família, no Jardim Botânico. O fogo que transformou HO em cinza evidenciou a fragilidade da política para aquisição e preservação de acervo do poder público brasileiro, assim como um despreparo das instituições, dos colecionadores particulares e dos herdeiros em lidar com o assunto. Para lembrar do caso, clique aqui.

Projeto original de Lygia para o Bolinha
Piraquê e o descarte do projeto de Lygia Pape: Foi o post mais lido do Pitadinhas em 2009 (lembre o caso aqui). Não é todo dia que uma empresa resolve jogar fora um projeto gráfico bem sucedido como criado por Lygia para biscoitos clássicos como o Bolinha ou o Presuntinho. A Folha de S. Paulo repercutiu a discussão levantada por este blog. Em entrevista ao jornal, o dono da Piraquê disse ter eliminado o projeto de Lygia para que ele não destoasse das embalagens novas, de biscoitos que surgiram depois da morte dela. Evitaria, assim, o que chamou de “samba do crioulo doido”. Ora, pois, raciocinemos juntos: não seria mais lógico preservar o projeto de Lygia e criar uma identidade visual coerente para os novos biscoitos a partir do projeto dela? Em vez de destruir o patrimônio existente não seria mais lógico construir a história visual da empresa tendo Lygia como ponto de partida?
Chagall: Mostra esperadíssima da comemoração do Ano da França no Brasil, começou em Belo Horizonte (Casa Fiat) e depois veio para o Rio (Museu Nacional de Belas Artes), foi dominada por um grande número de gravuras. Não seria grave, se este fosse um suporte tão importante para Chagall como foi para Goya ou Rembrandt, por exemplo. Não era. Além disso, as poucas pinturas existentes foram apresentadas desordenadas cronologicamente e sem legendas explicando seu contexto (as duas mulheres com quem o artista viveu foram retratadas e fundamentais no seu processo criativo e isso não foi explicado ao longo dos corredores). Para entender um pouco da biografia do artista – que fugiu do anti-semitismo da Europa e exerceu um papel bastante ambíguo durante o período dos comitês de arte soviéticos, entregando e censurando antigos amigos – era preciso ver um vídeo de 14 minutos no fim da mostra. E este, evidentemente, passava ao largo destas questões, digamos, mais “difíceis”. Mais do que a biografia, ficou difícil para o público captar a relevância de um artista como Chagall. Por que, afinal de contas, o Brasil devia se sentir orgulhoso por receber suas obras? Não havia uma palavra sequer sobre seu papel e sua originalidade dentro do grupo dos construtivos russos e nem sobre seus flertes com o surrealismo e a obra de fauvistas e expressionistas. Ah, é bom lembrar: a mostra, com tantas lacunas para o público, foi paga com… verba pública. Lei Rouanet. Portanto, é para o público se sentir lesado mesmo.
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