O crime da Piraquê

Se você é brasileiro, sobretudo carioca, e tem mais de 20 anos, certamente teve sua infância marcada pelas embalagens dos biscoitos Piraquê. Olhe bem para a imagem aí em cima, então, e se despeça: a empresa está substituindo o desenho clássico por outro, chupado da embalagem do produto para exportação, que você vê aqui à esquerda. A nova versão já está chegando às gôndolas dos supermercados e aos camelôs que vendem biscoito na Uruguaiana e na Cinelândia. O Queijinho, vulgo “Bolinha” (abaixo), que traz bolinhas de biscoito no fundo vermelho – e que talvez seja a embalagem mais bonita e sedutora da Piraquê – também vai mudar para o modelo ao lado.

Além de ser um projeto pior, mais poluído visualmente, que dispersa as informações em vez de concentrá-las, a nova embalagem da Piraquê joga fora a obra de uma grande artista brasileira e parte da nossa história visual. O que muito pouca gente sabe é que toda a identidade da Piraquê – embalagens dos biscoitos, massas, caminhão e logomarca – foi criada por Lygia Pape, uma das maiores artistas que este país já produziu.  A atuação de Lygia –  falecida em 2004 – no ramo da comunicação visual foi tão versátil quanto no das artes plásticas. Entre o fim dos anos 1950 e os aos 1970, ela criou numerosos cartazes e letreiros para filmes do Cinema Novo, caso de “Vidas secas”. A partir de 1960, já com boa experiência como programadora visual, atuou na Piraquê.

Lygia criou o desenho de embalagens que se tornaram clássicas, como as dos biscoitos Cream Crackers, Maria e Maisena, e de quebra inventou um novo conceito para o empacotamento, depois copiado por outras indústrias do Brasil e do exterior. Até então, os biscoitos eram guardados em caixas ou latas padronizadas, fosse qual fosse o seu formato. A artista deenvolveu, no entanto, um método próprio de cortar e colar o papel de embalo, de modo que ele  passou a envolver os biscoitos sem gerar sobras dos lados, acima ou abaixo. Os biscoitos passaram a ser empilhados verticalmente e o papel plástico apenas se sobrepunha a esta pilha, criando a forma que as embalagens de Maria, Maisena e Cream Crackers têm até hoje, ou seja, a de sólidos espaciais (cilindro, ovalóide e paralelepípedo).

Fui curadora da exposição “Diálogo concreto – Design e construtivismo no Brasil”, na Caixa Cultural do Rio (2008) e de São Paulo (janeiro deste ano). Na mostra, relacionava o trabalho de Lygia e de outros artistas construtivos brasileiros, como Geraldo de Barros, Willys de Castro,  Waldemar  Cordeiro, Amilcar de Castro e Aluísio Carvão como designers. Minha tese  – e a de Felipe Scovino, curador-ajunto  – era a de que o design ajudou esta geração a cumprir a utopia de chegar até as massas, até o grosso da população.

Nas embalagens da Piraquê, Lygia aplicou todos os princípios de Gestalt, de geometria sensível e de “obra aberta” que nortearam as obras de arte do período. Os losangos sobrepostos nas embalagens dos Cream Crackers e a embalagem do Água e Sal, que você vê acima e ao lado, respectivamente, não me deixam mentir.  Olhe bem para a parturbação dos biscoitos desta última, espalhados sobre o fundo branco, e me diga:  não parece um “Metaesquema” de Hélio Oiticica?

A embalagem do Água (abaixo, à esquerda), em que o amarelo do biscoito torrado forma um contraste magnífico com o azul turquesa do fundo, já tinha sido alterada pela fábrica. No lugar desta obra-prima, hoje o Água vem numa embalagem preta com gotinhas de…  água (!!!), subestimando a inteligência de quem compra… e imitando a marca inglesa Carr´s, que tem as mais famosas bolachas de água e sal do mundo.

A do Goiabinha, até hoje parcialmente preservada da ignorância da Piraquê, é outra obra-prima: além de comunicar perfeitamente que se trata de um biscoito recheado, mostrado a foto com o risco da geleia de goiaba, empreende um outro princípio típico da pintura geométrica do período: o ritmo, ditado pela alternância matemática. No Goiabinha (à direita), a alternância 4X1 (quatro biscoitos recheados deitados, para um em pé) dá movimento e um ar lúdico à embalagem.

O desenho não é a única aproximação com a vanguarda do período. Ao transformar os biscoitos em sólidos geométricos e ser copiada no mundo inteiro, Lygia reproduziu no produto as formas de uma de suas obras mais famosas:em 1958,, pouco antes do trabalho para a Piraquê, ela criou, em parceria com Reynaldo Jardim, o “Balé neoconcreto”, executado a partir do momento em que bailarinos, cobertos por sólidos espaciais, faziam com que estes se mexessem no espaço. Qualquer semalhança não é mera coincidência, como me disse Lygia Pape em depoimento gravado em sua casa,, em 23 de fevereiro de 2003:

“Aquele era um momento em que experimentávamos muito em todas as áreas. Eu, particularmente, nunca gostei de ficar restrita a um suporte. Gostava de fazer com que eles conversassem e acabei levando a escultura para um trabalho como programadora visual. Sempre me diverti muito fazendo as embalagenspara a Piraquê. Adorava ir à gráfica, me despencava para Madureira para ver como estavam as provas de impressão. O formato das embalagens, que hoje aparece em qualquer biscoito, foi uma inovação para a época.

Depois outras indústrias, como a Aymoré e a Tostines, acabaram copiando a Piraquê. Os desenhos todos coerentes, que hoje foram muito deturpados, também foram uma novidade (…) Aquele vermelho aparecia para valer nas gôndolas dos supermercados. Dava para achar os produtos de longe”.

A Piraquê tem o direito de fazer o que quiser com sua identidade visual. Mas está cometendo um crime.

231 thoughts on “O crime da Piraquê

  1. É por causa da ignorância do brasileiro, tão bem ilustrada nesses comentários, que a memória e a criação são jogados no lixo e o Brasil continua sempre culturalmente raso. Os ignorantes são os marqueteiros brasileiros que acham que mudar a marca vai trazer um impacto significativo de longo prazo. E esquecem que a marca carrega a história do produto e toda sua riqueza. As grandes marcas mundiais que existem a décadas provam o valor de manter o símbolo que é associado a muitos valores. Uma nova marca é apenas um balão murcho que vai precisar de muito tempo para se associar à imagem que se quer passar do seu produto. Os designers realmente competentes sabem disso e modernizam a marca, mantendo a sua essência. E não fazem alterações radicais. O pessoal da Piraque visivelmente quis seguir esse caminho, mas não teve competência para tanto. O resultado é triste.

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  2. Fico impressionada em ler tamanha falta de informação correta e as pessoas acreditarem sem nem ao menos pesquisar a veracidade das informações!!!! Sem desmerecer a Ligia (a qual eu não conheço e nem estou colocando em causa seu trabalho), as pessoas, as coisas…o mundo evolui!!! A Piraquê fez sim uma atualização em suas embalagens, primeiro por questões legais, pois a legislação também se atualizou, e com isso as empresas são obrigadas a se adaptar… Depois porquê diferente do que muitos pensam, uma renovação na “cara” da empresa é um marco de uma nova etapa para a mesma…. Portanto, sem entrar em mais detalhes sobre os reais motivos da mudança das embalagens, acho que as pessoas deviam ter mais cuidado com o quê lêem e principalmente com o que partilham na internet!!!

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    1. Lindo Marina, falei a mesma coisa, primeiro para morrer em 2004 creio que a pessoa deve ter criado a muito tempo e designer não é atemporal ele se renova….. A embalagem antiga sinceramente acredito até que era um erro, pois segundo uma das leis da gestalt fala que objetos semelhantes agrupados parecem fazer parte de um todo, logo n se consegue olhar muito tempo por achar que está vendo a mesma coisa por todo canto e não atrai os olhos, já a nova utiliza de variar as formas para n parecer um todo(biscoito e o presunto) o e o descritivo em um único ponto usando outra regra que é: um ponto isolado gera atração, logo o descritivo em uma parte será muito mais fácil de localizar e ler.
      Fora a terrível Visibilidade da marca no meio do todo.

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  3. Crime é o produto em si que tem niveis de sódio astronomico e sal acima da média. Resumindo… É um veneninho em forma de biscoitinhos charmosos.

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  4. Adoro os produtos piraquê desde criança. Gosto do visual que também me remete à infância. Mas o título começando com crime é (por esta palavra) suficiente para não passar pra frente.

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  5. Pessoal marqueteiros sabe o que faz, conseguiram as finalidades, jogar a empresa na mídia a custos baixos. Tem mais, o contrato com as embalagens antigas provavelmente não foi renovado. A empresa está dando uma repaginada na aparência, as grandes marcas também evoluem.

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  6. Crime? Que título sensacionalista pra uma matéria… dane-se a arte da embalagem, o que importa pra quem conhece a marca é o produto. Não tem crime nenhum em lugar nenhum. Aff!

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    1. o que acontece é o contínuo
      malbarato com a cerveja gelada do mesmo jeito,e ainda fazendo puco caso,comendo o petisco e daí vendo as formas e o preço da embalagem…..

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  7. Então, o cabeçalho da matéria é super interessante, mas quando começam as referencias de imagem, por exemplo, em cima, em baixo, esquerda, direita, a matéria se torna horrivelmente desinteressante, pois estou usando a versão mobile onde as imagens são dispostas ao decorrer do texto, uma embaixo da outra, onde eu me perdi e não consegui passar da metade da matéria pois não consegui visualizar os detalhes técnicos citados no texto. Agradeço se alguém ler, corrigir e por ventura responder, adoraria que mais pessoas também pudessem ter o benefício da leitura em smartphone. Grata. Stephanie.

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  9. A Piraquê produzia um biscoito Crem cracker delicioso, com um sabor inconfundível, ele era folhado crocante, uma textura incrível. Agora não passa de uma massaroca. Desde que perderam a fórmula deste biscoito não dou a mínima para esta marca.

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  10. amais ia saber que Hélio Oiticica fez essa embalagem da piraque se não fosse a internet … sobe que o acervo das obras dele sofreu um incêndio destruiu 2.000 obras dele incluindo material do pai dele José Oiticica Filho,tudo avaliado em 200 milhões

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  11. A destruição da memória está em todos os campos, das demolições promovidas pela especulação imobiliária às embalagens, com certeza tão ligadas a nossa infância. .. falta de identidade, extrangeirismos, uma ansiedade voraz pelo novo… isso me incomoda demais!

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  12. Eu tenho a opinião de que mudanças acontecem quando necessárias. A análise da Daniela é muito boa do ponto de vista gráfico. O design anterior do presuntnho era, sim, melhor, e era bem único, permitindo visualizar sempre o nome do produto (“presuntinho” é muito simpático, sempre achei). A nova embalagem é mais do mesmo. E nem me parece tão mais moderna assim, sem falar que se aparecer “ham snack” na embalagem brasileira é um anglicismo desnecessário.
    Agora um “causo”: vocês lembram da embalagem antiga da pastilha de hortelã garoto? Não consegui achar nenhuma foto para linkar, mas ela era totalmente grafica e muito interessante. Na década de 90, alarmada pela concorrência com os tic tacs a garoto aposentou o antigo desenho e adotou outro. Não adiantou. As vendas despencaram ainda mais e a embalagem (que era a mesma desde os anos 60) já mudou três ou quatro vezes desde então. A moral da história é: mudanças e modernizações são parte do jogo, mas nem sempre resultam em sucesso. Eu sempre achei o logotipo antigo do Bob’s muito melhor que o atual, mas a rede de fastfood mudou sem nenhum prejuízo de vendas. A verdade é que com mães mais preocupadas com a saúde das crianças não vai ser difícil que a piraquê mude em breve a própria receita dos biscoitos.

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    1. Minha gente , antes de ser um lindo trabalho de design feito por uma artista sensacional as embalagens da Piraquê são sim um trabalho de marketing e tem como objetivo primeiro vender biscoito , massa e margarina , ou seja ,os layouts tem um fim comercial. Se as embalagens podem além de tudo serem bacanas , bonitas,inovadoras,modernas e ao mesmo tempo VENDER ,este é o ideal.

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    2. Olá, bom dia. Não vejo problema alguma com o termo “Logomarca” principalmente considerando que aplicação do mesmo foi acertadíssima. Ao não ser que você desconheçam completamente a definição da palavra não há justo motivo para a crítica.

      “Logotipo = Conjunto de letras, a tipologia, o nome.
      Símbolo = Desenhos, representações gráficas.
      Logomarca = Conjunto formado pelo símbolo e pelo logotipo”.

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      1. Daí você pisou na bola. Logo significa marca. Logomarca seria desse modo redundante. O termo só existe na cabeça de marketeiros e designer que se preze nunca usa essa palavra.

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  13. Muito obrigado pelo texto Daniela Name, achei suas considerações bem ponderadas e o texto é esclarecedor sobre o trabalho de Lygia. Adorei seu blog e tive a surpresa de encontrar esse texto na íntegra em outro blog, de um tal de Luis Nassif… ele creditou seu nome, mas faltou o link, até publiquei nos comentários.

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  14. Gente, na minha visão (míope em relação a design) de alguém que trabalha na indústria de Poliester (material dessas embalagens), tudo se resume a custos. É mais barato imprimir um só modelo de embalag para exportação e mercado nacional do que um pra cada mercado. Poliester é caro, metalizado então (como os de biscoitos de presunto) triplicam de preço. Acredito na história do Design Arte, mas saudosismo custa caro e muitas empresas não estão dispostas a pagar esse preço.

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  15. Achei que o crime fosse a quantidade de sal dentro dessas deliciosas porcarias industrializadas. Rsrsrsrs
    Sim, também lembra minha infância, mas não tenho esse saudosismo todo aí desse texto.

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  16. Exagero, achei a embalagem nova melhor. A maioria das pessoas é saudosista e resistente a mudanças, a verdade é essa. O produto precisa ficar 200 anos com a mesma embalagem em memória a arte/artista? ¬¬

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  17. as embalagens realmente eram legais. mas nem tanto. Agora dizer que é arte! me desculpem. Nao acho que essas embalagens podem ser consideradas arte. Olho pra elas e sinto nostalgia. Mas é claro! elas são as mesmas a tanto tempo que me lembro da minha infância quando vejo os produtos. Mas é só isso. Essas embalagens antigas não me dão vontade de comer os biscoitos! Pelo contrário, olho pra elas e sinto que a empresa esta abandonada (apenas sinto e tenho essa impressão) pois a embalagem velha ainda nao evoluiu. Diferente da gina que ganhou várias plasticas com o tempo. Os biscoitos são deliciosos mas as embalagens antigas nao me animavam a comprar. quem sabe agora vai porque só de olhar a embalagem nova me deu vontade de comer. só porque a embalagem lembra o passado nao quer dizer que seja melhor.

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  18. Atendi a conta publicitária da Piraquê na W/Brasil RJ por muitos anos,e conheço não só esta história contada pela Daniela como também outras histórias contadas pelo patriarca da família que é a criadora e proprietária da marca.Foram inúmeras as reuniões que participei na fábrica da Piraquê em Madureira,sempre regadas a cafezinho e biscoitos Cream Cracker saídos literalmente do forno.Os donos são pessoas muito bacanas,construíram a Piraquê do zero e dão muito valor a toda a sua história .Mas por vezes uma marca passa para as mãos de outras gerações,e uma coisa que foi implementada em um momento não necessariamente é valorizada mais tarde… A Piraquê é sim uma marca forte e conhecida, mas apenas aqui no RJ, Minas Gerais e Espírito Santo.Nos outros estados a Piraquê não tem tanta penetração assim,apesar de termos esta impressão pois é uma marca que nos acompanha há tanto tempo… O trabalho da Lygia Pape é primoroso e eu pessoalmente não gosto das revisões do layout das embalagens, mas não considero um crime tão grande assim tentar rever um layout.

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  19. Atendi a conta publicitária da Piraquê na W/Brasil RJ por muitos anos,e conheço não só esta história contada pela Daniela como também outras histórias contadas pelo patriarca da família que é a criadora e proprietária da marca.Foram inúmeras as reuniões que participei na fábrica da Piraquê em Madureira,sempre regadas a cafezinho e biscoitos Cream Cracker saídos literalmente do forno.Os donos são pessoas muito bacanas,construíram a Piraquê do zero e dão muito valor a toda a sua história .Mas por vezes uma marca passa para as mãos de outras gerações,e uma coisa que foi implementada em um momento não necessariamente é valorizada mais tarde… A Piraquê é sim uma marca forte e conhecida, mas apenas aqui no RJ, Minas Gerais e Espírito Santo.Nos outros estados a Piraquê não tem tanta penetração assim,apesar de termos esta impressão pois é uma marca que nos acompanha há tanto tempo… O trabalho da Lygia Pape é primoroso e eu pessoalmente não gosto das revisões do layout das embalagens, mas não considero um crime tão grande assim tentar rever um layout.

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  20. a embalagem eh tao forte e emblematica que o “biscoito de leite maltado” ninguem sabe o que eh. Agora o “biscoito da vaquinha” todo mundo sabe. Nao entendo de pesquisas, mas nao sei se realmente havia necessidade de mudança. As embalagens sao conhecidas e comentadas por serem do jeito que sao. Varias geracoes a conhecem por serem do jeito que sao.

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  21. Se o argumento do artigo é saudosista ou não, se carece ou não de conhecimento de marketing moderno ou de engenharia industrial, pra mim é irrelevante. O que me chamou a atenção foi o cuidado da blogueira ao pesquisar a história de uma mulher (Lygia Page), cuja arte no ramo da comunicação visual passou despercebida por mim e por milhões de brasileiros que quando muito só prestaram atenção ao conteúdo desses pacotinhos. Falando nisso, que saudade dos Salgadinhos Piraquê!

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  22. “A Piraquê errou” e só você sabe disso. Um pouco pretensioso, não? Os seus argumentos só exibem o conservadorismo daquilo que é elevado a Arte, no caso pela trajetória de um designer. Sem paciência para os truísmos do tipo. Melhore seus argumentos. Se defendes uma permanência de um motivo estético os seus argumentos devem ser estéticos e não fundados na Instituição da Arte, e pior, querendo submeter o campo do designer à mesma economia. Certamente daqui há 20 anos quando a Piraquê por ventura mudar as suas embalagens, mais um conservador como você, levantando o baluarte da arte, vai condenar a nova embalagem. Pelo menos parta de um juízo de gosto e o coloque-o em disputa ao tentar refletir sobre seus efeitos, embora, sabes bem, que no designer há um jogo complexo de adequações. O designer não é um campo autônomo, está intensamente submetido a outros campos, principalmente a economia do mercado global. Seus argumentos partem do capital consolidado no campo da Arte (autoria, sua tragetória etc.). Até quando reconhece e comenta sobre os padrões plásticos, os legitima por alusão a estilos já consolidados de escolas ou autores do campo da Arte. O que apresenta não é um disputa estética e fundamentalmente sensível, mas a disputa dos agente de um certo campo em busca de uma autonomia.

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  23. Esses biscoitos da Piraque são um crime!!
    A quantidade de sódio e a química encontrada neles é aterrorizante!!
    Também comi na infância e fui comprar para minha filha quando resolvi dar uma olhada nas especificações do produto. NÃO COMPREM ESSA PORCARIA!!!

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  24. Achei o texto meio pedante. Não acho que “estão destruindo uma obra de arte”. O design não é arte. Ele atende à uma demanda. Se as embalagens antigas não estavam mais atendendo (e quem decide isso é o dono da marca), então nada mais certo do que mudar. Não estou discutindo se o resultado ficou bom ou ruim (pra mim não fede nem cheira), mas acho muito exagerada a maneira como o texto foi escrito.

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      1. Só uma pergunta, senhor, só porque uma peça de design está no MoMA, ele é arte? Até onde me consta, design é PROJETO para um fim, com um objetivo final, não arte em si. Se a “enquadraram” assim, ótimo, mas isso não significa que o é.

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    1. Tem design que é arte, como os da Piraque por Lygia Pape.
      Tem design que não é arte. Acho que todos conseguem se lembrar de alguns…

      Tem equipe de marketing que entende o que faz. Tem equipe de marketing que não entende bulhufas.

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  25. Oras,o mundo roda,as coisas mudam,os conceitos mudam.
    Porque a embalagem mesmo carregando toda essa estoria ai que foi contada não pode mudar?
    E realmente o sabor ao menos de alguns produtos foi alterado..pra pior.No caso do agua e sal e cream cracker nao existe atualmente sabor igual aos dos antigos tostines antes da nestle comprar.Afinal,ele vendia mais porque era fresquinho..ou era fresquinho porque vendia mais?
    Sou de São Paulo e atualmente estou no Rio,não vejo muitos produtos “cariocas” no Rio,o que seria de la…Mineirinho…Guaravita…Guaracamp…Tobi…Piraquê…e em São João do Meriti tem a Cadore.Ao andar nos supermercados vejo produtos nacionais,na maioria vindos de SP,Goias,RS.Aonde estão as empresas locais?
    Na baixada fluminense mesmo voce sai a noite e só encontra duas coisas: Açai e Xtudo.
    Mas viva a ilusão e o provincianismo!

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  26. Fora do Rio talvez não exista essa relação tão forte com a imagem icônica da Piraquê, mas os valores intangíveis que permeiam o projeto gráfico dessas embalagens não poderiam ter sido descartados tão facilmente. E apesar de (também) não ter achado a revitalização adequada, não nego que sentia a necessidade de uma mudança.

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  27. Mas vou fazer uma coisa que as vezes devemos, defender os colegas em questão (os criadores da nova embalagem) Muitas vezes o dono da fábrica participa das reuniões de do atendimento da agência ou estúdio e diz que quer a nova cara igual a tal, tudo limpo, e muitas vezes sai algo que o designer não queria. Isso aconteceu muito comigo na publicidade: apresenta-se algo muito bom no início mas no final; sai “aquilo”.

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  28. Curiosidade: o Wolner criou o logotipo do Itaú originalmente preto, por causa do significado da palavra em tupi (pedra preta). Mas, no final das contas, o logotipo ficou azul..

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  29. É difícil pensar em mudar uma identidade visual tão marcante quanto a da Piraquê sem causar estranheza nos consumidores. Acredito que eles queriam padronizar, já que a versão estrangeira era diferente.
    Enfim, o estrago está feito, e duvido que eles vão gastar mais dinheiro para tapar o buraco.

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  30. Será que já estão usando transgênicos também? A aparência não nos leva à essência. É verdade que as pessoas comem com os olhos… Vou dar uma paradinha na sessão desse produto para olhar o conteúdo dos ingredientes… Só para conferir o sinal dos tempos. Eu não como mais isso.

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  31. Adorei o texto, as informações. Não fazia a menor ideia de que as embalagens da piraquê tinham sido pensadas por uma artista. isso sim é pop art! É incrivel descobrir que ela chegou ao ponto de alterar o modo de emabalr os biscoitos – em todo o mundo! para mim é quase perturbador pq eu muito eu via toda essa arte conceitual como uma arte subjetiva demais, desligada do real, quando, na verdade, ele buscava ampliar os limites da realidade. É uma alegria descobrir que uma artista mudou o modo de embalar biscoitos em todo mundo. isos merecia um monumento! rs
    E é impressionante o numero de comentários.
    Enfim, gostei muito… Do e-mail dá para deduzir o endereço do meu site. Será um prazer ser visitado por vc.

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  32. Adorei o texto, as informações. Não fazia a menor ideia de que as embalagens da piraquê tinham sido pensadas por uma artista. isso sim é pop art! É incrivel descobrir que ela chegou ao ponto de alterar o modo de emabalr os biscoitos – em todo o mundo! para mim é quase perturbador pq eu muito eu via toda essa arte conceitual como uma arte subjetiva demais, desligada do real, quando, na verdade, ele buscava ampliar os limites da realidade. É uma alegria descobrir que uma artista mudou o modo de embalar biscoitos em todo mundo. isos merecia um monumento! rs
    E é impressionante o numero de comentários.
    Enfim, gostei muito… Do e-mail dá para deduzir o endereço do meu site. Será um prazer ser visitado por vc.

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    1. Matéria muito bem feita, confesso que revendo essas embalagens lembrei da minha infância, eu achava que a Piraquê nem existisse mais.
      Pelo visto a empresa é mais forte no Rio que em São Paulo, é uma pena depois de tantos anos abrirem mão das clássicas embalagens, mas deve ser a maneira de sobreviverem a atualidade.
      Espero que eles não se arrependam, até a manteiga aviação depois de 90 anos mudou o formato da lata, mas manteve o logotipo e as cores clássicas.

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    1. isso é muito perigoso no varejo! o cliente pode deixar de comprar o produto pq não reconhece mais a embalagem na gondola, acaba passando batido no meio de tanta informação!

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      1. É isso que faz diferença entre os profissionais do design, alguns sabem argumentar defendendo uma comunicação bem feita, outros só sabem sentar na frente do corel e fazer algo que aprenderam a fazer usando somente degradé e efeitos prontos. Tristes amadores carentes de inteligência, cultura e conhecimento!

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  33. aff. q besteira! q a identidade visual dela era boa tudo bem. mas dai dizer q é um crime retira la do mercado – um servico de design e comunicacao visual- beira o ridiculo. sim. é uma pena mas eu q adoro a marca nao compro nada da empresa ha anos… ponto zero é este.

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    1. A grande pergunta que faço para os meus colegas de design gráfico: você está criando para você, para o seu gosto, ou para o cliente assimilar a mensagem que desejas passar, agregando mais valor à marca e ao produto?

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  34. Uai, então quer dizer que eu, um marketeiro, seria um criminoso ao trocar a identidade visual de um PRODUTO que, após pesquisas mercadológicas, apontou essa necessidade? Eu pensava que exerceria um trabalho digno quando terminasse a faculdade, mas pelo visto, vou ser um cometedor de crimes, ou seja, um criminoso. #chatiado

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    1. Quase isso Igor. Alguns deveriam ser até presos, hehehehehe. Mas, nem todo mundo nasceu pra coisa. Vc vai ver que a faculdade da experiência, da vida, com colegas e bom gosto é oque vai contar mais!

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  35. É pessoal e caros leigos no assunto, é bom deixar para os profissionais do assunto resolverem isto entre si. Aliás não sou um deles, trabalho com artefinal no ramo gráfico e gostaria de me inteirar um pouco mais no assunto de design e nas expressões que os experts utilizaram nos argumentos anteriores sobre arquitetura, design, artes plásticas, etc…

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  36. Ahhh nem o sabor é mais o mesmo. Eram mais crocantes e torradinhos. Devem ter adaptado aos paladares internacionais. Vai tudo ficando sem graça. Da embalagem ao biscoito. Que pena.

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  37. Lygia Pape criou a toda a identidade visual da fábrica e produtos Piraquê, meu pai, Gunther Pape foi o químico responsável pelas fórmulas originais , que hoje,muitas já não são as mesmas.
    Era uma coisa inteligente e inovadora, ela criou inclusive um método de corte que foi copiado no mundo inteiro.
    O design ( assim como as fórmulas ) tem sido gradualmente alterado de forma que estavam na realidade reutilizando o projeto gráfico criado pela artista e inserindo uma coisa aqui, mudando outra ali , o que não seria aceito pela Lygia, pois acabou saindo completamente da idéia original. Ainda reutilizam algumas imagens como a vaquinha fotografada por mim e Maurício Cirne dentre outras, sem critério algum.
    É claro que estão atirando no próprio pé ao trocar a imagem e qualidade de produtos que já eram aceitos ( e bem aceitos ) pelo Brasil inteiro.
    Vc podia estar em qualquer lugar e encontrar um biscoito da Piraquê que vc sabia que era coisa boa, nem questionaria ! Hoje em dia…
    Preferem trocar uma identidade visual forte e histórica, por uma tentiva de modernização absolutamente banal, sem qualquer estímulo visual. Querem atrair o consumidor através de “imagens novas” , sugerindo que são modernos e que seus produtos estão melhores ????
    Sou formada em jornalismo e trabalhei em publicidade. Em muitos casos, é melhor manter o produto como está, porque É MUITO BOM e tratar de melhorar a divulgação .Porém alguns empresários desavisados preferem gastar menos, pois publicidade bem feita é cara, mas como disse, pisam no próprio pé, pois estão literalmente perdendo uma PÉROLA no oceano da concorrência.
    O que é pior, o Brasil, perde mais uma de suas características, pois essas embalagens são ícones nacionais.
    Hoje, quando o mundo inteiro percebe a beleza das imagens brasileiras, Lygia Pape já as utilizava com sensibilidade nos waffles com a ararinha azul e outros pássaros, assim, como biscoitos com o pôr do sol de Ipanema, isso é genial !!!!
    Empresas preferem partir em direção a massificação visual global, que é destituida de vida e personalidade.
    Porém sou otimista, e acredito que certas coisas podem voltar a sua originalidade e a lucidez prevalecer.
    Seria a glória !!

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    1. Paula e Daniela, a Lygia foi minha professora na EBA-UFRJ. Na época (eu tinha 17!! anos) te confesso que não tinha noção exata da grandiosidade dela. Mas era de uma intensidade e de uma presença que não sei como tudo aquilo cabia naquele corpo miúdo. As vezes até intimidava (num bom sentido, se é que me entende). De tudo o que fiz na faculdade guardei poucos trabalhos, três deles foram feitos para a aula dela. Sabe quando você faz algo e acha consistente e expressivo? Na apresentação ela olhou, olhou (com aqueles olhões bonitos e rosto quase sempre sério) e disse que gostava muito, “me faz lembrar Lygia (Clark)” e sorriu.
      Ainda que não mantenham as embalagens, elas fcarão sempre registradas na minha memória afetiva: pela Lygia Pape e pela lembrança do meu avô chegando no portão de casa, quase sempre pela hora do almoço (para desespero de minha mãe) trazendo, para mim e minha irmã, um pacote de biscoito “de bolinha”. Um abraço

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  38. Não sou designer e cheguei aqui por acaso, por curiosidade. Vejo com muita prepotência o comentário de muitos profissionais que criminalizam uma troca de embalagem sem sequer saber quem foi Lygia Pape ou sem saber quem criou as embalagens antes de ler o artigo aqui escrito.

    Gostei das novas embalagens. Na minha ignorante visão de consumidor e empresário que sou, as embalagens estão melhores e podem alavancar as vendas (ou não).

    Como disse alguém em um comentário, ninguém melhor do que o consumidor para avaliar um produto. Afinal, quantas pessoas irão pensar em “Gestalt” ou “Metaesquema” na hora de comprar este produto?

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    1. Eduardo, é claro que o consumidor nem precisa saber o que é Gestalt para gostar de uma embalagem. Mas a prova maior da eficiência de Lygia ao usar este e outros recursos nas embalagens da Piraquê é a comoção que este assunto vem causando aqui no blog, na imprensa e nas redes sociais desde que meu primeiro post foi publicado, em 2009. Há 4 anos isso vem sendo tratado com carinho e reverência por milhares de leitores, que pensam um pouco diferente de você.

      Prepotência, para mim, é destruir um projeto de uma artista como Lygia Pape só para ter a sensação de que está “fazendo algo novo”.

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      1. Cara, os comentários são em razão da sua atitude e não da empresa em tomar uma decisão. Certa ou errada só se saberá ao longo do tempo não será apenas avaliada pelo design. Assim como não é o projeto visual a única estratégia que vai sustentar a marca. Ingenuidade sua achar que a decisão foi por se acreditar “fazer algo novo”, ou é falácia criada para poder justificar a sua argumentação.

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    2. Eduardo, corajosa a sua auto-crítica ao assumir a atitude com que você vê o tema (“Vejo com muita prepotência …”). Parabéns.

      De todo modo, sugiro ver sem “muita prepotência” e perceber que o debate gerado pelo artigo, já ao longo de anos, é muito mais valioso que qualquer opinião apresentada, contra ou a favor disso ou daquilo.

      Também o parabenizo pela autocrítica, onde assume a sua ignorância, e reconheço que você está certo: embalagens podem ou não alavancar vendas, assim como uma moeda lançada pode cair cara ou coroa.

      Ao reafirmar que “ninguém melhor do que o consumidor para avaliar um produto” você está certo. Não é crime repetir o óbvio.

      Respondendo à sua pergunta, ouso dizer que pessoas (talvez em quantidade inimaginável para você) são sim, influenciadas por “Gestals”, “Metaesquemas” etc. Essas coisas existem e causam efeitos na mente das pessoas, mesmo nas que não consigam descrevê-las ou nomeá-las.

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  39. Bom, não sabemos como foi pensado essa mudança, se foi ou não feita uma estratégia, se foi ou não feito uma pesquisa com o público alvo. Aprendi sábado com o Sebastiany que sempre devemos lembrar que quem manda no produto é o consumidor, não é o designer, nem o dono da marca. Se o público alvo vai ser melhor atingido dessa maneira, com essa nova embalagem, sendo um crime ou não, esteticamente melhor resolvida ou não, é ele que vai comprar o produto.

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  40. Daniela, parabéns pela iniciativa de nos chamar a atenção para o tema!
    É uma alegria saber que a minha infância teve a presença permanente de Lygia Pape, e de uns quilinhos a mais por conta dos biscoitos.
    Realmente é impressionante a simplicidade e ao mesmo tempo a qualidade do padrão. A mudança faz parte do nosso processo de emburrecimento e desqualificação, principalmente quando o design gráfico passa a ser uma mera manipulação de softwares sem conteúdo.
    Viva Lygia Pape!

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  41. Prezada Daniela,

    Hoje, passado um bom tempo da publicação desse artigo magistral, vale registrar a sua rara contemporaneidade.

    O tema escolhido, o seu conhecimento de causa, seu raciocínio e redação impecáveis ajudam, mas é o talento incomum que gera a qualidade necessária para que o texto permaneça impérvio a datações.

    Parabéns e obrigado pela aula.

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  42. Tinha que mudar de cara mesmo, os biscoitos piraque não são mais os mesmos, quem conhece e consome sabe que estão bem ruins murchos e sem graça, as embalagens tendem ir pelo mesmo caminho.

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    1. Então pq perdeu seu tempo em postar ? Se discorda do texto, tenha inteligência de contra-argumentar e não simplesmente criticar dessa forma vazia e inócua. Ou como dizia minha avó, se não tem nada de útil pra dizer, exerça o divino direito de ficar quieto …

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  43. Você escreveu de forma sublime com a perfeita definição que estas obras de arte comestíveis merecem. Não há embalagem igual no Brasil. São clássicas e belas.

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  44. Foi muito bom encontrar seu blog que me faz refletir sobre a relação entre design e neo-concretismo e atualizar essa relação para design-produção-consumo. O trabalho da Lygia é super original e tem o fundamento que buscamos passar para os alunos nas aulas de Linguagem Visual. Original e atual. A maneira como você editou suas idèias vale uma aula.sobre técnicas visuais que a dama da Piraquê soube valorizar também em suas aulas no Mestrado em Artes Visuais, quando fui incentivado a escrever sobre o Parangolé de Hélio Oiticica e a roupa de Egungun no candomblé.
    Parabéns!!!

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    1. Professor!!! Há quantos anos!!!! Lembra de mim? Eu dançava e fazia comunicação visual na PUC. Adorava suas aulas.
      Daniela, também adorei saber que o projeto gráfico (será que chamavam assim?) era da Lygia Pape. E fiquei triste por saber que vão mudar… Acho que seria bem mais barato e eficiente se a Piraquê fizesse uma campanha divulgando a criadora e o processo de criação de sua identidade visual original…

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    2. ola amigo, gostaria de mais informacoes sobre sua pesquisa. esta relacao entre o trabalho de HO e os egunguns do vodum me interessa bastante. poderias entar em contato? gratidao!

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    3. Sempre leio os comentários pra ver como anda o debate, eis que me deparo com meus professores comentando. =)

      Grande Valério, uma pena que não me verá formado. =(

      Eu acredito que a proposta de ‘modernização’ das embalagens foi equívoca. É um crime sim você ‘tentar’ modernizar uma embalagem e fazer com que a mesma perca a identidade que ela conquistou durante anos. Uma identidade que tem um conceito, um estudo por trás.

      De certo a nova embalagem foi feita por marketeiros/’sobrinhos’, que fizeram um layout baseado em seu próprio gosto. (É o que mais acontece hoje em dia, nas pequenas, médias e grandes empresas).

      Enquanto a cultura e a forma de pensar/trabalhar do brasileiro não mudar, vamos continuar vendo essas atrocidades.

      Bjos Daniela.

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  45. Muito bacana Daniela, já acompanhava vc como crítica no Globo e adorei seu blog. Indiquei para os meus alunos de Artes Visuais e História da Arte do CEFET-RJ. A Lygia era genial, fui aluna dela na EBA, uma das experiências mais interessantes da minha vida. O projeto dela para a Piraquê é incrível, pois alia o conceito a forma, uma pena essas mudanças, pois eles continuam atuais. Enfim, parabéns! E beijos.

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  46. Parabéns pelo post, eu como estudante de design, fico extremamente triste por tal atitude da empresa piraquê, porém estas embalagens estarão para sempre na memória..

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  47. Uma verdadeira aula! Aprendi muito aqui com esta leitura. Especialmente sobre a “humildade x vaidades profissionais” , que muitas vezes destroem uma história, sem o menor respeito pelo que foi feito de bom, e que ainda permanece bom e atual.

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  48. A reformulação das embalagens caminha pari passu com a reformulação das receitas da indústria alimentícia brasileira, que sempre manteve excelência diante de muito alimento industrializado norte-americano ou canadense (tem coisas que eles simplesmente não sabem fabricar sem usar gordura trans, por exemplo). Notem que muitas empresas vem sendo compra de Pepsico e afins. Percebam também o gosto dos produtos da Pepsico. O Toddynho é um bom exemplo. Atualmente, esta bebida láctea (com foco no público infantil) tem gordura hidrogenada! Quando eu era criança, até os meus vinte e poucos anos, se bem me lembro, a fórmula do Toddynho não usava essa coisa nociva. Enfim, é uma mistura explosiva: “a fome com vontade de comer” representada pelo olho grande da indústria brasileira que se vende aos milhões da Pepsico (um empresa que não está nem aí pra nossa tradição alimentícia, lembrando, inclusive que corporação norte-americana adora impor o gosto deles aos consumidores de outras culturas, isso é sério, não é mania de perseguição), o governo que não limita essas transações (que são de interesse público, pois a população ingere esses produtos) e, para finalizar, o pessoal novo que entra para o quadro de publicidade dessas Piraquês da vida e querem deixar “sua marca”, “mostrar serviço”, mas só mostram ignorância.

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    1. Era + legal com as embalagens originais que tinham mais qualidade gráfica, eram mais inteligentes. Mandei email e tudo me manifestando.
      Não tem nada a ver com saudosismo, é questão de bom desenho, como o logo da Kibom e Maizzenna e também de manter uma identidade.
      Não tem nada demais em manter uma embalagem tradicional, é até tendência.
      As pessoas criam embalagens novas com aparência “vintage”.
      Veja o Chanel nº 5. Você mudaria?

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    2. Renovar o visual de uma logomarca ou embalagem é uma coisa; fazer lixo com qualquer um, é outra coisa bem diferente! Alguém sabe o nome do estúdio ou agência de publicidade?

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  49. Com a Piraque pirando e modificando embalagens, como vou achar o biscoito da “vaquinha” ? Vou ter que procurar pelo bicoito maltado??? rsrsrs O biscoito da “vaquinha”… Todo mundo conhece!

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    1. O biscoito da vaquinha ainda tem a vaquinha, é o menos adulterado, se isso te serve de consolo, Cristiane. Mas foi bastante mexido tb, embora preserve ao menos este elemento fundamental.

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  50. Essa conversa sobre mudança de design (e consequentemente de identidade do produto) me lembra a reformulação pela qual a revista Seleções do Reader’s Digest passou no ano de 2008. Até a fonte com o nome da publicação foi reformulada. Coincidência ou não, a revista entrou em derrocada a partir de então e hoje está muito mal das pernas, demitindo um profissional atrás do outro no departamento editorial (inclusive o Sérgio Charlab, Editor-chefe da publicação há tantos anos, dançou sob a alegação de “corte de custos”).

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    1. Daniela … Parabéns !

      Voce deu uma visão profissional ao fato.
      O problema é que atualmente dentro da maioria das empresas temos pessoas trabalhando sem o menor preparo decidindo este tipo de mudança. E é por isto que valores importantes são perdidos no tempo.
      No decorrer da história todos perdemos, pois trabalhando sem conceito e achando que os programas de computadores fazem tudo bonito e por isto não precisamos pensar, ou não precisamos contratar profissionais de verdade … a raça humana perde o discernimento e nosso mundo pode ir ficando pior.
      Por isto é muito bom quando a gente encontra determinada resistencia ou quando alguém diz `”perai …precisava parar para pensar um pouco ˜….se a necessidade era somente fazer com que o nome Piraque aparecesse um pouco mais , ou qualquer que fosse a necessidade…. poderiam existir outras soluções melhores, com certeza!
      Cabe a cada profissional designer, que se ve diariamente com a obrigação de colocar nas prateleiras uma imagem revolucionária que salve seu produto e o coloque em boa posição no ranking, parar e colocar a mão na consciencia para perceber sua responsabilidade.

      No mais lamento a nossa falta de preparo para evoluir.

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  51. Em parte concordo com a Vanessa Anacleto !
    O que mais me faz curtir mesmo, é o lance da criatividade no simples, observar a volta, sem que isso seja o obrigatório, é a viagem do artista mesmo …
    Parabéns !

    Paula Morgado

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  52. Ah, que beleza de artigo! A Piraquê deveria saber que não só entendidos em artes visuais como você podem sentir o baque. Depois de anos, anos mesmo sem comer o biscoito queijinho, ontem , – que coincidência – aguardando sorologia para saber se meu filho estava com dengue, um menino entrou com esse pacote de biscoito com nova roupagem e meu filho pediu para eu comprar numa daquelas máquinas que servem automaticamente. Fomos lá e quando peguei o pacote na mão pensei logo: ” Por que mudaram isso ? Para parecer mais moderno, está totalmente desinteressante!” Excelente seu artigo.

    abraço

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  53. Apesar do discurso ‘recheado’ de nostalgia e melancolia, esse artigo é uma verdadeira aula sobre comunicação visual, história da arte e outras ‘guloseimas’… Parabéns!

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    1. O bom design é alavanca para nossa memória e nossa subjetividade, Fabio. Daí a nostalgia. Mas não estava melancólica na época que escrevi este artigo e nem agora. Estava era com raiva mesmo. rs rs rs

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  54. Estou fazendo um trabalho sobre reformulação de embalagens na faculdade, AMO os biscoitos da Piraquê, e sempre achei curioso o fato de as embalagens pouco mudarem, e agora entendi a razão. Todos os comentários aqui, esse post, tudo, vai me ajudar muito na minha criação. Escolhi a do biscoito recheado de limão pra reformular, vou, humildemente, tentar dar o melhor de mim..rsrs
    Vlw e PARABÉNS pelo post!!😉

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    1. Hilrelli, se tiver a oportunidade, vai na nossa Biblioteca Virtual e dá uma lida no catálogo do “Diálogo concreto”, a exposição em que abordei as embalagens da Lygia. Acho que reformulações fazem parte da história de uma marca, mas, se possível, tente guardar uma semelhança com o que fez a Lygia. História visual é patrimônio de qualquer produto, concorda? Beijos, boa sorte e obrigada pela sua visita.

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  55. Eu já escrevi antes …
    As embalagens precisam sim se modernizar, evoluir e buscar novos consumidores, novas gerações. Mas a qualidade dos produtos deve ser pelo menos mantida ou melhorada, ao contrário do que a Piraque fez com os biscoitos. Mudou as fórmulas para pior.
    Eu tentei, tentei, acreditando que fosse um problema isolado do lote, mas chegou uma hora que a saída, foi buscar a concorrência.
    Os meus filhos reclamavam e se negavam a comer os biscoitos da nova fórmula, pedindo que eu comprasse uns biscoitos de melhor qualidade.
    Comprei um pacote de cada marca concorrente e de renome no mercado, até achar o produto ideal. Achei!
    Não dava mais para comer aqueles biscoitos massudos !
    Já que o fabricante não se importa com os seus consumidores, estes procuram quem se importe.

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    1. o problema dos biscoitos que não são massudos é que eles tem um monte de gordura para deixá-los assim…antigamente eles não existiam, e a gente não achava Piraquê massudo!

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  56. bom achei esse post super interessante; pois alem de consumidor sou funcionario da piraquê, trabalho na area de entregas. ou seja convivo com muitas criticas diarias de donos de mercados,padarias,mercearias etc. e ate de consumidores que me param no meio de uma entrega para fazer uma pequena critica. realmente ficou horrivel as novas embalagens. falo por mim e falo por colegas de trabalho que comentam sobre essas novas embalagens todo mundo critica. ha tem um pequeno dealhe que muita gente nao percebe o recheio dos biscoitos recheados diminuiram muito. o recheio do goiabinha entao nem se fala. preciso ser sincero com os leitores a empresa esta no comando de filhos e netos do doutor colombo; creio que por isso tivemos essas mudanças.

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      1. Mauro, infelizmente não tenho esta informação, mas curiosamente a Piraquê ainda funciona como no tempo de Lygia: tem uma estrutura bem familitar. Talvez seja até uma contratação isolada. Sei apenas que as primeiras embalagens foram alteradas por uma designer e não por um designer. Beijos e, se descobrir, me conta! Vou adorar saber.

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  57. O problema da Piraquê não foi com as embalagens, foi com a fórmula dos biscoitos salgados : Creme Cracker, Água e Sal e Gergelim.
    Os biscoitos que antes eram crocantes, gostosos, hoje são massudos, um horror! Acredito que quiseram seguir o padrão europeu, aonde os creme crackers, são assim … não muito bons.
    Eu desde menina, só comia Piraquê, era mais caro mas não tinha importância. E não é problema de lote, é problema de fórmulação (devem ter mudado a farinha, o modo de fazer, ou coisa que o valha). É só a Diretoria analisar a queda nas vendas e constatar o porque. Hoje a Piraquê veio aqui em casa e trocou um pacote fechado de creme cracker por um outro. Abri, comi um e não consegui comer + nenhum.
    Já que o Controle de Qualidade da Piraquê, deve trabalhar para a concorrência …, os donos da empresa não devem se importar com a queda nas vendas e querem ir à falência … Estou mudando de marca.
    Para um concorrente que respeite o gosto do consumidor brasileiro.
    E olhe que não sou sou só eu. Com os amigos que conversei … já mudaram para a concorrência. É só lamento para a Piraquê.

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  58. Daniela,

    Muito interessante esse seu post antigo sobre as embalagens da Piraquê (e uma pena que elas estejam sendo modificadas).

    Além de adorar os biscoitos (nem sempre fáceis de achar em Porto Alegre, onde morei até 2007 e em Brasília, onde estou agora), sempre achei o design gráfico das embalagens da Piraquê fenomenal – simples, direto, altamente comunicativo e muito elegante. E não sabia da história que havia por trás de seu desenvolvimento, muito menos do pioneirismo da forma das embalagens. Vivendo e aprendendo.

    Hoje, resolvi ir atrás da história das embalagens e felizmente topei com seu blog. Parabéns!

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  59. Daniela,
    Ótimo post e comentários. Infelizmente no nosso país não se dá o devido valor a exemplos classicos de produtos de sucesso. Se tornam icones do design e nem notamos. O projeto da Ligia é um destes exemplos e a atualização poderia ser feita…mas com muito cuidado!
    Veja a Coca-Cola, até hoje não abre mão das suas formas classicas, seja nas embalagens seja no logo. Como disse um de seus comentaristas, seria um tiro no pé, se assim fizesse. Os caras da Piraquê jogaram fora um icone da nossa cultura material e em nome do quê???
    Estive na exposição, assim como recomendei a meus alunos. Muito bôa!

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  60. Belo registro, Dani.

    Acho que há confusão entre seus comentaristas, alguns tratando da qualidade do produto e sua possível queda com o tempo, outros menosprezando o poder da comunicação personalizada da embalagem.

    A Piraquê é um sinônimo industrial carioca, por certo, e o projeto completo – embalagens, marca etc – marca gerações. É evidente que o bom design não está imune ao tempo, sendo necessária a intervenção delicada para atualizá-lo, e, quando necessário, refazê-lo. Não acho que seja o caso de nossa conterrânea, talvez mais propensa à manutenção e correção. Um material de forte identidade como esse tende a perder até pela história imagética, pela mancha que já nos conforta.

    Esses equívocos geralmente estão ligados a fusões industriais onde o branding brande (não resisti) seu carpete ignorando regionalismos. A Kibon que o diga.

    Pena que não haja mais design fora do óbvio. Tudo ganha título grande, selo óbvio como que ignorando o poder do conjunto. A redundância prevalece.

    PS1.: As atuais campanhas impressas da Granado são uó.

    PS2.: Ainda sobre a redundância, já pensei em estudar e confrontar o verdadeiro poder do design de um jornal frente ao título, como no caso d’O Globo, que nos anos 50 misturava a marca às notícias. Hoje, todos seguem um mesmo modelo.

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  61. Sei não se é um “crime”, viu? Sei não se é tão “poluidora visualmente” assim, viu? Temos que valorizar trabalhos bem feitos, lógico, mas isso não significa dizer que tenhamos que nos prender a eles: outros trabalhos podem, também, ser bem feitos e podem, também, ter reconhecimento e identificação do público. Se formos nos apegar às coisas apenas por uma questão de tradição, estamos fodidos!

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  62. Uma vergonha ter copiado a embalagem sou totalmente contra. Mas as embalagens da Piraque foram no meu criterio sempre pobres. O Fato de Ligya Pape ter criado as embalagens não quer dizer que sejam boas e muito menos atuais. Sobre se é um crimem ter alterado a embalagem. Bom a nova est;a tão ruim quanto a antiga.

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  63. Belíssimo merchandising da Piraquê. Nada como criar uma polêmica para vender um produto. Estou pensando em ir comprar os salgadinhos…

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    1. José, do fundo do meu coração… acho que a Piraquê não pensou nisso. E acho que está dando um tremendo tiro no pé com esta reforma das embalagens. Bjks e obrigada pela visita.

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  64. Post maravilhoso e discussão magnífica, esta aqui nos comentários.
    Mandei um e-mail à Piraquê, esclarecendo-lhes a importância da própria identidade visual. Talvez eles ainda não tenham se dado conta de que tinham ouro na mão e que o estão trocando por merda.
    É muito comum que uma empresa troque de presidência e o novo administrador queira mostrar serviço e acabe fazendo essas besteiras. Principalmente no Brasil onde não existe uma cultura de valorização do design.

    Vamos ver no que vai dar!

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  65. Oi Daniela, tudo bem?

    pô, que pena que eles vão mudar! Quem sabe com uma pressão popular a Piraquê muda de ideia? Isso deu certo quando a Garoto trocou a receita do recheio do bombom Serenata de Amor – trocaram a massa de castanha de cajú por uma de amendoim. Depois de muita reclamação do público voltaram ao original (se não me engano o de amendoim ainda é vendido no Sul do Brasil).
    Queria te dizer que estas embalagens foram enviadas por mim este ano ao incrível “Die Neue Sammlung – The international Design Museum”, em Munique – vai lá: http://www.die-neue-sammlung.de, a pedido da curadora-chefe deles. Se esse fato te ajudar em alguma manifestação, me avise que te dou mais detalhes. Meu email é mandacarudesign@gmail.com
    Beijocas

    Bebel

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    1. Puxa, Bebel, adoraria que o blog fosse potente o suficiente para virar “pressão popular”. hehehehe. Mas hoje fui a uma banca de jornais aqui no Rio, em Ipanema. Havia Piraquê para vender, já nas embalagens novas. Perguntei à vendedora, me fazendo de desentendida: “É Piraquê?” E ela: “É moça, não ficou horroroso este cor-de-rosa?” (Ela se referia à embalagem de Presuntinho, que ganhou uma tarja nesta cor) E eu: “É…” Mais moça: “E os fregueses confundem, acham que é outro biscoito, e acabam não levando”. Ou seja… me parece um tiro no pé, não?

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      1. Excelente artigo, Daniela. Ao ler o texto, a primeira coisa em que pensei foi o fato de os consumidores não reconhecerem mais as embalagens e pensarem que se trata de outro biscoito. Já vi muitas mudanças de embalagens/design ao longo dos anos, como o Juquinha das balas Juquinha (tenho saudade do topete Elvis que ele ostentava, ao invés da atual cabelereira Beatle), o Cremogema, a geléia de Mocotó Colombo e vários outros produtos.
        O que me deixa mais triste é o nome do biscoito escrito em inglês. “Ham snack”? Que coisa irritante as empresas acharem que coisas escritas em inglês têm mais status! “Presuntinho” é um nome super carinhoso, e a Piraquê acaba exterminando a relação carinhosa dos compradores com o produto.
        Eu estou morando nos EUA, e recentemente acompanhei o caso do suco de laranja Tropicana, que mudou sua embalagem depois das alegadas “pesquisas de mercado”. Os consumidores não estavam reconhecendo as embalagens novas, sem a clássica foto da laranja com um canudo espetado. Além disso, a embalagem nova parecia com a dos produtos genéricos, e os clientes não compravam por pensar que a qualidade não era a mesma.
        Os americanos têm muito amor à sua “pop culture” e pararam mesmo de comprar o suco, até a companhia anunciar publicamente que estava voltando para a embalagem original. Vitória das massas!
        Tenho tanta pena que os brasileiros não sejam organizados assim para preservar a própria cultura.
        Mas não se engane, a blogosfera é um veículo importante, e, aos poucos, sua voz (e a nossa) vai ser ouvida!
        Força sempre!

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  66. Valoroso e criativo os seus comentários sobre marcas tão tradicionais, entretanto ficou esquecida a marca dos Biscoitos Globo (aquele de polvilho) vendido nos sinais de forma artesanal porém sucesso absoluto.
    Duvido que exista algum carioca que não tenha experimentado um e no final acabou com o saco!…

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  67. Quem poderia upar fotos das embalagens tradicionais da Piraquê? Seria uma boa maneira de termos a linha clássica disponibilizada para todos verem e analisarem.

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  68. Lamentável. Fiquei triste com a notícia. Sugestão: já que a Piraquê quer renovar sua identidade, disputar melhor no varejo e tals… crie duas versões: uma “repaginada” e mantenha uma linha “classics”, com as embalagens originais. Posso estar falando besteira, tipo, isso teria um custo maior na produção etc… mas certamente seria uma atitude de respeito com seus consumidores fiéis.

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  69. Bem, eu não sou da área de design gráfico ou propaganda, somente uma dona de casa antenada e o que observo é que as marcas tradicionais, talvez para seguir a modernização global, mexem em suas embalagens, até mesmo os produtos, como é o caso da própria Farinha Láctea que já foi ótima e hoje parece areia, mas voltando aos rótulos, percebo que copiam muito o modelo americano, mas não se importam com o que nós, consumidores fiéis, pensamos e queremos. Se mudarem a fachada do polvilho antisséptico Granado e outras já conceituadas, com certeza muita gente vai notar isso. Pelo que o leitor Marco Brito comentou, vejo que as grandes fábricas não têm esta consideração pela nossa fidelidade.
    Achei muito lindo e interessante o post. Parabéns pela sensibilidade acima de tudo!

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  70. Só faltava essa: eu continuar comprando determinado produto pq a embalagem permanece, mesmo q o produto perca qualidade. Uma coisa é a simbologia a q a embalagem do produto remete em cada um, e isso extrapola completamente o mercado consumidor. Não é a toa q as embalagens pra exportação já tivessem outro design, nem à toa a resposta q a Piraquê deu ao e-mail de alguém q comentou. Eu particularmente compro biscoitos e não embalagens. Bom tb a pesquisa q alguém mencionou q diz q a manutenção da embalagem por anos remete à imobilização: se eu andasse vestida com um Dior criado em 1965 pelas ruas achariam no mínimo estranho pq o mundo anda. E ninguém q vai ao mercado fica observando o design gráfico, a arte das embalagens. Isso é pra técnicos. Cabe, inclusive, por respeito àqueles q resolveram investir técnicas artísticas aos usos cotidianos um espaço de preservação dedicado à arte aplicada, por exemplo. Gostei das fotos das embalagens, não tem nada de embaralho. Simples e preciso: marca e de q biscoito se trata. Afinal, é pra isso q eu vou ao mercado.

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  71. Cara, eu odeio mudanças à toa, só pra falar que mudou.. muitas agências e empresas pensam assim, e isso é horrível… esta mudança na Piraquê é totalmente desnecessária! Depois reclamam que o design gráfico brasileiro não tem identidade própria!… Desse jeito não vai ter nunca! Já não bastasse a catástrofe que fizeram com o Glico, da Ebicen…

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  72. Lygia Pape, foi inovadora, osada, estava sempre buscando em suas obras de arte a interação com o espectador. Sua intenção sempre esteve além das condições mercadológicas, seu ludismo, e a sua liberdade particular podiam ser vistos pelo modo com que sua obra estava disposta, desde o ínicio, a experimentar, como uma ampla gama de linguagens e formatos. Lygia, estava sempre além de seu tempo, foi a primeira artista neoconcreta, a interagir com o espectador, logo depois se torna presente nas obras de outros artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark… Porém foi Pape que trouxe a emblemática a tona, e até rompeu com o concretismo.
    “Nunca faço um trabalho relacionado a uma época mas, sim, a uma forma própria de conhecimento, que busco materializar ali… Acredito ter conseguido o máximo de síntese e de expressão tão grande ao Livro, que ele não envelhece” Lygia Pape
    O mesmo poderia ser dito as embalagens dos biscoitos piraquê. Sem dúvida, serão embalagens que jamais irão envelhecer, sempre nos lembraremos delas, e quando entrarmos no mercado mesmo sabendo que já mudaram, ainda sim vamos procurar por elas, e ao chegarmos as prateleiras e nos dermos conta que mudaram as embalagens dos biscoitos piraquê, pensaremos no nosso inconciente, ué a marca mudou?

    Estou fazendo um trabalho sobre vida e obra de Lygia Pape e estou encantada!
    Muito legal o seu blog, a análise feita das embalagens, a recordação de Lygia Pape… Sucesso na sua carreira!

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  73. Uma vez enviei um e-mail emocionante pro SAC da Piraquê contando a história de como o biscoito de leite maltado (com a embalagem amarela estampada com vaquinhas) havia marcado a minha infância e no espanto que tive ao encontrar pra vender numa pequena mercearia depois de muitos anos achando que ela havia sido extinta da produção. Relatei a minha emoção ao ver a “bolacha da vaquinha” e cheguei a mencionar que o fato deles não terem mudado o design da embalagem fez com que muitas lembranças viessem a tona. Enfim. Contei toda a história e disse que sentia muita falta de encontrar esse produto nos pontos de venda.

    Não que eu esperasse muita coisa em troca desse e-mail, mas a resposta fria deles me deixou decepcionado.

    “Prezado Cliente,
    Os biscoitos são distribuidos nos seguintes pontos de venda:
    e depois disso uma lista de endereços de supermercados.”

    mais nada…

    Acho que eles não tão esquentando muito pro que pensam os consumidores e nem na relação que eles podem ter com a marca.

    É uma pena que as embalagens tão marcantes sejam descartadas.

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  74. Conheci um pouco do trabalho da Lygia Pape através do projeto experimental que tive que desenvolver para conclusão do meu curso de Publicidade.
    Para isso foi desenvolvido uma campanha para a Piraquê, onde também fizemos pesquisas com o público de 16-25 anos…
    A impressão que a maioria tem é que os produtos não existem mais, que “pararam no tempo”, ou seja, o que foi novidade há anos atrás, hoje em dia não é mais e perde lugar na gôndola para os concorrentes. Para amantes de arte e quem é do ramo fica claro a indignação, porque realmente ficaram feias, além do que, quem as alterou se apropriou apenas, porém o trabalho é feito para o público consumir cada vez mais, não para nos agradar, quem compra não está preocupado que artista as desenvolveu, somente se a foto enganosa do biscoito feita em 3D do lado de fora está bonita.

    Coloquei algumas peças que fiz para esse trabalho no meu flickr:
    http://www.flickr.com/wagnov ;D

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    1. Wagner, muito obrigada pelas suas informações tão preciosas. Vou lá ver seu trabalho com certeza. Mas tendo a achar que o público consumidor está ao menos dividido: afinal de contas, tem gente dizendo aqui que só compra Piraquê por causa da embalagem. Eu sou uma, aliás. Eles acabam de perder uma consumidora. A gordura hidrogenada não faz sentido sem Lygia Pape e a memória afetiva🙂

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  75. Olá! Eu sou designer e até aprovo a Piraquê querer mudar suas embalagens clássicas. Mas certamente ela está fazendo do modo errado, sem procurar fugir do lugar comum. Se eu fosse o designer das novas embalagens eu procuraria fazer uma mescla do clássico com o moderno, e claro, sempre respeitando o trabalho da sensacional Lygia Pape.

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    1. Oi, V, acho que o ponto é este. Ninguém tá aqui dizendo que a marca tem que parar no tempo com sua identidade visual. Mas respeito é bom e a gente gosta. Respeito pela Lygia, pela história e pela inteligência do consumidor. Poderia haver modernização, claro. Mas coerente com a identidade visual do produto e com o trabalho desta artista incrível.

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  76. sou artista plástica, apaixonada por cores em particular, e eu lamento profundamente que a Piraquê esteja cometendo essa atrocidade. eu vi essa exposição aqui no Rio de Janeiro,sob sua curadoria, Daniela, e fico muito triste que outros interesses passem por cima da identidade visual brasileira. mas sabe por que isso acontece, Daniela? porque (quase) ninguém entende de Arte no Brasil.Nenhuma escola ensina arte como deveria, os grandes empresarios não valorizam o design brasileiro, a (falta de) cultura no Brasil é uma desgraça…então eles não estão nem aí prá identidade visual brasileira. e agora, só temos a lamentar…

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    1. Oi, Flavia, que legal que vc viu o “Diálogo concreto”. Tenho muito orgulho desta exposição e da resposta que o público deu a ela. Volte sempre aqui no blog, tá? Bjks

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  77. Ótimos texto, Daniela.
    Mas discordo da sua opinião.

    Gostei das novas embalagens, sinceramente, destacam-se nas prateleiras. Talvez não tenham uma durabilidade tão grande quanto as anteriores, mas atualmente isso não é fundamental. É possivel que um novo redesign aconteça em breve e isso não é ruim.

    Também não acho que a nova embalagem esteja poluída, vejo que eles quiseram quebrar a simetria do modelo de Lygia Pape. Não acho dispersa, vejo hierarquia de informação.

    O importante é esse seu trabalho de preservação e valorização do design brasileiro e suas personalidades de destaque, como a Lygia. Infelizmente perdi essa exposição na Caixa Cultural. Foi feito alguma publicação? Gostaria de ver esse material e ler sobre o assunto. Apesar de ter estudado História do Desenho Industrial 1 e 2, e de ter sido aluna da Lygia, não sabia desse envolvimento dela com as embalagens da Piraquê.

    Como se vê, mais importante que manter as embalagens é registrar a história e repassá-la. E nesse sentido, agradeço sua contribuição.

    Abs!

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    1. Oi, Cintia, tudo bom?
      Legal sua argumentação, vou pensar a respeito. Apesar de meu interesse por design, sou crítica de arte e jornalista, então é sempre bom ouvir alguém que realmente está se profissionalizando no assunto, para poder ter um segundo olhar. Tendo a achar que, comparativamente, o novo pacote some na gôndola e que houve uma mudança muito radical neste redesenho, que rompe com a história da identidade visual da Piraquê. Neste caso, uma identidade visual que vem assinada por alguém muito importante, nada desprezível. Não sou contra a mudança e acho que houve marcas no Brasil que fizeram a modernização de seu visual muito bem feita – caso do Leite Moça, da Phebo e da Granado. Mas acho que o redesenho devia tomar o desenho da Lygia como ponto de partida.

      ===

      Diálogo concreto teve catálogo sim! Manda um email com seu endereço para daniname@gmail.com e eu faço chegar às suas mãos. Obrigada pelo interesse. bjks

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  78. Escrevi mais acima, mas resolvi comentar aqui tb, pq achei o assunto interessante. O comentário do “Leonardo” foi o mais sensato até agora q eu li. Dizer q as embalagens de atum, ou de biscoito, ou de sardinha não tem identidade é q pode ser um crime, ainda mais pra alguém q se afina com design e arte aplicada. O q pode estar sem identidade, e é o mais provável, é o gosto dos produtos. Nesse aspecto, há séculos deixei de comprar Piraquê pq deixaram de ser os melhores biscoitos. Sem falar na média de preço. A Piraquê claramente tem perdido clientela nos grandes mercados devido à concorrência – fatores não só de gosto ou preço e tb embalagem. Tais embalagens servem como memória de uma época, certamente, assim como determinados anúncios publicitários (consulte-se, por exemplo, o arquivo da Revista Veja, q está por completo online). Querer q eles permaneçam é achar q a cultura visual, mesmo a do cotidiano, é imutável, e se prender ao passado com justificativas técnicas saudosistas apoiadas em certos grandes nomes, como se por si só garantissem algo. Eles são grandes nomes daquela época. Merecem todo o respeito por esse fato. Inclusive com a preservação de embalagens e de outras produções, mas em outros espaços. Concordo tb com o “Leonardo” q o consumidor pode fazer muito mais associações bizarras e complexas do q figuras simplificadas, q não parecem caber mais no universo de cultura visual atual. Sinônimo de sucesso não significa necessariamente permanecer na embalagem por longos anos. Pode significar concorrência precária, qualidade do produtos mais q da embalagem, produção de design fraca posterior à adotada nas embalagens. E sem dúvida é uma chatice ter as mesmas embalagens por anos e anos, vc vendo as mesmas cores e formas no mercado e em casa. Mudar faz parte da roda da História, ainda bem!

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  79. Ótimo o trabalho de preservação de memória das obras de Lygia Pape, no entanto discordo sobre a visão tomada sobre a alteração das embalagens da Piraquê.
    Empresas grandes e que atuam no varejo, como a Piraquê, estão dando cada vez mais importância para as embalagens de seus produtos, pois mais de 80% das compras são decididas no ponto de vendo, o que mostra que o consumidor é influenciado por embalagens, displays, wooblers e outras materiais de pdv.
    Tendo isso em vista, pode-se dizer que à época de sua criação as embalagens da Piraquêm se sobressaiam dentre as demais das gôndolas, porém atualmente todas outras empresas criaram embalagens que se destacam também.
    Talvez por isso a Piraquê tenha mensurado e percebido a necessidade de renovar suas embalagens. Nota-se que empresas grandes não fazem quaisquer alterações em embalagem, produto e comunicação sem que haja antes uma pesquisa de marketing.
    Os consumidores são capazes de fazer associações absurdas entre embalagem e produtos, por exemplo pensar que um produto da Piraquê é para classes baixas, pensar que é um produto para ser vendido no interior e em cidades pequenas, que o produto tira status de quem o consome etc.
    Apesar da necessidade de renovação das embalagens, concordo que elas estão ruins, mas chamam mais atenção e tendem a satisfazer mais aos consumidores que as embalagens da Ligia.

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    1. Leonardo,as manifestações aqui – todas de consumidores, porque é isso que nós somos, né? – me levam a crer que os consumidores não vão se satisfazer com as novas embalagens. O marketing da Piraquê erra o tempo inteiro. Basta dizer que a empresa têm anunciado nas bolachas de chope de bares tradicionais do Rio, como o Bar Lagoa. Onde NÃO há nenhum produto da Piraquê para ser consumido. Surreal. Gôndolas, displays, embalagens de outros formatos que redesenhem o projeto do original… tudo isso é válido. Mas a Piraquê não fez nada disso, só destruiu o que era bom.

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  80. Ai minha nossa!!! Esse biscoitos da Piraquê permearam toda a minha infância, sou carioca e vim morar em Natal-RN em 95, e aqui não tinham os biscoitos Piraquê, mas de uns anos para cá eles apareceream nos supermercados e é claro que fiquei super feliz e não paro de comprar. O do meu coração é o goiabinha, lembra muito a minha infância, as merendas da escola e as viagens do colégio, quando minha mãe comprava um monte de coisa gostosa para levar na viagem. O queijinho também sempre estava presente.
    Fiquei triste em saber da mudança de embalagem, vai parecer que estou comprando outro produto.

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  81. Infelizmente o consumidor final pouco se importa com essa linda harmonia entre arte e design, que todos nós aqui percebemos.
    O cara vai na gôndola e estica o braço pro mais colorido, o mais gritante e o mais “muderno”. A criançada, então, fica louca quando vê uns monstrinhos dando cambalhota…
    Contudo, é realmente lamentável ver a Piraquê jogar fora uma história tão rica. O caso do Áqua Light é o mais infeliz deles. A cópia do gringo é uma lástima.
    Para não terminar o comentário de forma negativa quero lembrar a iniciativa da Mabel, de voltar com a clássica embalagem do Skiny. Depois de cometer as mais crueis atrocidades com a embalagem voltou a usar o personagem bigodudo e o layout clean, original do anos 1970.
    Parabéns, Mabel, pela feliz tomada de decisão. Espero que seu exemplo inspire a diretoria da Piraquê.
    Parabéns, Daniela, pelo exelente post.
    Abraços

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  82. Como disseram aí, AGREGA VALOR. É a palavra que melhor define essa relação história/identidade visual/tradição/fidelidade. Ficamos no aguardo do caso da Coqueiro :}

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  83. É importante manter viva a memória das marcas que fizeram história, como essa. A renovação faz parte de qualquer empresa e de qualquer marca. Agora, mudar pra pior é incompreensível.

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  84. Concordo com o Luís, acho que a empresa vai perder muito. Muitos consumidores tem uma fidelidade com a marca pela sua identidade visual, eu entre eles. É como mudar o velhinho da Quaker, ou as embalagens do Leite de Colônia e da Granado; simplesmente não faz sentido, nem visualmente e muito menos comercialmente.

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    1. A Granado é um ótimo exemplo, Ludmila. Recentemente fizeram toda uma linha retrô, o que só agregou valor à marca. Eles mostraram como foram pioneiros no Brasil neste ramo de cosmética. Uma empresa que soube se renovar e se tornar bastante competitiva sem perder sua identidade.

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  85. Post maravilhoso. E realmente, é uma pena que a Piraquê não esteja ligada da importância que essas embalagens possuem. O pior é que é um tipo de coisa que deveria ser relembrado por eles sempre. Eles não estão jogando apenas a história do design de embalagens do Brasil no lixo, mas jogando parte da relação da Piraquê com essa história. É renegar tudo isso, é renegar a própria história.

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    1. Raphael, aconteceu a mesma coisa com a lata das sardinhas Coqueiro, de outro designer que é artista construtivo – este está vivo, Lygia morreu em 2004 -, o Alexandre Wollner. As embalagens originais eram lindas, comunicativas, muito eficientes. Mudou pra pior. Vou mostrar isso aqui ainda hoje.

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      1. Talvez, já que eles não voltaram atrás depois de tanto tempo, a mudança tenha sido boa para a marca, não?

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      2. Não sei, Helinho. Eu pego qualquer sardinha. Não há muitas marcas. Mas não distingo a Coqueiro… No atum tb é tudo igual. Falta identidade

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  86. Daniela,
    Muito legal aprender sobre o trabalho sensacional da Lygia Pape que eu não conhecia, obrigado.
    Acredito que a própria Lygia vai concordar que o design gráfico, diferente das artes plásticas, tem outros valores e esta substituição, renovação ou sei lá o que, faz parte do dinamismo do mercado, mas em certos casos quem mais perde é a própria empresa.
    Alguns produtos acabam conquistando consumidores fiéis e verdadeiros fans e neste estágio sua imagem passa literalmente a pertencer aos seus consumidores, o problema é quando a indústria não percebe isto e troca uma receita ou uma embalagem sem ouvir este público.
    São comuns os casos de empresas que voltam atras e revivem suas receitas ou embalagens “classic”.

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    1. Oi, Luiz, a Lygia morreu em 2004 e as mudanças nas embalagens começaram quando ela ainda estava viva. É claro que adaptações precisam ser feitas, principalmente as funcionais (como a fitinha vermelha que hoje facilita que abramos as embalagens sem quebrar os biscoitos). Mas a ideia do desenho da marca – quando ela é vitoriosa – precisa sobreviver. Beijos.

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      1. “precisa sobreviver”, por quê? as embalagens eram legais. ok. eram de uma grande artista. ok. mas por que não podem mudar? e não necessariamente mudaram pra pior. aqui estás desqualificando o trabalho de um outro profissional sem usar de “grande argumentos”.
        a que se considerar o teu saudosismo (e o de vários outros), pesando na avaliação da mudança. saudosismo que pode atrapalhar a avaliação.
        eu consumia piraquê quando criança. hoje, não tem mais aqui na minha região. mas não achei que a mudança seja esse desastre todo. até porque, as embalagens antigas, mesmo que feitas por uma grande artista, também estavam desatualizadas. acredito que a mudança deveria ter sido bem mais contundente.

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      2. Cristina, acho que argumentei bastante bem. O design novo não comunica algumas coisas básicas que o antigo comunicava, como o sabor do biscoito. No caso do Água, por exemplo, a troca do azul pelo preto simplesmente para copiar o Carr’s é desastrosa. A Piraquê errou duas vezes: na própria imagem, ao não fazer uma mudança de projeto gráfico coerente com a história da marca; e também com relação a um patrimônio cultural/artístico/imaterial que ultrapassa os domínios da empresa.

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