Na Pick Up do Dodô – 4 (parte 2)

Meu Ipod e a trilha de “500 dias com ela”

Falei que ia ser cara-de-pau o suficiente para sacar da bolsa meu Ipod e fazer uma participação especial na Pick Up  do Dodô, que no post anterior criou uma trilha especial para fim de namoro a partir de “500 dias com ela”.  Vou falar da trilha do próprio filme, um arraso, não paro de ouvir.

Se “Alta fidelidade” (pausa para um suspiro por John Cusack… 1,2,3… Pronto) era um passeio pelo melhor da história do rock, vazando testosterona por todos os poros, em “500 dias com ela”  temos um leque mais aberto para o pop.

Logo depois dos letreiros, o  desengonçado protagonista, Tom, entra no elevador onde vai se apaixonar por Summer. Garota esperta, é ela quem se aproxima, puxando papo sobre o som que vem dos fones dele:

“É Smiths?”. Era.  E não uma canção qualquer: “That’s a light that never goes out”, que você ouve no vídeo lááá em cima, direto do Ipod do personagem para o meu. Morrisey se desmancha e faz a bola rolar:

“Take me out tonight
Where there’s music and there’s people
And they’re young and alive
Driving in your car
I never never want to go home
Because I haven’t got one
Anymore”

Numa história de “garoto encontra garota” – porque é isso que o filme é – “Here comes your man“, dos Pixies, (clique no título das músicas para ouvi-las)  soa como sequência perfeita para os Smiths. Mas a trilha tem mais, muito mais. Doves (“There goes the fear”) e  Hall & Oates no momento delicioso em que Tom, eufórico, faz um pastiche dos musicais a caminho do trabalho, (re) veja aí embaixo.

Mas vamos voltar no tempo, como o filme faz toda hora. Bêbada depois de uma noitada no karaokê, Summer diz que adoraria ser amiga de Tom. Basta ele concordar, resignado, para ela lascar-lhe um beijo retumbante (Hum, você já passou por isso, não? Eu já…).

Dias depois, quando Summer finalmente fica Tom, avisa que não quer namorar…  mas anda de mãos dadas pela rua e brinca de casinha em todos os ambientes de uma loja de decoração. Ai, ai, ai.

No escurinho do cinema, chupando drops de anis, lembrei dos rapazes-Summer que beijei. E das vezes em que fui Summer (ajoelho no milho) com pobres-coitados.  Não dá pra sair sem arranhões de alguém assim. Os primeiros vem da paixão louca, bed in, sexo animado.  Mumm-Ra (“She’s got you high”), Feist (com a fofa “Mushaboom”), The Temper Trap (“Sweet disposition”, linda de doer) e os Bad Kids (“Black lips”) dão conta desta fase-idílio, lentes cor-de-rosa e hormônios em fúria.

Mas há outros machucados, que são (geralmente) simbólicos e têm a ver com a transformação do amor algodão-doce em algo dodói. A primeira-dama da França Carla Bruni (“Quelq’un m’a dit”) ilustra bem o módulo DR do garoto-encontra-garota.  Depois dele vem a raiva, ao som de Wolfmother (“Vagabond”), e a depressão ( Simon & Garfunkel, “Bookends“).

Embora esta última canção não tenha sido incluída na trilha de “A primeira noite de um homem”, a trilha do filme é toda de Simon & Garfunkel. Foi impossível não ver as semelhanças entre Tom e o então imberbe Dustin Hoffman, que tem sua iniciação sexual com Mrs. Robinson (Anne Bancroft), a vizinha bonitona e doida demais.

Ah, é isso aí: se não achar o caminho do divã, Summer vai acordar Mrs. Robinson aos 50. O pior é que a gente gosta dela mesmo assim.

One thought on “Na Pick Up do Dodô – 4 (parte 2)

  1. O karokê com umas das melhores canções que o pop(rock) já produziu dos anos 80 pra cá (Here comes Your man) valeria o filme, caso ele já não fosse bom.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s