Balanço 2009 – Vik Muniz, o fenômeno

"Medusa", Vik Muniz depois de Caravaggio

Virou moda falar bem de Vik Muniz, um fenômeno de mídia no ano passado graças ao panorama de sua obra, organizado por Leonel Kaz, que rodou o Brasil inteiro com uma gorda verba para a propaganda, e ao lançamento de seu catálogo raisonée pela editora Capivara.

Também virou moda falar mal de Vik Muniz: o sucesso estrondoso do artista – nos meios de comunicação e no mercado de arte – tem feito com que gente vá a público compará-lo a nomes como Romero Brito e Botero.

Numa boa? Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.  Pode soar um tanto arrogante alguém ainda jovem publicar com catálogo raisonée (Vik tem 48 anos e, pessoalmente, não é nada arrogante, muito pelo contrário. Mas podia muito bem publicar um super livro sobre sua obra, deixando o nome raisonée para beeem  mais tarde). A obra do artista também tem altos e baixos: nem é só sucesso, como deram a entender os inúmeros artigos publicados na ocasião da sua mostra; nem tampouco é apenas um exercício de um virtuose, que se aproveitaria da obra alheia com uma operação quase matemática, como querem os outros.

Nem paraíso, nem embuste, mas uma obra. Que merece ser apreciada, analisada –  e eventualmente criticada – como tal.

Vik não é apenas mídia.  Ainda que fosse,  suas fotomontagens feitas com restos de computador ou com chocolate são sedutoras, muito sedutoras. E atraíram hordas para os museus. Se seu trabalho não conseguisse fazer mais nada, teria conseguido, pelo menos, apresentar para algumas destas pessoas, de modo enviesado, obras como a “Vênus” de Botticcelli ou a “Medusa” de Caravaggio.  São pessoas que entraram em um museu pela primeira vez para ver o “tal do cara do lixo”.

Não sei para vocês… Mas para mim isso já vale o show, Lombardi*.

* Se esta fosse outra retrospectiva, Lombardi entraria nas grandes perdas – midiáticas, por que não? – de 2009. É isso aí, Silvio! (Ai, às vezes sinto uma invejinha de quem escreve sobre TV)

2 thoughts on “Balanço 2009 – Vik Muniz, o fenômeno

  1. O problema ou não problema , é a questão da “repetição de uma fórmula” fora outras questões as quais ninguém menciona, mas tudo bem os catadores de lixo foram convidados para a abertura e existe todo um trabalho “social”

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  2. O trabalho do Vik Muniz é interessante, sem dúvida. Ele é um virtuose visual, capaz de fazer o que quer com qualquer material. Por outro lado, a impressão que tive da exposição no MAM é que ele descobriu uma maneira de fazer releituras de qualquer trabalho já feito, de Da Vinci a Piranesi a Warhol. É uma espécie de pós-modernismo ao extremo. Tudo é muito agradável e impressionante. Mas um pouco asséptico.

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