Herb & Dorothy

Esta dica do Leo Ayres (site do artista aqui), antena parabólica de coisas bacanas, reacendeu minhas antigas convicções. O trailer aí em cima é de “Herb & Dorothy”, filme de Megumi Sasaki lançado nos Estados Unidos no ano passado e que vem arrebanhando prêmios no circuito de cinema independente. (“You don´t have to be a Rockefeller to collect art” (“Você não precisa ser um Rockefeller para colecionar arte”), diz o cartaz do documentário.

Herb e Dorothy Vogel mostram que isso é mesmo verdade. Hoje aposentados e na terceira idade, eles já viviam no apartamento de quarto e sala em Nova York quando começaram seu acervo. Dividem o espaço com um gato, 19 tartarugas, aquários de peixes e… mais de 5 mil de obras de arte. Elas estão em todas as paredes, tetos, portas, pastas, dezenas de caixas que se acumulam por toda parte, inclusive embaixo da cama.

Sem qualquer formação na área, fizeram da arte um projeto comum depois que Herb, que já adorava o assunto, levou Dorothy para passar a lua-de-mel em Washington, só para ficar mais perto da National Gallery. Ele era carteiro e cumpria expediente no horário noturno dos Correios americanos; ela era bibliotecária. Tentaram ser artistas, mas viram que não tinham traquejo para a coisa. Seu talento, se veria mais tarde, era a coleção.  Tiveram tino e um olhar sem reservas para obras e artistas no início do Minimalismo, movimento da arte americana que até hoje oscila entre dois extremos perigosos: a crítica criptografada, que torna ainda mais difícil e distante o que não é tão difícil assim, e o preconceito que vocifera coisas do tipo “ah, isso não pode ser arte”. Desde o início, o casal se orientou por dois critérios: eles precisavam se apaixonar pelo que estavam vendo e a peça tinha que caber dentro de casa e poder ser carregada até lá a pé, no máximo de táxi.

Neste trailer curtinho há depoimentos de artistas importantes como Chuck Close e o casal Christo e Jeanne-Claude (ela, falecida repentinamente em novembro do ano passado). Mas os Vogel frequentaram e ainda frequentam todos os maiores nomes da arte americana dos anos 1960 para cá, caso de Sol LeWitt e John Chamberlain. Artistas abrem seus ateliês porque querem ouvir a opinião deles, que se relacionam de igual para igual com curadores e galeristas.

“Herb & Dorothy” é uma história de amor e só pode ser assim porque também é uma história de destemor. Não se ama sem curiosidade, sem abertura para o outro… e sem risco.

Apaixonadíssima pelos dois, volto a postar trechos do filme em breve.

3 thoughts on “Herb & Dorothy

  1. Desde que o Léo me falou do filme, estou doidinha pra ver. Experiências quitinéticas com arte é muito interessante e dá pra provar q não se precisa saber ou ter grana para se ser um colecionador. Amor a coleção é o que interessa, o espaço é o de menos.

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