Eva emparedada

Chegou ao fim a obra em processo de Daniel Senise para o Centro Cultural São Paulo.  Em novembro do ano passado, o artista montou uma olaria dentro da instituição, onde eram produzidos tijolos feitos de gesso e papel proveniente de convites e folders de exposições de arte triturados. Com eles, emparedou pouco a pouco  “Eva”, de Victor Brecheret. Peça mais importante do acervo do CCSP,  a escultura fica bem na entrada principal do prédio.  Ao usar restos da própria arte para criar a parede e trabalhar com a ausência de uma figura feminina – fundida à obra de um artista que representa muito para o imaginário dos paulistanos – Senise potencializou pontos importantes de sua trajetória (leia mais aqui).

3 thoughts on “Eva emparedada

  1. Uma amiga minha de Arapongas veio a São Paulo e queria conhecer a Eva de Brecheret devido a ter lido, em algum lugar do passado, uma crítica bastante favorável, escrita por Monteiro Lobato em 1921.
    Ela voltou muito frustrada ao Paraná, pois encontrou a Eva “censurada” por esta “obra” e as chances dela voltar a São Paulo são muito poucas, devido a dificuldades de locomoção.
    Pergunto: Até onde alguém tem o direito de se impingir, para se promover, sobre a obra de outro, principalmente quando este outro é reconhecidamente mais famoso e com mais talento?
    Uma coisa é você colocar um pircing no nariz de uma CÓPIA da MONALISA.
    Outra coisa é você sequestrar a figura da MONALISA DO LOUVRE, deixando uma CATOTA do seu nariz no lugar! Mesmo que seja só por 6 meses!
    Arte pós moderna? Isto pode justificar qualquer coisa?
    Justifica a desonestidade? Um artista pode decidir o que é bom para os outros?
    Então em nome da arte, posso sair mexendo e violando direitos?
    E quem permite que isso aconteça?
    Gostaria de saber se o direito de um artista, tal qual na vida, não termina ao se esbarrar com o direito de outros?
    Desculpem a minha ignorância…
    Alguma autoridade no assunto poderia me dar uma luz?

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  2. Eu ainda prefiro o Rauschenberg, do “deKooning apagado”, que vc deve lembrar: 1953, Rauschenberg então um artista ainda “em desenvolvimento” (sedento de alguma notoriedade tb:-), compra (ou ganha, sei lá) um desenho de deKooning e metódicamente, no espaço de algumas semanas, com um bocado de removedor, apaga o desenho e depois emoldura o resultado. Bem, eu acho a “atitude” do Rauschenberg muito mais instigante do que esse tímido emparedamento de uma obra do Brecheret. Acho o “erasing” uma paródia muito mais rude e cínica dentro do esquálido templo da arte, do que essa tímida atitude do Senise.

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