‘Menas’ é mais?

O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, inaugura na próxima segunda-feira a exposição “Menas – O certo do errado, o errado do certo”. Coerente com o núcleo permanente do museu – que rejeita a soberania da norma culta sobre o modo coloquial do português falado no Brasil – a mostra discute os possíveis acertos  das incorreções cometidas no idioma.

Com curadoria do professor e filólogo Ataliba de Castilho e do jornalista e doutor em linguística Eduardo Calbuzzi, a exposição reúne sete instalações, que levam o público a se divertir e a pensar sobre estes erros do dia-a-dia.

Ainda na entrada do museu, na  Estação da Luz, o visitante é recebido pelas “Portas abertas”, faixas com frases grafadas com incorreções da norma culta incorporadas no cotidiano da língua.

Em “Norma, a camaleoa”, a atriz Alessandra Colassanti encarna as quatro normas da língua portuguesa (foto acima). Ao testemunhar um encontro fictício no banheiro do museu, o público percebe que as quatro normas podem ser uma só. E que o uso da língua talvez seja o senhor de sua correção: ao tomar posse do idioma que falamos, escolhemos incorporar o “errado” e muitas vezes condenamos o “certo” ao esquecimento.

Em “Biblioteca de Babel”, compositores e escritores mostram como a música e a literatura muitas vezes subvertem a língua e encontram modos enviesados – e lindos – para falar e escrever.

No fim do percurso, o visitante não tem uma moral da história – neste caso,  moral da língua. É convidado a avaliar, por si só, o quão elástico pode ser o limite entre certo e errado.

Ainda fui à Luz para tirar minhas conclusões, mas desde já tenho o desejo de esticar a língua até ela chegar bem pertinho da frase impressa no convite da exposição :  “Se alguém usou uma palavra, ela existe”.

Ih, ficou chocado? Menas… Menas…

2 thoughts on “‘Menas’ é mais?

  1. Adorei o bom humor, Dani.
    Com relação à língua (a portuguesa): será que se a “gente” não ficasse tentando reinventar a roda, a cada 1/2 século, seríamos um povo mais culto?
    Quando uma língua sofre “reformas” com frequencia, os livros viram sucata.
    A comunicação de gerações muito próximas (avós, pais, filhos) sofre ruídos.
    A cultura desaparece. Sorte de Shakespeare não ser brasileiro.

    PS: “menas” mudanças, menos “probremas”…

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