Espólio

Este é o título do trabalho de Pedro Victor Brandão, que você vê aí em cima, e que para mim é um dos destaques da exposição “Liberdade é pouco. Meu desejo ainda não tem nome”, com curadoria de Bernardo Mosqueira, que foi aberta no último sábado, com grande festa em uma casa da família do curador, no Jardim Botânico.

Em um dos quartos do piso superior, Brandão, de 24 anos, envolveu um cromo fotográfico com a reprodução de uma “Fachada” de Volpi numa caixa de acrílico. Uma lâmpada ultravioleta posta dentro da caixa faz a luz incidir diretamente sobre a imagem, acelerando seu processo de desaparecimento em mais de 20 anos.

Uma reflexão sutil e oportuna sobre o que alguns herdeiros de espólios de arte têm feito para a não preservação da memória de seus antepassados artistas.  No ano passado, os donos do espólio de Volpi inviabilizaram a publicação do catálogo da exposição sobre o artista, organizada por Vanda Klabin no Instituto Moreira Salles, por conta do alto preço cobrado pelos direitos de imagem. Mas não são os únicos a transformar a ganância em um impeditivo para a difusão de obras de arte.

Pedro Victor Brandão e seu "Espólio" na inauguração da mostra, no sábado

Espero que os herdeiros de Volpi não cobrem nada de Brandão… e nem do Pitadinhas… Afinal, o Volpi de “Espólio” vai desaparecer bem rapidinho.

PS. É importante dizer que o trabalho não é só oportuno. É bom mesmo. Repare como a luz é moldura linda e ao mesmo tempo fantasmagórica para Volpi.  Se a lei não mudar e os herdeiros continuarem mandando e desmandando no direito de imagem, o destino do artista – um dos maiores nomes da arte geométrica brasileira – é o desaparecimento.

3 thoughts on “Espólio

  1. Rapaz! Se tinha alguém que não merecia ser afastado do público, era o Volpi, que começou pintando igrejas e fachadas da comunidade italiana de São Paulo, e tinha a arte popular em tão alta conta. Realmente, tem herdeiro que consegue ser um desserviço à memória do pai, até porque muitas vezes nem entende nada. É uma discussão muito complicada. A obra de arte do pai é dos filhos? É de todos? Eu realmente não sei.

    Agora, a obra é ótima mesmo, não só sobre o Volpi, mas sobre aquela discussão sem fim sobre a perenidade da obra de arte. Muito legal.

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