Décio Vieira

Sem título, década de 1970, têmpera sobre tela

O Centro Universitário Maria Antônia, em São Paulo, inaugura,na próxima quinta-feira, dia 25, um panorama da obra de Décio Vieira. Artista geométrico de primeira linha, o pintor foi uma figura singular porque esteve ao mesmo tempo dentro e fora das grandes transformações provocadas pelos movimentos concreto e neoconcreto. A têmpera, – mesma técnica de Volpi –  e uma paleta de cores muito além das matrizes primárias tornam sua pintura curiosa e digna de análise.

Passo a palavra a Felipe Scovino, curador da exposição, reproduzindo abaixo seu texto de apresentação:

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Décio Vieira, investigações geométricas

A passagem decisiva de Décio Vieira (1922-1988) pelo Grupo Frente (em meados dos anos 1950), um dos movimentos estéticos embrionários da arte concreta no Brasil, foi sintomática para dois percursos pouco explorados pela história e crítica de arte: Vieira, assim como João José da Costa e Rubem Ludolf, foi um artista que se manteve à parte do grupo neoconcreto, mesmo investigando e problematizando os (supostos) dogmas do concretismo; e, nos diálogos e aproximações com seu amigo Alfredo Volpi, Vieira utilizou-se de uma das técnicas mais antigas da pintura: a têmpera.

Décio Vieira (à esquerda), Volpi e Dulce Holzmeister, em foto de 1976

Nesse processo artesanal de produção da matéria, o artista explora a luz, apontando na sua pesquisa uma sensibilidade no diálogo entre cor, forma e estrutura, e proporcionando novas possibilidades de se pensar o lugar da pintura durante o debate e a prática (neo)concretista no Brasil.

A obra de Décio Vieira é fundamental para se entender a transição moderna pela qual o Brasil passava, assim como as novas concepções formais e técnicas empregadas nas artes visuais brasileiras. Lançando um olhar sobre o atravessamento de narrativas e técnicas do artista e ao sentido de investigação que norteou a sua produção (presente nos pastéis que se colocam como uma plataforma de estudos em sua obra, ou nos anos em que foi professor no MAM-RJ), tomamos contato com um método pouco usado pelos artistas construtivos brasileiros: distorções da perspectiva por meio de uma espécie de pintura concretista lírica. Vieira aliava essa característica à luz, permitindo uma construção complexa, usando uma economia de elementos, quase sempre partindo do cruzamento de planos e da exploração de engendrar espaço a partir do jogo entre linha, cor e vazio.

Felipe Scovino, curador

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