Colin Firth

Peço licença aos dois ou três leitores muito cabeçudos que eu possa ter: vai pintar uma careta na cara de conteúdo, porque vou fazer um post um tanto mulherzinha, ok?

Vamos lá:

Firth (direita) e Goode: casa de vidro, amantes invisíveis

Direito de amar”, filme de Tom Ford em cartaz nos cinemas brasileiros, é bonito demais, fashion demais, delicado demais e amarradinho demais… a não ser por este título pavoroso, pois nada justifica que “A single man”, o original, seja transformado em um chamariz de novela mexicana.

A perfeição demasiada de Ford não chega a ser um incômodo, embora distraia: há momentos do filme em que a gente se perde do enredo para identificar os óculos Gucci, as colônias grifadas, o carro com rabo-de- peixe, a cigarrilha cor-de-rosa e outros ícones de estilo reunidos pela direção de arte. O roteiro podia naufragar nesta espécie de jogo dos 7 erros não fosse a presença de Colin Firth.

O ator é o toque de imperfeição que mancha e macula a beleza quase platônica à sua volta. Para quem ainda não viu, é preciso dizer que Firth é George Falconer, britânico que dá aula de literatura inglesa na Los Angeles do fim dos anos 1950. Ele perdeu seu companheiro, o arquiteto e ex-mariner Jim (Matthew Goode, o noivo ricaço e boçal de Scarlett Johansson em “Match Point”) em um acidente de carro. Mesmo tendo vivido com ele por 16 anos, não tem a permissão da família do morto para comparecer ao funeral.

Podia fazer considerações sobre o filme e demonstrar como Firth dá conta, com sutileza imperturbável, de um pacotão de ambiguidades. George mora numa casa de vidro e é invisível para um mundo que se recusa a enxergá-lo como é; amou um rapaz do interior e muito mais novo, mas desperta a libido da amiga íntima (Charley, a cargo de Julianne Moore); pode mudar a vida de um de seus alunos, mas no fundo só pensa em morrer.

Prefiro, no entanto, dizer que o marido-que-eu-queria-ter de “Bridget Jones” e  “Simplesmente amor” estará sempre em meu coração, mas virou um passado adolescente depois do meu encontro com este outro Firth no escurinho do cinema.

Minha relação com seu lado galã já tinha sido perturbada depois de “Moça com brinco de pérola”, com seu Vermeer atormentado e sensual até a unha encravada. Graças a seu sucesso na série “Orgulho e preconceito” da BBC,  Firth  vai ser sempre a cara do meu Mark Darcy, minha moldura default para  Jane Austen. Mas sei que preciso dividi-lo em outros rostos a partir de agora.

4 thoughts on “Colin Firth

  1. Post mulherzinha? rsrs Bem, não cheguei ao nível de detalhe de perceber a marca da bolsa mas não pude deixer de ver como o filme é elegante (não só na direção de arte) e classudo. Um filme delicado (sem duplo sentido, por favor rs) na tratamento do tema e na construção dos personagens. Cheguei a pensar se o Colin Firth não merecia o Oscar no lugar do Bridges (que está muito bem também)

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