Disquei M para matar


Grace Kelly acorda com o telefone: visitante da galeria disca para a atriz do celular
O número de SP aparece embaixo do telefone pontilhado no filme: bom trabalho da dupla, que mistura vídeo e participação do espectador

Uma das melhores coisas da SP Arte está fora dela:  é o conjunto de boas exposições e obras inéditas que vemos nos museus e galerias de São Paulo. A visita à Vermelho incluiu a individual de Rosângela Rennó e a instalação “MIC”, do Chelpa Ferro, sobre as quais vou escrever adiante. No segundo andar da galeria, uma coletiva com artistas do catálogo conta com a videoinstalação interativa “Dial M for Murder”, de Leandro Lima e Gisela Motta, criada em 2009.

Na tela, o trecho do filme “Disque M para matar”, de Alfred Hitchcock, em que Margot Mary Wendice (Grace Kelly) acorda no meio da noite com o som do telefone, sem saber que o capanga Charles Swann (Anthony Dawson) a espera atrás da cortina para matá-la a mando de Tony Wendice (Ray Milland), marido ciumento da moça.

Toda vez que o telefone toca, o aparelho preto, daqueles dos tempos de brechó, é envolvido por uma linha pontilhada. Aparece também um número de São Paulo. A mão fica coçando, até que finalmente pegamos o celular e…

Quando Grace atende, somos nós que estamos ligando. Ouvimos sua voz duas vezes: no filme e do outro lado da linha.

Bem humorad0, o trabalho celebra a boa fusão que a dupla de artistas faz entre vídeo, performance e abertura para a participação do público.  Foi assim com “Que é de?” (2003), em que a imagem do espectador se fundia à de um bosque exibido em vídeo no momento em que ele passava diante da tela.

Foi assim, também, com “Vira-lata” (2005), em que fotos distorcidas de cachorros clicadas em São Paulo foram transformadas em adesivos e aplicadas nas ruas de Paris. A câmera cria uma ilusão na imagem bidimensional, dando a ideia de cachorro “real” para quem está vendo o vídeo. Mas as reações dos parisienses – que amam seus cachorros a ponto de levá-los para lugares inimagináveis – também são dignas de nota. Para ver “Que é de?” e “Vira-lata”, clique aqui e aqui.

Em 2008, quando foram selecionados para o Prêmio Marcantonio Villaça, os dois artistas apresentaram a instalação “Armas & Alvo”, documentada em vídeo abaixo.  Nove objetos de papel instalados na parede reproduziam fielmente armas de guerra. Ao se aproximar deles para observá-los, o visitante se transformava em alvo de outra arma, invisível. Por mais que se mexesse, o alvo o perseguia, pronto para o tiro. Em tempos de Wii e de guerra por satélite, Leandro e Gisela dão corpo, sensação e possibilidade de contato real para este mundo tecnológico e aparentemente etéreo.

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