Torres García em NY

"Aquarelas 131", de 1920, do álbum sobre Nova York

O Brasil tem uma dívida eterna com o legado do uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949), cuja obra em pintura foi quase totalmente destruída pelo incêndio no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978, até hoje não esclarecido em minúcias.

Artista geométrico dos mais importantes na América Latina – criou a Associação de Arte Construtiva de Montevidéu em 1935  – ele teve em Nova York, onde morou de 1920 a 1922, um período de dureza financeira, que talvez tenha até colaborado, ainda que indiretamente, com seu desejo de experimentação.

A exposição na Caixa – com curadoria de Jimena Perera e Alejandro Díaz,  bisnetos do artista e diretores do Museu Torres García –   mostra ilustrações, colagens, capas de livros e aquarelas feitas nos Estados Unidos. Nestes trabalhos em papel, chama a atenção sua observação aguda dos tipos e sobretudo do ritmo veloz que Nova York começava a ganhar à medida em que se transformava, paulatinamente, na capital cultural do mundo.

O traçado de ruas e edifícios não só parece trazer a semente da geometria que tomou conta de seu trabalho nos anos 3o e 40, mas evidencia a experiência com áreas de cores, que ajudam a dar a ideia de velocidade e  contraste.

A mostra inclui outras preciosidades, como o projeto de vestimenta,/fantasia, de 1920, e os brinquedos em madeira que começou fazendo para os filhos – entre eles lindos fantoches para contar histórias – e que depois dariam origem a uma pequena fábrica.

O conjunto de peças incluídos nesta espécie de lado B deste grande artista, longe de desmerecer a mostra, a engrandece: a diversidade dos trabalhos chama a atenção para um momento em que a arte sonhou se espalhar por vários suportes, contaminando-os com a utopia das vanguardas.

Mostra também que o sonho desta geração teve na América Latina um de seus motores mais vigorosos. Torres García foi fagulha importante para botar a História para andar.

Para ver outras obras na Caixa clique aqui ou vá na barra lateral direita do blog.

3 thoughts on “Torres García em NY

  1. Prezada Daniela,

    Estive agora em Montevideo pela primeira vez e tomei conhecimento da obra do Torres Garcia, da qual gostei muito. Você sabe, por acaso, se ainda há exemplares disponíveis do catálogo da exposição da Caixa Cultural do Rio em 2010 dos trabalhos feitos no período em que ele vivia em NY e o que devo fazer para adquirir um? Moro em Brasília.

    Atenciosamente,
    David Silberstein

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    1. Oi, David!
      Vou entrar em contato com a assessoria da CAIXA pra ver se eles ainda têm algum. Eu tb não tenho um exemplar.

      Abraços!

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      1. Oi, Daniela,

        Muito grato pela sua atenção. Eu liguei para a Caixa Cultural de Brasília, mas a pessoa que me atendeu disse que deveria entrar em contato com a Caixa Cultural do Rio. Além de ser natural de Nova York, sou fã do trabalho e da progressão artística do Mondrian, Rothko e Jasper Johns, entre outros, portanto a obra do Torres Garcia me empolgou muito quando a vi em Montevideo.

        Abs,
        David

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