Além do horizonte

Vista da exposiçao, com trabalhos de Álvaro Seixas (à esquerda), Bob N e Danielle Carcav

Este é o texto de apresentação da exposição “Além do horizonte – Paisagens contemporâneas”, que reúne 12 artistas – Álvaro Seixas, Bob N, Bruno Miguel, Danielle Carcav, Deborah Engel, Estela Sokol, Gisele Camargo, Leo Ayres, Luiza Baldan, Pedro Varela, Rafael Alonso e Raul Leal – na Galeria Amarelonegro, em Ipanema.

A curadoria é desta que vos fala e este é um texto singelo, ligeiro. O catálogo virtual com comentários sobre a obra de cada um dos participantes será lançado aqui, neste blog, antes do término da mostra, que fica em cartaz até 13 de agosto. Passem lá!

A foto deste post é de Nara Reis.

Leia o texto na íntegra abaixo

EXISTE UM LUGAR

A relação da arte com a paisagem vem do encontro entre o lado de fora e lado de dentro. Muitas vezes, é o lado de fora através do lado de dentro. No Brasil, é algo intrínseco, que vem da raiz. Juntar estes mundos está na origem da primeira arte produzida por aqui: pintores viajantes como Taunay, Rugendas e Frans Post enfrentaram a aparência deste então exótico país tropical e enviaram para Europa suas impressões sobre mares e florestas, nossa fauna e nossa flora.

Veio então nosso período moderno, e artistas como Cícero Dias, Pancetti, Di Cavalcanti e Guignard deram diferentes interpretações para a  paisagem, tentando absorver através dela as transformações das vanguardas europeias do início do século XX.  A urbanização e os “50 anos em 5 de JK” viraram a paisagem nacional de ponta-cabeça e, a partir do neoconcretismo, artistas como Hélio Oiticica e Lygia Pape fizeram da cidade uma experiência, enfrentando-a com parangolés, música e a cumplicidade com um espectador até então passivo.

Sempre pensei nos penetráveis de HO como um trabalho sensorial, é claro, mas também como uma obra paisagística contemporânea, entendendo aí o “contemporâneo” menos como presente e mais como o desconforto constante com o aqui e o agora. E “arte contemporânea” como uma proposta que enfrenta este estranhamento, destacando-o e superando-o por desvios, enigmas, trilhas.

Os trabalhos dos artistas reunidos nesta exposição caminham um pouco nesta direção, fazendo novas leituras para a paisagem. Ela se transformou em algo contaminado, que vai muito além do natural. Estas paisagens contemporâneas se multiplicam em diversos suportes – fotografia, escultura, objeto, desenho, pintura. Estão no horizonte, no mar, nas montanhas, mas nos trazem ainda o corpo, a palavra e até mesmo lugares imaginários. São o lugar-nenhum, utópico, e também geografias domésticas, íntimas, feitas do sublime lugar-comum.

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