Fabiano Gonper

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Uma das melhores exposições individuais em cartaz no Rio de Janeiro é a de Fabiano Gonper. Artista paraibano radicado em São Paulo, Gonper está com “Do sujeito. Do poder. Da arte” n’A Gentil Carioca. Explorando suportes diversos, ele trata sempre da diluição do sujeito na sociedade e seus sistemas, em particular no mercado de arte. A mostra reúne duas séries de trabalhos: “RDS – Reconfiguração do sujeito” e “Gonper Museum”, obra em progresso que o artista desenvolve desde 2002. Colecionadores, artistas e leilões estão lá, como personagens e cenas quase sem alma, despidos de quase todas as informações.

Com grande economia visual, Gonper uniformiza identidades com figuras sem rosto e uma paleta em preto e branco. O que mais impressiona é a ilusão causada pelos trabalhos: numa primeira vista suas telas têm uma  aparência massificada, como se fossem uma reprodução por plotter – o que seria uma forma mais óbvia para tratar do problema que o artista propõe. Ao se observar com mais calma, no entanto, percebe-se desenhos  delicadíssimos, cobertos por um voile quase invisível.  Nos trabalhos mais escuros, sobre papel, uma fina camada de tinta constrói pacientemente o que parece ser uma imagem digital superampliada, a ponto de revelar seu tecido de pixels.

O aparente espelho cego se revela fatura paciente, cheia de significados, criando armadilhas para a diluição  que parecia se anunciar.  Os trabalhos que são espelhos propriamente ditos (“Pintura variável”), aliás, diminuem um pouco a voltagem da mostra, embora possam  ser bastante potentes selecionados junto a um outro conjunto de obras. Têm muita semelhança formal com a pintura velazquiana “Ruído”, que Luiz Zerbini apresentou em sua exposição recente na Casa de Cultura Laura Alvim (aqui).  “Ruído” deu origem ao trabalho que Zerbini vai mostrar na Bienal de São Paulo: um gigantesco cubo pintado com tinta prateada reflexiva, onde o público que entrar no pavilhão vai poder ver a própria imagem, difusa, misturada às obras dos artistas em volta.   Os dois trabalhos se aproximam muito formalmente, mas trilham especulações bastante distintas.

Um ponto alto na montagem é a pintura das paredes de uma das salas do segundo andar da Gentil em um tom de cinza claro, enquanto o resto da galeria permanece branco. Ideia do próprio artista, a cor funcionou como uma espécie de dimmer, rebaixando a luz e tornando o ambiente mais acolhedor e propício a uma observação atenta do vídeo e das telas da série “O manipulador”, desenhos de silhuetas anônimas.

A exposição fica na Gentil  até o dia 11 de setembro. Gonper também está com uma individual no Galpão das galerias Baró e Emma Thomas, em São Paulo. É possível ainda visitar uma mostra na galeria virtual Blanktape (aqui). Neste espaço na web, vale a pena assistir aos  seus vídeo-desenhos. Impressionantes pela simplicidade de execução – alguns foram filmados com uma webcan e “desenhados” posteriormente – eles são um bom arremate para a compreensão do percurso feito até agora por este artista tão interessante.

 

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