Inhotim – Palm Pavilion*

A Maison Tropicale original, de Jean Pouvre

Os posts sobre a nova leva de obras em Inhotim, com inauguração marcada para depois de amanhã, vão ficar um tanto embolados com a abertura da Bienal de São Paulo na correria que está este fim de setembro.

Espero que os leitores me perdoem.

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A desconstrução do clichê

Rirkrit Tiravanija adaptou para Inhotim Palm Pavilion, um dos poucos trabalhos relevantes presentes na 27a edição da Bienal, dedicada ao “vazio”. Antes instalada dentro do prédio no Ibirapuera, agora a obra vai para o ar livre, na região do museu de Brumadinho conhecida como “Fazendinha”. Palm Pavilion vai ficar em frente do trabalho de Jorge Macchi, uma piscina que – estes são os planos da insitituição – em breve poderá ser usada pelo público que chegar prevenido com sungas e biquinis.

De origem asiática, mas nascido na Argentina, como Macchi, Tiravanija, que hoje vive na Tailândia, vai estabelecer um diálogo interessante com o conterrâneo, criando com ele uma espécie de pastiche de um resort. Seu Palm Pavilion foi inspirado na Maison Tropicale criada pelo arquiteto Jean Prouve nos anos 1950.

Pré-fabricada, herdeira de Le Corbusier e sua família modernista, a casa era um projeto do governo francês para suas colônias na África. Com ela, um diplomata podia montar sua casa onde quer que estivesse, levando “nas costas” o seu jeito de viver e resistindo, assim, à adaptação e à troca cultural com o país onde iria trabalhar. A implantação da maison tropicale não saiu como o governo planejava e os poucos exemplares instalados no Congo permaneceram de pé com outros usos até que, no fim dos anos 1990, a Christie´s desmontou uma das casas e vendeu-a como arte em leilão por US$ 5 milhões.

Tiravanija remonta a maison com materiais mais baratos, criando quase uma cópia pirata de Pouvre. Os responsáveis pelo paisagismo de Inhotim vão cercar o pavilhão com 130 palmeiras de sete espécies diferentes, que têm origens e tamanhos variados. Associada ao Brasil e à sua tropicalidade, a palmeira não é uma árvore nativa. Também é uma importação na paisagem como a Maison Tropicale foi um dia. Ao construir a casa em Minas Gerais, Tiravanija destrói o clichê, minando-o com os venenos saídos de sua própria estrutura e curtidos pela História.

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O quiosque de alimentação que vai funcionar ao lado do pavilhão é um arremedo de bar tropical. O público vai poder tomar água de coco e comer açaí olhando para a piscina de Macchi.

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* O blog viajou a convite de Inhotim.

2 thoughts on “Inhotim – Palm Pavilion*

  1. Oi Parabéns pelo Blog.

    Só um comentário sobre este texto :
    Palm Pavilion estava sim na 27º Bienal de São Paulo,mas esta não era a “Em vivo contato ” (bienal do Vazio) mas sim a ” Como viver junto ” com curadoria da Lisette Lagnado.

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    1. Oi, Rafael, obrigada duplamente: pelo elogio e pela correção. Vc tem toda razão, vou remendar o texto. Uma beijoca e volte sempre.

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