Zerbini: cor, espelho, ruído

Inferninho, trabalho de Luiz Zerbini na 29a Bienal, é o desenvolvimento em escala mais ambiciosa de sua exposição Ruído, apresentada na Casa de Cultura Laura Alvim no início deste ano. Um grande cubo pintado com tinta reflexiva negra reflete as obras de outros artistas e funciona como retrato e espelho dos visitantes do Ibirapuera, conversando com as pinturas metálicas, cheias de interferências externas, que o artista vem produzindo.

Desde os anos 1980, Zerbini tem grande habilidade para o retrato e a paisagem, que frequentemente aparecem em seu trabalho do início da carreira associados a uma crônica do cotidiano. Cada vez mais curioso com novos suportes, o artista contamina seu trabalho com a tecnologia e o som do grupo Chelpa Ferro, do qual faz parte ao lado de Mecler e Barrão. Seu trabalho na Bienal consegue unir o binômio seminal de sua poética radicalizado no espaço e trabalhado ao lado de uma fusão poderosa entre imagem e som, cor e movimento.

Dentro do Inferninho, um jogo de luzes sincronizado com ruídos faz as cores dançarem em planos e formas geométricas. O som é como música composta para este balé com o público, que dança e percorre o espaço interagindo com esta pintura etérea. Ela também tinge, efêmera, o piso de areia do ambiente, tela irregular para uma pintura fugidia, que acontece cheia de filtros e se modifica com a experiência e sob o filtro dos corpos e dos movimentos dos visitantes.

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Paralelamente a este trabalho que para mim foi um dos mais impactantes da Bienal, Zerbini apresenta uma individual no Galpão da Galeria Fortes Vilaça, na Barra Funda. Nesta exposição, as cores e as grades geométricas vistas em Inferninho servem como suporte para a pintura com tinta e tela, que se enche de espécies botânicas e cria janelas para um jardim onírico. É como se Zerbini  fisse um pintor viajante de um mundo fantástico que está dentro de cada um e não na fronteira além-mar.

Em sua obra, a terra prometida é do lado de dentro.

4 thoughts on “Zerbini: cor, espelho, ruído

  1. Minha opinião: Achei fantástico, no início uma sensação estranha, o escuro nos transporta p/ um espaço desconhecido, ao pisar no chão e o jogo de luzes causa desequilíbrio. Ao interagir com a obra buscando os círculos que mudavam de lugar e de cor, sentindo a cor, a luz, o som, o chão, o calor, vem novas sensações, algo irreal, abdução, desconhecido. Sensação de estar na praia à noite, caminhando pela areia no escuro, as luzes lembram disco voador abduzindo p/ um mundo estranho, mundo da imaginação de muitos artista, que provocam, causam estranhamento, reflexão sobre a própria existência.
    Ao sair desse espaço mágico pecebemos que nessa obra nossos sentidos foram provocados. O interessane é que ela é a 1ªobra de todos os terreiros, parece-nos dizer:- “Deixem todo o conceito de arte e vamos mergulhar nesse copo de mar que é a 29ª Bienal de Arte de São Paulo. Arte Contemporânea. Vamos nos abrir, permitir vivenciar, dialogar e compreender o que o artista quer provocar.”
    Essa obra é um convite para a 29ª Bienal. Ela te desequilibra, para que a partir
    daí você possa reconstruir e compreender todo o universo da arte contemporânea.
    Um abraço, obrigada!

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    1. Adorei, Maria, acho que os curadores da Bienal iam adorar ler este seu comentário. Tomara que eles leiam o blog nestes próximos dias.
      Um beijo.

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