Cildo na cabeça

Nosso cabeçalho do blog, lá em cima, agora muda todo mês. Em setembro tivemos Maçãs falsas, de Waltercio Caldas. O de outubro é um pedacinho de Abajur, obra inédita de Cildo Meireles feita especialmente para a 29a Bienal de São Paulo e que você vê inteirinha aqui.

Sou presidente da torcida organizada do Cildo Futebol Clube, e sei que isso nem é muito original, já que o artista é uma das poucas unanimidades inteligentes de que se tem notícia.

Abajur mostra as razões para que isso aconteça.  Montado no fim do terceiro andar do prédio da Fundação Bienal, na área cedida pelo MAC, o trabalho lembra uma lanterna mágica gigantesca, projetando ao seu redor a imagem luminosa de um horizonte com céu, mar e gaivotas.  Subimos uma escada para ver a imensidão azul de perto e nos enebriarmos com a paisagem.

O que não sabemos  é que, protegida por um guarda-corpo, a lanterna esconde o segredo de sua engrenagem. Quando nos debruçamos e olhamos para baixo, percebemos que o motor que gera a luz e aquela cena de sonhos é humano. Três rapazes caminham ininterruptamente em círculos, garantindo a energia necessária para manter tudo funcionando.

Tão desconcertante quanto os urubus de Nuno Ramos, este trabalho não chocou ambientalistas e panfleteiros de ocasião, mas vai fundo na veia da política.

As aparências caem por terra e somos obrigados a pensar naqueles que suam a camisa para manter a  roda do mundo em movimento.

+++

Roubei o vídeo abaixo de João Saboia, no Youtube. São 30 segundos de Abajur.

One thought on “Cildo na cabeça

  1. Daniela Name

    A Bienal
    Ótimo estar podendo acompanhar a Bienal através do seu blog.Uma visão outra, mais autoral, para além do espaço, muitas vezes limitado, pelos mais diversos motivos, da grande imprensa.Cujos meandros você certamente bem deve conhecer.Nem sempre consegue-se publicar tudo.

    Cildo Meireles
    Cildo Meireles é um Artista cuja obra acompanho há muitos anos.Porém, não vejo hoje o Artista como “uma das poucas unanimidades inteligentes de que se tem notícia”.Melhor dizendo.Desconfio das unanimidades.Ainda mais inteligentes.Em qualquer campo do pensamento humano.

    O Desconserto
    Desconsertante também foi/deve ter sido quando,em plena Ditadura Militar , Cildo Meireles apresentou em Minas Gerais a obra Tiradentes:totem-monumento ao preso político.Na qual galinhas amarradas a uma estaca foram queimadas vivas.
    O que diriam hoje os “ambientalistas e panfleteiros de ocasião” à respeito desse trabalho?

    Desconsertante também foi/deve ter sido quando, em plena ditadura militar, Artur Barrio espalhou suas Trouxas Ensaguentadas em um rio nessa mesma Minas Gerais.

    Trabalhos que pegaram, e pesado, na veia política de então.Mas os tempos hoje são outros.Respira-se Democracia no País.A informação é livre.E o debate também. Novas polêmicas se apresentam.Ainda bem.

    A roda do mundo
    A roda do mundo sempre contou, e contará, com quem a movimente.Suar a camisa faz parte.

    Saudações Democráticos

    Affonso Leitão

    PS1:O que é ser original?
    PS2:O que é uma unanimidade inteligente?

    Gostar

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