Sara Ramo, caixinha de música

Não sei no que pensei primeiro quando vi A Banda dos Sete, de Sara Ramo,  nesta Bienal de São Paulo. Mas foi em muita coisa: do Exército de Brancaleone à Terra dos Meninos Pelados, de Graciliano Ramos; dos bufões de Molière ao cavalo que só falava inglês em João e Maria, de Chico Buarque; da banda de pífanos moldada em barro por Vitalino à incrível Caravana Rolidei de Bye, Bye, Brasil.

Não sei no que pensei primeiro, mas foi a própria Sara Ramo quem me mostrou que a ordem não importa. Espanhola de alma mineira, a artista filma em um único plano, com a câmera parada. Como você vê acima, um grupo de sete músicos, cada um tocando um instrumento, contorna um muro. Cada um deles desaparece de uma vez, e o som do instrumento que toca também some. Eles voltam embaralhados, aparentemente fora de ordem, mostrando que a rotina foi subvertida e talvez o mundo nunca mais seja o mesmo.

Caixinha de música  e portal da memória, o trabalho de Sara vai ser lembrado entre outras coisas por me fazer lembrar, como quase toda boa obra de arte.

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