Pipas

Vamos publicar a partir de amanhã entrevistas com os finalistas do Prêmio PIPA, que têm suas obras expostas no piso térreo do MAM.  Ao promover estas conversas, o blog pretende aproveitar-se descaradamente do prêmio, com todo o respeito, para mostrar um pouco do processo de criação e do pensamento de quatro excelentes artistas: Cinthia Marcelle, Marcelo Moscheta, Marcius Galan e Renata Lucas.

A publicação vai obedecer a ordem de resposta dos entrevistados. Todos receberam as perguntas no mesmo dia. Marcius Galan será o primeiro, já que também foi o primeiro a responder. Não necessariamente vai haver uma sequência perfeita entre os posts, que podem ser entrecortados por outros assuntos.

Para realizar estas simpáticas sabatinas, contei com a ajuda de dois convidados especialíssimos, que mandaram cada um sua pergunta para os quatro finalistas: o curador, crítico de arte e professor Marcelo Campos, do Rio de Janeiro; e o jornalista e curador Mario Gioia, de São Paulo. Luxo.

Rabiolas: uma análise ligeira do prêmio

O PIPA vai dar R$ 100 mil ao vencedor do júri e R$ 20 mil para o indicado pelo voto popular, existindo a possibilidade de acúmulo destas duas escolhas.  Antes desta finalíssima, muitas dúvidas pairaram sobre o meio de arte. As intenções do prêmio não foram compreendidas de  imediato por um conjunto grande de artistas e críticos. Houve quem questionasse os critérios, apontasse discrepâncias, duvidasse que um modelo como o Turner Prize pudesse ser eficiente no Brasil, achasse absurdo um valor de R$ 100 mil (talvez R$ 120 mil) ser dado a um único artista.

Não vou por aí. Acredito antes de mais nada que é uma boa ideia, que pode gerar acervo para o MAM e mostra que a iniciativa privada – no caso, o fundo Investidor Profissional, que patrocina o prêmio – pode destinar seus recursos para o fomento direto da cultura, sem o apoio de leis de incentivo.

Para mim, se houve falhas no PIPA, elas residiram principalmente na etapa dos primeiros jurados, chamados pelo regulamento do Prêmio de “indicadores”.  Acredito que, por melhores e mais atuantes que sejam, os galeristas deveriam estar fora da lista de seleção, pelo simples fato de que isso gera um desequilíbrio anual entre os artistas. Se um artista é indicado e figura no catálogo com apenas um voto, um marchand pode, de uma só vez, indicar 5 nomes de seu casting ao PIPA. Em uma premiação tão concorrida, nenhum finalista recebe votação maciça e o voto de um galerista – que tem interesses comerciais embutidos no seu julgamento – pode fazer toda a diferença.

Ainda nos “indicadores”: conversando com alguns deles, claro para mim de que eles desconheciam o perfil desejado pelo PIPA em profundidade. Assim, muitos indicaram em bons artistas maduros, que, por uma ou outra razão, ainda não receberam uma premiação deste porte. Foi o típico voto “vamos dar uma força” que, com mais esclarecimento e mais conversa, pode ser evitado em próximas edições.

A ideia de chamar professores de escolas como o Parque Lage me parece boa, desde que aí também haja uma preparação deste tipo de eleitor. Se alguns “indicadores” pecaram pelo voto “vamos dar uma força”, foi nítida a escolha de alguns professores na direção de alunos bastante imaturos, que não se enquadram de forma alguma no perfil de “artista emergente” pretendido pelo PIPA. Nesta imprecisão de extremos, excelentes artistas que se adequavam ao intervalo pretendido pelo prêmio acabaram ficando de fora da lista de indicados.

O  júri que deu o veredito para a final a partir dos mais votados pelos indicadores acabou criando uma exposição com quatro artistas que realmente são PIPAs, de fato têm a cara que o prêmio quer ter. São jovens, mas não novatos. E todos têm em seu currículo feitos inegáveis nos últimos anos.

Tomara que no ano que vem este mesmo perfil domine a grande lista dos indicados.

5 thoughts on “Pipas

  1. Daniela Name

    Informativa e bastante esclarecedora a sua matéria sobre o PIPA.

    Simpática a imagem das Pipas.Que povoaram a minha Infância.Soltavam-se Pipas, algumas com grandes e coloridas rabiolas, nos subúrbios do Rio.Talvez hoje ainda o façam.

    Simpática, e também divertida, a imagem do Coelho no post Atrasinho.

    Aguardemos, pois, as entrevistas.

    Bom final de semana.Bom trabalho.

    Até a próxima.

    Abs.

    Affonso Leitão

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