Fronteiriços

"Feel love", de Marcio Banfi, um dos trabalhos de "Fronteiriços"

Sábado, dia 7, a partir das 11h e até as 18h, a Emma Thomas abre as portas de seu galpão (Rua Barra Funda 216) para a inauguração da exposição Fronteiriços, um dos aquecimentos do circuito de galerias de São Paulo para a SP Arte. Tenho o privilégio de assinar a curadoria de uma coletiva de feras: Alessandro Sartore, Bruno Miguel, Caroline Valansi, Erica Ferrari, Gabriel Gimmler Netto, Hugo Houayek, Jaqueline Vojta, Laerte Ramos, Letícia Lampert, Lucas Simões, Marcio Banfi, Matias Mesquita, Nazareno, Rodrigo Torres e Siri. Este último faz a performance “Vozes do samba” durante a abertura, às 17h.

Todos os participantes estão, como sugere o nome da mostra, em uma zona de fronteira entre linguagens. No jargão médico, “fronteiriço” é alguém que está no limiar entre a normalidade e a loucura, por isso este nome de batismo também tem um viés de ironia. Estamos todos bem pertinho de ambos os lados.

Uma de minhas maiores alegrias neste projeto é o fato de que dois artistas foram convidados para ele graças ao Banco de Portfolios do blog: são os gaúchos Letícia Lampert e Gabriel Gimmler Netto. Não tinha nenhuma referência de Letícia até ela enviar seu material para nosso arquivo. De Netto já tinha visto um lindo desenho-instalação no último Itaú Rumos Visuais, mas não associava o nome à obra. Foi preciso ver seu material para lembrar do trabalho e conhecer melhor sua trajetória. Saber que o Banco já me aproximou de dois criadores – e pode fazer o mesmo com outros críticos de arte do país – já me deixa realizada. Obrigada especialmente aos dois, que aceitaram participar da empreitada e enviaram seus trabalhos sem nunca terem me visto ao vivo e em cores.

O livro "Escala de cor das coisas", de Letícia Lampert

Um outro projeto ligado a envio e análise de portfolios – o Abre Alas, organizado pela galeria A Gentil Carioca – me levou a mais quatro nomes da exposição: Alessandro Sartore, Caroline Valansi, Siri e Matias Mesquita. Apesar de todos morarem no Rio e de conhecer um pouco a trajetória dos três primeiros, o estreitamento do contato a partir da proposta enviada para a 7a edição do Abre Alas, da qual fui uma das curadoras, foi fundamental para um mergulho mais profundo em suas poéticas. Mesquita tinha visto em apenas uma exposição antes da coletiva na Gentil, mas seu trabalho foi um arrebatamento… A ponto de ser bisado nesta nova oportunidade em São Paulo.

Trabalho de Rodrigo Torres: relevos a partir do corte de notas de dinheiro

Também são convidados de fora do elenco da galeria Jaqueline Vojta, Hugo Houayek e Rodrigo Torres, três artistas muito distintos entre si, que mostram a força da nova produção brasileira contemporânea e me dão aquele frio na barriga de todas as estreias: é a primeira vez que trabalhamos juntos.

Do valioso elenco da Emma Thomas, a exposição rouba Erica Ferrari e Lucas Simões, outras prazerosas prémières, e Bruno Miguel, Laerte Ramos, Marcio Banfi e Nazareno, artistas de quem já fui parceira anteriormente e para os quais deixo, no finzinho deste texto, minha admiração sempre renovada.

Eles, eu e a equipe da Emma Thomas esperamos por vocês na Barra Funda.

+++

A Emma Thomas divide seu enorme galpão com a galeria Baró, que inaugura individuais de Rosana Ricalde, Felipe Barbosa, Henrique Oliveira e Claudia Jaguaribe no mesmo horário. Maravilha de vizinhos.

6 thoughts on “Fronteiriços

  1. Quando trabalhos com notas e cupons apareceream, primeiro com Duchamp e seu “Monte Carlo Bond” e posteriormente com trabalhos de Broodthaers e J.S.C. Boggs, a natureza dual da currency sempre foi o tema de uma critica ao sistema mercantil e financeiro e seus pressupostos valores (que tb são símbolos nacionais); o trabalho com notas e valores chega ao extremo com o dinheiro assinado de Beuys, que desdenha totalmente do sistema internacional de valores e trocas – esse é a função da chamada “money art” e nunca apenas ilustrar meros devaneios com recortes de detalhes de notas, sem discutir a significação de valor monetário e da propriedade além, é claro, de produzir uma transgressão – não é por menos que Boggs foi em cana, por causa de seu dinheiro falso… Agora esses recortes servem apenas para as paredes de consultórios de dentistas, é currency art domesticada

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    1. Discordo COMPLETAMENTE de vc, Guido, e acho que vc tem uma visão limitada em relação às matérias-primas. O fato de o Rodrigo trabalhar com dinheiro não o obriga a fazer “currency art”. O que ele faz não é isso e nem nenhum tipo de domesticação. O trabalho dele não parte do princípio do questionamento dos sistemas de circulação e dos valores financeiros, caso do “Zero Dólar”, do Cildo Meireles, por exemplo. Sua questão é outra, mais lírica e narrativa. Um bom artista pode se apropriar de uma matéria-prima que já tenha sido usada historicamente e fazer dela um uso completamente original. Rodrigo faz isso.

      De todo modo, acho que vc poderia se colocar com um pouco mais de argumentos e menos agressividade, mesmo que não curta o trabalho.

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  2. oi Dani, muito bom receber notícias, especialmente no meu caso que não terei como ir a Sampa nestes dias de feira e exposições
    bj grande
    Cris

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