Embalagens da Piraquê: tudo pode piorar

O projeto novo dos recheados, feito pela agência Saravah
O projeto novo dos recheados, feito pela agência Saravah

Na imagem acima, as “novidades” nas embalagens dos biscoitos waffle Piraquê, que lançam a última pá de cal no antigo projeto de identidade visual da marca, assinado pela artista fluminense Lygia Pape.

Abaixo, a linha de recheados, que não existia na época de Lygia. Com a ampliação da linha de sabores deste tipo de biscoito, a Piraquê parece evocar o espírito de sua antiga concorrente, a São Luiz.

Piraque saravah1

O descarte do projeto de Lygia, abordado por este blog no artigo “O crime da Piraquê” (leia aqui), chegou ao biscoito de Leite (popularmente conhecido como “o da vaquinha”). A embalagem foi adulterada e as “vaquinhas” permanecem apenas em metade do pacote, o que interrompe completamente o ritmo das diagonais proposto por Lygia. Lamentável.

O que se faz aqui não é a defesa nostálgica e nem incondicional da integralidade do projeto anterior, mas que o espírito de seu pensamento plástico – norteador do nascimento de uma identidade da Piraquê – tivesse sido respeitado. A nova identidade destrói um edifício para erguer outro. Poderia tornar o antigo, sólido e consistente o bastante, apenas mais contemporâneo. Mas não: preferiu começar do zero, desconectando a marca de sua história e descartando um patrimônio artístico, cultural e afetivo de várias gerações, assinado por uma artista que não é qualquer artista.

Em tempo: o novo projeto da Piraquê foi feito por um escritório de “design e branding” chamado Saravah.

Um P.S. A letra cursiva, quase um Brush Script, que aparece nas embalagens de waffer demonstra o raciocício clichê e desprovido de conteúdo desta nova identidade. O mesmo podemos dizer do “spash” simulando chocolate e doce de leite, nas mesmas embalagens. Para substituir alguém como Lygia seria preciso muito mais fôlego.

6 thoughts on “Embalagens da Piraquê: tudo pode piorar

  1. Que trabalho de pesquisa ruim você tem hein… critica sem nem saber quem fez a “arte” se informe melhor antes de fazer a sua critica profissional… #pena do seu trabalho!!!

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  2. Por incrível que pareça eu reconhecia os biscoitos antes e adorava as embalagens, mas são mais fáceis de localizar agora, tanto que meu filho que só queria biscoitos com desenhos infantis viu estas embalagens, se interessou e me fez comprar um de cada sabor. Eles sabem o que fazem.

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  3. SOU DESENHISTA DA PIRAQUÊ, MAS NÃO TENHO NENHUMA PARTICIPAÇÃO NA CRIAÇÃO! OS COMENTÁRIOS AQUI SÃO BEM INFORMATIVOS! RECONHEÇO O VALOR DEIXADA PELA LYGIA PAPE….

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  4. Os donos da Piraquê, o pai Colombo e o filho Celso, quando estavam na gerência tinham noção da importância do trabalho, mas os novos gestores, não entendem o que foi realizado e o que tem nas mãos.
    Por isso sou otimista, quem sabe eles não precisam de um pouco de informação ?
    Saravá !!!

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  5. Lygia Pape criou a toda a identidade visual da fábrica e produtos Piraquê, meu pai, Gunther Pape foi o químico responsável pelas fórmulas originais , que hoje,muitas já não são as mesmas.
    Era uma coisa inteligente e inovadora, ela criou inclusive um método de corte que foi copiado no mundo inteiro.
    O design ( assim como as fórmulas ) tem sido gradualmente alterado de forma que estavam na realidade reutilizando o projeto gráfico criado pela artista e inserindo uma coisa aqui, mudando outra ali , o que não seria aceito pela Lygia, pois acabou saindo completamente da idéia original. Ainda reutilizam algumas imagens como a vaquinha fotografada por mim e Maurício Cirne dentre outras, sem critério algum.
    É claro que estão atirando no próprio pé ao trocar a imagem e qualidade de produtos que já eram aceitos ( e bem aceitos ) pelo Brasil inteiro.
    Vc podia estar em qualquer lugar e encontrar um biscoito da Piraquê que vc sabia que era coisa boa, nem questionaria ! Hoje em dia…
    Preferem trocar uma identidade visual forte e histórica, por uma tentiva de modernização absolutamente banal, sem qualquer estímulo visual. Querem atrair o consumidor através de “imagens novas” , sugerindo que são modernos e que seus produtos estão melhores ????
    Sou formada em jornalismo e trabalhei em publicidade. Em muitos casos, é melhor manter o produto como está, porque É MUITO BOM e tratar de melhorar a divulgação .Porém alguns empresários desavisados preferem gastar menos, pois publicidade bem feita é cara, mas como disse, pisam no próprio pé, pois estão literalmente perdendo uma PÉROLA no oceano da concorrência.
    O que é pior, o Brasil, perde mais uma de suas características, pois essas embalagens são ícones nacionais.
    Hoje, quando o mundo inteiro percebe a beleza das imagens brasileiras, Lygia Pape já as utilizava com sensibilidade nos waffles com a ararinha azul e outros pássaros, assim, como biscoitos com o pôr do sol de Ipanema, isso é genial !!!!
    Empresas preferem partir em direção a massificação visual global, que é destituida de vida e personalidade.
    Porém sou otimista, e acredito que certas coisas podem voltar a sua originalidade e a lucidez prevalecer.
    Seria a glória !!

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