Picharam o Nuno

Ontem a Bienal de São Paulo fechou mais cedo, às 19h, porque um homem – apoiado por um grupo com mais sete pessoas – cortou a rede de proteção de Bandeira Branca, obra de Nuno Ramos, e pichou “Liberte os urubu” (sic) em uma das bases escultóricas onde ficam os três urubus presentes no trabalho.

Falamos dos que tentam tirar partido da carniça alheia ontem, em artigo sobre Nuno e a obra (aqui). Fica a pergunta: quem são os terroristas, quem são os violentos? Há uma inversão completa de valores e um incompreensão do que é arte. Estamos mais atrasados do que eu pensava…

Para ler a notícia completa publicada no portal G1, clique aqui.

PS. Uma outra perguntinha – na verdade, duas:  Quando a classe artística vai se solidarizar com Nuno e Gil Vicente? Tá demorando um pouquinho, não?

5 thoughts on “Picharam o Nuno

  1. O Singular e o Plural

    A Arte, gestada no singular, almeja o plural.Nêle, ela vive.A Bienal, pelo que aqui li, já se pronunciou.O Artista também.Pós fato.Caberia agora à terceira parte envolvida na questão também fazê-lo.Instaurando o debate.Tão salutar em uma Democracia.

    Tenho lido, aqui e ali, manifestações de solidariedade aos dois Artistas citados.

    O que é, em Arte, o atraso?

    À todos, um bom Domingo.

    Affonso Leitão/RJ

    PS:Para quem se interessar:Hélio Oiticica dá show no Paço e na França-Brasil.Aqui no Rio.Pós passagem por Sampa.Assunto ventilado em um dos posts aqui do blog.

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      1. Hélio Oiticica

        -Fui na inauguração da mostra Museu é o Mundo. Uma mostra primorosa, apresentada nos espaços do Paço e da França-Brasil.

        -Tive meu primeiro contato com a obra de HO há muitos anos atrás.Em uma palestra realizada no MAM acerca da obra do Artista.À mesa, os palestrantes Lygia Pape, Wally Salomão e Luciano Figueiredo.Em função dessa palestra, tive acesso ao Projeto HO, então no seu início, que tinha como sede um amplo apartamento no bairro do Flamengo. Em minha visita ao Projeto, tive a oportunidade de vestir um Parangolé.Original.Pedi para fazê-lo.O que me foi consentido.Foi uma experiência única.Até hoje carrego-a comigo.

        -Pois bem.Ao ler, uma boa leitura, o Catálogo-Livro Gonçalo Ivo/Edições Pinakotheke/2008(apresentação Fernando Cocchiarale,organização Max Perlingeiro, coordenação Camila Perlingeiro),que conta inclusive com duas entrevistas/encontros entre Gonçalo Ivo(GI)- Luciano Figueiredo(LF) e Gonçalo Ivo-Fernando Cocchiarale(FC), deparei-me, às páginas 91/92, com o seguinte trecho :

        LF | “Também acho muito importante isso que você(GI) diz sobre os Parangolés, pois se trata de uma obra muito mistificada e pouco compreendida.Em geral fala-se ou escreve-se sobre esse aspecto da obra de Hélio Oiticica com um distanciamento espantoso.O Parangolé foi sua proposição simultaneamente mais radical e mais simples.O que ocorre nela?Ao vestir a capa e movimentar suas partes, tudo está a poucos centímetros do olho;fica-se imerso na cor de uma maneira totalmente diferente da experiência que se tem da cor diante de um quadro contemplado a determinada distância.O Parangolé elimina qualquer possibilidade de perspectiva, uma vez que a cor acontece no seu corpo.É claro que se pode contemplar o aspecto cinético da cor, a movimentação dos panos, quando olhamos uma outra pessoa vestida com eles, mas não se trata da mesma experiência.

        Viajei por vários museus do mundo com a exposição do Hélio e (*)jamais um curador tentou ou quis tentar vestir um Parangolé, razão pela qual as imagens, as fotos e os vídeos sobre os Parangolés foram suficientes para que se escrevesse a inutilidade lida em dezenas de teses de doutorados em universidades:subliteraturas de toda espécie, em alusões a Body Art, Performances,Arte versus Vida etc.

        Com os Parangolés, Hélio Oiticica buscava o que chamou de “in-corporação da cor”na pessoa que o veste, e que é e não é “antipintura”, porque se você olha qualquer pintura de muito perto, não se vê mais a cor como o pintor a realizou no quadro.”…….

        -Pois é.(*)”Jamais um curador tentou ou quis tentar vestir um Parangolé”.
        Foi isso mesmo o que eu li no corpo do texto?Fiquei intrigado…

        -Será que a “Arte Ocidental” ainda é entendida como a Arte produzida sòmente na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte?Será que, apesar de tudo,estaremos ainda, e para sempre, subordinados a produzir “Arte Latino Americana”?Em “atraso”?E será que , em a produzindo, ainda são imensas as dificuldades para uma compreensão maior dessa Arte?Isso em um mundo globalizado?Continuo intrigado…

        Abs

        Affonso Leitão/RJ

        PS:Na exposição Museu é o Mundo existem réplicas de Parangolés que podem ser vestidas pelo público interessado.

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